Grandeza de Elza Soares repercute em todo o mundo

Washington Post destaca performance de Elza no Rock in Rio, quando ela chamou um protesto contra Bolsonaro.

Imprensa internacional ressaltou a vasta obra, vanguardismo do repertório e a crítica social de Elza Soares, coerente com sua visão sobre o Brasil.

Espanhol 'El Mundo' destacou que vida de Elza Soares foi marcado por sucessos e superação da fome e do racismo Foto: Reprodução
Espanhol ‘El Mundo’ destacou que vida de Elza Soares foi marcado por sucessos e superação da fome e do racismo Foto: Reprodução

A morte da cantora Elza Soares nesta quinta-feira repercutiu na imprensa internacional, que classificou como “mítica” e “ícone da música brasileira”. A artista morreu em casa, no Rio de Janeiro, por causas naturais, segundo a família.

The Guardian, jornal britânico, observou a enxurrada de homenagens que revelam como Elza é querida em seu país. Segundo a reportagem, ela morre “após uma carreira lendária de seis décadas que a tornou um tesouro nacional e uma estrela global”. O título de “voz do milênio” concedido pela BBC londrina foi mencionado.

Na política, após citar o nojo de Elza pelo atual governo, o jornal destacou apenas a homenagem do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, quando disse que  “perdemos não só uma das melhores cantoras e vozes mais poderosas do Brasil, mas também uma grande mulher, que sempre defendeu a democracia e as boas causas”, escreveu. Às vésperas de seus 90 anos, o Guardian diz que ela declarou em entrevista: “As coisas aqui estão horríveis, é uma doença sem cura, uma situação absurda, nojenta. É a minha raça que estou vendo ser destruída e temos que falar e dizer basta”.

Segundo o jornal, a vasta base de fãs de Elza supostamente incluía o Palácio de Buckingham, com a cantora se apresentando para a rainha Elizabeth II durante uma visita ao Brasil em 1968. “Ela gostava de samba, sabe!” Elza lembrou mais tarde. “Ela até quebrou o protocolo batendo no ritmo com os pés. Meu Deus, a vida não é louca.” Nesta quinta-feira a embaixada britânica no Brasil relembrou o encontro: “Foi um encontro de Queens! Descanse em paz, Elza.”

O francês Le Figaro destacou sua trajetória sofrida e voz peculiar para lembra o título oferecido pela BBC de «Chanteuse brésilienne du millénaire».

Já o americano The Washington Post publicou: “Cantora brasileira de samba morre aos 91”, baseado em texto da Associated Press, reproduzido em veículos de todo o mundo. Como grande parte dos veículos de imprensa internacional que fizeram isso, o New York Daily News lembrou a trajetória difícil da vida de Elza, desde a infância na favela.

Os argentinos La Nación e Infobae destacaram que a “mítica cantora brasileira Elza Soares morreu aos 91 anos por causas naturais”.

O portal inglês DailyNews manchetou: “Elza Soares, ícone da música brasileira, morreu aos 91 anos”. A publicação também ressalta que ela era considerada “uma das maiores cantoras” do país e que “esteve na sombra durante alguns anos”, mas “depois renasceu”.

Aljazira destacou o falecimento da cantora mencionando o fato dela ser uma defensora aberta que denunciou o racismo e a violência contra as mulheres. O órgão de imprensa dos países árabes destacou apenas a homenagem do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, no Twitter.

O português Público destacou que além de ícone da música brasileira, a artista, “anona de 60 fez-se sambista, diva da ‘bossa negra’”.

O espanhol El Mundo escreveu que Elza era uma “das mais populares e queridas do país”. A publicação pontuou que a cantora teve uma vida “marcada por êxitos, mas também pela superação da fome e do racismo”.

A revista Rolling Stones trouxe na capa de sua versão na internet a morte da cantora, lembrada pela ousadia da experimentação musical e pelo comentário político de seu repertório, além de ser qualificada como “prolífica” pela vasta obra. A revista também lembra o momento global da abertura das Olimpíadas de 2016 com a participação da cantora.

“Após um hiato na década de 2010, Soares voltou ao cenário musical com seu álbum A Mulher do Fim do Mundo, de 2015, que ganhou um Grammy Latino de Melhor Álbum de Música Popular Brasileira. Foi aclamado por suas influências experimentais, que vão do afro-funk ao noise rock, e seu comentário social sobre a brutalidade policial, a violência contra pessoas LGBTQAI e a vida dos oprimidos no Brasil. Ela continuou produzindo música no final de sua vida e também recebeu indicações ao Grammy Latino por seus álbuns Deus é Mulher de 2018 e Planeta Fome de 2019.”, concluiu a reportagem da RS.

Outras publicações musicais internacionais, como a Billboard, também destacaram o falecimento de Elza.