Giordano explica que tema da Segurança Pública é prioridade no RJ

Crédito das fotos: Ascom

Em entrevista ao Conexão Jornalismo, o pré-candidato do PCdoB ao governo do Estado do Rio de Janeiro, Leonardo Giordano explicou que o debate do desenvolvimento econômico, a geração de empregos e renda e a segurança pública, são algumas das principais bandeiras da sua pré-candidatura.

“A gente precisa sair desse ciclo de ações espetaculares que apenas oprimem comunidades pobres, matam a juventude negra e fazem ações milionárias que não dão resultado nenhum”. Leia na íntegra:

Conexão: Antes de mais nada, conte para nossos leitores: como o Leonardo Giordano entrou para a política?

Giordano: Eu comecei no movimento estudantil aos 15 anos e ao ser candidato pela primeira vez, nos anos 2000, ainda muito jovem, fiz campanha nos sinais de trânsito, em caixotes, em diálogo direto com a população. Sou um quadro oriundo do movimento social que teve participação em lutas importantes como a resistência contra as privatizações no governo FHC e pela organização dos jovens pelo passe livre, meia entrada, pautas estudantis.

Conexão: Você é fundador de um grande movimento pela diversidade em Niterói. Conte um pouco sobre essa experiência.

Giordano: Nós fundamos o Grupo Diversidade Niterói (GDN) para defender LGBTs que passavam por ataques e graves problemas aqui na cidade. Essa militância nos direitos humanos abriu contato com todas as lutas em defesa das minorias políticas e maiorias numéricas como é o caso das mulheres, negros e negras, pessoas com deficiência e tantas outras pautas dos direitos humanos. Fundamos a parada do orgulho LGBT na cidade e hoje o GDN é uma instituição reconhecida e premiada, patrimônio imaterial do município.

Conexão: E como recebeu a decisão do PCdoB de que você será o candidato do partido ao governo do estado?

Giordano: Para mim foi uma grande honra ter sido cogitado para essa posição ainda mais nesse momento que é delicadíssimo. A disputa pelo governo do estado é um capítulo da disputa por soberania no Brasil. O estado do Rio tem as condições gerais da crise brasileira agravadas, amplificadas: se a crise do emprego é grave no Brasil, é pior no Rio; se estão entregando o petróleo, e isso é ruim para o país, é ainda pior para o Rio com o fechamento da indústria naval e a quebra da cadeia produtiva do petróleo. Então, é uma grande honra, uma tarefa enorme a qual pretendo me dedicar. Quero ouvir muito a direção do partido, ouvir muito os movimentos sociais e ouvir muito a sociedade civil organizada para gente conseguir apresentar propostas que tirem o Rio de Janeiro da crise e que façam sentido para o povo trabalhador.

Conexão: Já dá para adiantar algumas linhas do seu programa para o estado?

Giordano: Assim como faz nacionalmente com a candidatura de Manuela D’Ávila, o partido vai abrir diálogo com movimentos sociais e forças políticas para construção de uma frente ampla com base em um programa que a gente pretenda que seja o mais unitário possível. PT, PSB, PSOL, REDE, PDT, PV, nosso esforço é para que todos que querem um novo Rio de Janeiro façam parte dessa frente ampla. Ainda assim, alguns eixos gerais podem ser definidos: certamente o debate de desenvolvimento econômico, geração de emprego e renda vai estar no centro. Pois isso tem a ver com prosperidade, com oferta de perspectiva para todo povo. E toca profundamente o segundo tema que é segurança pública. A gente precisa sair desse ciclo de ações espetaculares que apenas oprimem comunidades pobres, matam a juventude negra e fazem ações milionárias que não dão resultado nenhum. Que a gente possa ter de fato uma polícia investigativa, pois mais de 90% dos homicídios no estado do Rio não são esclarecidos. Então desenvolvimento econômico e segurança certamente serão eixos centrais que o PCdoB vai enfrentar nessa campanha.

Conexão: Dados do Caged mostram que em 2017 o Rio de Janeiro teve um forte aumento do desemprego. Principalmente na indústria e na construção civil. Como reverter esse quadro?

Giordano: Eu acho que o governo do estado do Rio é fraco e desmoralizado. Ele não consegue se impor ao governo federal, segue vendendo nosso patrimônio. Agora está prestes a sacrificar a CEDADE e ameaça a UERJ, por exemplo. A retomada do desenvolvimento econômico precisa passar por um Rio de Janeiro que seja capaz de sentar na mesa com o governo federal e exigir sua justaposição no Brasil. Por outro lado, redescobrir as vocações regionais do nosso estado. Lutar pela industrialização. A retomada do emprego no Rio precisa ter o Estado como agente indutor do crescimento.

Conexão: Em Niterói, você é recordista na aprovação de projetos de lei entre os vereadores. Um desses projetos cria uma cota para a mídia alternativa – blogs, jornais de bairro, rádios comunitárias – na publicidade oficial da prefeitura. Você defenderá o mesmo para o governo do estado?

Giordano: Certamente, há um grave monopólio dos veículos de comunicação. São versões que são reproduzidas por veículos que tem os mesmos donos e contam as mesmas histórias. O povo brasileiro sabe muito bem que tem sido enganado por boa parte dessa imprensa. É muito importante fortalecer a diversificação, a democratização que passe pela ideia de que haja cada vez mais gente produzindo. Democracia de verdade se faz assim: com reserva de percentual nas verbas de publicidade para veículos da mídia alternativa como blogs, jornais de bairro e rádios comunitárias. Eu acho que é fundamental para a gente ter uma democratização estadual da comunicação. Investir nisso certamente será importante para todo o estado e toda a população.

Conexão: Uma das bases de apoio social que você possui está entre professores e estudantes. O que fazer com UERJ, UENF, UEZO e a educação no estado?

Giordano: Tem que ser uma das prioridades estratégias. Em primeiro lugar, é preciso entender que o Estado do Rio de Janeiro precisa continuar competitivo na economia a partir da ideia de que tem mão de obra qualificada, de que tem centros de conhecimentos, de que tem polos de geração de ciência e tecnologia. Acho que essas instituições cumprem um papel fundamental. Elas não podem ser sacrificadas. Uma prova de que o governo entrega a soberania do estado do Rio de Janeiro, entrega o futuro do Rio, é o fato dele facilmente cogitar o fim da UERJ. É preciso compreender que são estratégicos e não que são um problema para o estado como atualmente faz o governo do Pezão. O governo do estado é forte contra o povo, mas fraco na hora de se impor com o governo federal e com as grandes empresas devedoras. Precisamos do inverso: de um governo que seja sensível ao povo e forte contra a casta.

Conexão: E como fazer para superar a máquina do PMDB que está há 12 anos no poder no Rio de Janeiro?

Giordano: O PMDB está num ciclo de descenso. Eu acho que a população do estado já compreende que eles não oferecem alternativa e não tem projeto de futuro para o Rio. Está claro que a máscara do PMDB caiu e que a gente precisa gerar um novo momento no Rio. Eu penso que superar a máquina do PMDB pode ser feito com propostas claras que façam sentido para a população. O PMDB no estado do Rio é um partido carcomido que não tem condições de desdobrar os desafios do estado. E nesse momento a governança do PMDB atrasa o Rio e impede que ele possa retomar seu lugar de desenvolvimento e prosperidade. O PCdoB está pronto para ser a alternativa que a população precisa.