Exibição de filme e ato solene celebram o centenário de João Goulart 

Se estivesse vivo, João Goulart (1919-1976) faria cem anos em 2019. Para marcar a data e saudar a memória do ex-presidente, a Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp) promove nesta segunda-feira (16), em seu Auditório Paulo Kobayashi, a exibição do documentário Jango, de Silvio Tendler, seguida de ato solene. A programação – que se inicia às 17 horas – é uma iniciativa do mandato da deputada estadual Leci Brandão (PCdoB-SP), em parceria com o Instituto João Goulart (IJG).

Por André Cintra

Lançado em 1984, o filme Jango é um dos documentários de maior sucesso de crítica e público no cinema nacional. Segundo a jornalista, crítica de cinema e pesquisadora Carolina Maria Ruy, do Centro de Memória Sindical, o longa-metragem “captura a efervescência da política brasileira durante a década de 1960 e narra os detalhes do golpe”. Conta também as “as atrocidades cometidas pela ditadura” até 1976 – ano da morte de João Goulart.

Além de entrevistas, Silvio Tendler se baseou em documentos e imagens de arquivo – alguns deles inéditos, até então. “Com as informações que poderiam ser obtidas naquela época, o filme é um primoroso e melancólico documento sobre a História do Brasil”, resume Carolina. Jango é narrado pelo ator José Wilker.

O ato solene na Alesp começará logo após a exibição do filme e terá transmissão ao vivo pela página Deputada Leci Brandão no Facebook. Em artigo publicado neste mês no Portal Vermelho, João Vicente Goulart, filho de Jango e diretor do Instituto João Goulart, defendeu que o PCdoB – partido de Leci – representa “o autêntico trabalhismo hoje”, sobretudo “diante da realidade desta democracia autoritária”. O próprio filho de Jango se filiou ao PCdoB neste ano, depois da incorporação do PPL (Partido Pátria Livre).

Quem foi João Goulart

Natural de São Borja (a exemplo do ex-presidente Getúlio Vargas), João Belchior Marques Goulart nasceu em 1º de março de 1919. Formado em Direito pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), foi eleito para a Assembleia Legislativa gaúcha em 1947. Três anos depois, elegeu-se deputado federal.

Na década de 1950, Jango foi secretário de Interior e Justiça do Rio Grande do Sul (gestão Ernesto Dorneles), ministro do Trabalho (governo Getúlio Vargas) e vice-presidente da República (governo Juscelino Kubitschek). Foi reeleito vice-presidente em 1960. Com a renúncia de Jânio Quadros à Presidência da República, em 1961, e depois de uma bem-sucedida “campanha da legalidade” liderada pelo governador gaúcho Leonel Brizola, João Goulart se tornou o 24° presidente do Brasil.

Em seu mandato (1961-1964), Jango lançou a proposta de nacionalizar certos setores industriais e promover “reformas de base” (como as reformas agrária, bancária, educacional, eleitoral, fiscal e urbana). Foi o governo João Goulart que promulgou o Estatuto do Trabalhador Rural, adotou o método Paulo Freire no combate ao analfabetismo, regulamentou a remessa de lucros das multinacionais para o exterior

Deposto com o golpe de 1964, Jango teve seus direitos políticos cassados por dez anos e se exilou no Uruguai e, depois, na Argentina. Morreu em 6 de dezembro de 1976 no município argentino de Mercedes, Corrientes, em circunstâncias que ainda não foram totalmente esclarecidas. Em 2013, por determinação da Comissão Nacional da Verdade, seu corpo foi exumado, mas, devido à passagem do tempo, não foi possível concluir a causa da morte. No mesmo ano, o Congresso Nacional anulou, oficialmente, a sessão de 1964 que derrubou o governo Jango e, assim, fez a devolução simbólica de seu mandato presidencial.