Equador: greve geral e manifestações contra "pacotaço"do FMI

Além de ato em Quito (foto) protesto toma avenida central de Guayaquil - Reuters

Com lojas, escolas, universidades fechadas e sem movimentação de transporte, o centro de Quito foi tomado por manifestantes nas primeiras horas do dia 9. A greve geral que parou todo o Equador contra o que denunciam como “Pacotaço”, imposto pelo FMI, foi acompanhada de manifestações nas diversas províncias.

Uma grande mobilização também acontece na cidade litorânea de Guayaquil, onde a concentração se dá na avenida principal e toma direção ao local onde Moreno instalou o governo, após se ver obrigado a sair da capital Quito, junto com seus ministros.

A correspondente da rede Telesur, Denise Herrera, informa que para evitar a aproximação da multidão ao Palácio Carondelet (do governo equatoriano), “desde as 11:00 da manhã, hora local, entre a rua Manabi e o centro histórico de Quito, a polícia começou a lançar gás lacrimogêneo para evitar o ingresso das manifestações que preveem a chegada ao local”.

Já há informações de mortos entre os manifestantes e mais de 700 presos. Na vã tentativa de parar o movimento que tomou conta do Equador com protestos que seguem ininterruptos há seis dias, o governo de Lenín Moreno baixou o decreto de “estado de exceção” – restringindo liberdades de manifestação, expressão e inviolabilidade residencial – e, no dia 9, em meio ao sucesso da greve geral, baixou toque de recolher da 20:00 às 9:00, nas ruas vizinhas ao Palácio governamental e ao parlamento, a Assembleia Nacional.

No dia 8, manifestantes convocados pela Confederação Indígena, a Conaie, delegações das tribos indígenas, sindicatos, organizações sociais e estudantis, conseguiram vencer o cerco policial e chegar ao plenário da Assembleia Nacional de onde lançaram o “Parlamento dos Povos”.

Na cidade de Cuenca, uma multidão de manifestantes aprovou a declaração de “estado de resistência”.

Entre os atos repressivos, na cidade de Pichincha, a Rádio Pichincha Universal foi invadida por policiais e, segundo a prefeita da província, Paola Pabón, solidária aos radialistas, teve o seu sinal bloqueado e é acusada pela procuradoria local de “incitamento” porque estava transmitindo os principais fatos da mobilização popular em rechaço ao pacotaço, do qual, uma das medidas, a do corte do subsídio aos combustíveis, estopim da revolta, fez com que o diesel e a gasolina tivessem os preços majorados em mais de 100%.

No dia 8, estudantes tomaram as ruas de Quito, com uma faixa onde se alertava: “Ou cai o pacotaço, ou cai o governo”. Por todo o país já ecoam os brados de “Fora Moreno!”.

Entre outras medidas repudiadas pela população está a investida, imposta também pelo FMI, contra o funcionalismo público, prevendo demissões em massa, corte de 15 dias nas férias dos que permanecerem como servidores e atentados aos seus direitos previdenciários.

O acordo com o FMI prevê que, como garantia do pagamento de empréstimos, o governo equatoriano eleve suas reservas depositadas em bancos estrangeiros dos atuais 4 bilhões de dólares para 15 bilhões.

Na segunda-feira, um número expressivo de soldados das Forças Armadas do Equador, uniformizados e armados, decidiram confrontar as ordens do governo de Moreno de ampliar a repressão aos movimentos sociais e se somaram à marcha contra o pacote.

Ao mesmo tempo, vizinhos à comunidade de São Roque, em Quito, denunciaram pelas redes sociais um vídeo em que se observa, terça-feira, a violenta repressão exercida pelo regime. Nas imagens, que viralizaram pela internet, policiais perseguem manifestantes em uma ponte, enquanto lá embaixo encontram-se três corpos. Conforme se ouve em várias vozes durante a gravação, os três jovens foram jogados pelos guardas de Moreno, a quem se acusa de “assassinos”.

 

Apesar do sangue derramado, o ministro da Defesa, Oswaldo Jardín, reiterou que o regime está disposto a utilizar a força letal para tentar controlar os protestos.