Governo mantém salário mínimo sem aumento real para 2023

(Divulgação)

O Ministério da Economia manteve, em anúncio nesta quinta-feira (19), o salário mínimo do próximo ano sem aumento real.

O reajuste prevendo apenas a correção da inflação consta no Projeto de Lei de Diretrizes Orçamentárias (PLDO) para 2023, enviado ao Congresso Nacional em abril, com um reajuste de 6,7%. Com a revisão do INPC (Índice Nacional de Preços ao Consumidor) para 8,1%, o salário mínimo acompanha o índice, e terá um reajuste de R$ 98,17 no bolso do trabalhador.

No entanto, sem aumento real, o governo Bolsonaro confirma a sua política de desvalorização do salário mínimo que, frente à crescente inflação dos últimos anos, perde cada vez mais o seu poder de compra.

De acordo com o Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos), o trabalhador remunerado pelo piso nacional comprometeu em média, em abril de 2022, 61% do rendimento para adquirir os produtos da cesta básica. Em março, esse percentual foi de 58,57% e, em abril de 2021, quando o salário mínimo era de R$ 1.100,00, o percentual ficou em 54,36%.

Enquanto o salário mínimo tem seu valor reduzido, os preços do gás de cozinha, dos combustíveis e dos alimentos seguem em alta. Em abril, o valor médio da cesta básica bateu recorde em oito capitais pesquisadas pelo Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas (Ibre-FGV), com os preços variando de 5% a 10,7%. No Rio de Janeiro, a cesta básica formada por 18 produtos mais consumidos pelas famílias teve um custo de R$ 884,97.

A mobilização por uma política de valorização do mínimo e de combate à carestia tem se ampliado em diversas frentes de organizações sociais e sindicais. Em campanha nacional, centrais sindicais, organizações de bairro, do movimento feminino e do movimento negro organizam ações para exigir o controle dos preços, ao mesmo tempo que se exige uma a urgente recuperação do poder de compra do trabalhador.

Para o senador Paulo Paim (PT-RS), é necessário a retomada de valorização do mínimo. “Apresentei projeto neste sentido. Quando da sua vigência, o salário mínimo chegou a US$ 350; hoje é de US$ 250. O salário mínimo não terá aumento real em 2023. Será o quarto ano seguido”. “O aumento no preço do diesel acendeu o alerta dos agricultores. O impacto nos custos pode chegar a 93%. A escalada nos preços atinge também todos os insumos da cadeia produtiva. O efeito dominó se estende naturalmente para a cidade. Os alimentos estão caríssimos. O aluguel não foge a esta escalada. Voltando aos alimentos, em março, o aumento do preço da cenoura foi de 46%; o do tomate, de 16%; o da batata, de 12%. São apenas alguns exemplos”, afirmou.