Encontro de quadros será realizado neste sábado pelo PCdoB carioca

Aberto para todos os filiados e filiadas, o Partido Comunista do Brasil (PCdoB) carioca realizará neste sábado (8), um Encontro Municipal dos Quadros de Base – de forma virtual.

O evento terá início às 9 horas e deverá contar com a participação da deputada federal (PCdoB-RJ), Jandira Feghali e da deputada estadual Enfermeira Rejane, do presidente estadual do PCdoB, João Batista Lemos e do coordenador do departamento de quadros estadual do RJ, Uirtz Sérvulo. O encontro contará com a presença ainda do secretário nacional de Organização do PCdoB, Ricardo Abreu Alemão e do coordenador do Departamento Nacional de Quadros do PCdoB, Carlos Diógenes (Patinhas).

Nos últimos dois meses o Partido realizou várias assembleias de base que debateram o documento municipal (ao final) e elegeu delegados ao evento. “O encontro pretende ser um importante espaço de discussão com os militantes partidários, com debate coletivo para aprimorar e qualificar nossos métodos de organização e disputar as ideias na sociedade com mais qualidade”, avalia o presidente do PCdoB-Rio, Rodrigo Weiz (Digão).

Programação 

De 9:00hs até 12:00 – abertura do encontro para todos os filiados.

De 13:00 até 15:30 – Debate nos Grupos de Trabalho.

De 16:00 até 17:30 – apresentação dos relatórios dos GTs, aprovação da Carta do Encontro, Intervenções finais.

O encontro será todo realizado por vídeo conferência e o link será enviado aos filiados e delegados eleitos, suplentes e convidados.

A seguir o documento:

Um Encontro de Quadros de Base para Fortificar o Partido

Nosso país atravessa um momento histórico de profundo retrocesso civilizacional que se apresenta sobre múltiplas formas.

O primeiro e mais evidente drama é a constatação de que estamos vivendo um período de genocídio do povo brasileiro onde atualmente mais de 270 mil pessoas já perderam a sua vida para a COVID-19 devido à maneira absolutamente desastrosa com que o governo Jair Bolsonaro vem lidando com esta crise sanitária. Negação da ciência, subestimação da doença, imunização de rebanho, sabotagem e desarticulação dos esforços que a sociedade e os governos estaduais e municipais têm no combate ao vírus, enfim é grande a folha corrida de desserviços e crimes de responsabilidade de Jair Bolsonaro.

Outro drama que o nosso país vive é o da crise econômica e da total falta de perspectiva de um projeto de país. Já são quase 14 milhões de pessoas desempregadas, isso sem falarmos das pessoas em trabalhos precarizados, uberizados e em outras formas de subemprego. A desvalorização do trabalho frente ao capital ocorre de forma brutal e avassaladora. A desindustrialização é outro grave problema do Brasil, fenômeno este que ocorre já há vários anos, cuja saída da Ford do Brasil é o capítulo mais recente e emblemático. A inflação sentida por todos aqueles que vão às compras nos supermercados é dolorosa. O preço da carne, do arroz, do leite, das passagens, do gás de cozinha, da cesta básica, enfim o preço de viver, só sobe, enquanto os salários são diminuídos.

Há ainda em nosso país uma escalada do ódio, da intolerância, do milicianismo e do extremismo de direita. Esta extrema direita neofascista hoje cumpre um papel, para o qual a direita neoliberal tradicional se mostrou insuficiente, que é o de esmigalhar o Estado brasileiro e o de desvalorizar ao máximo o valor do trabalho, além de ser, por excelência, uma ameaça constante e grave à democracia.

Nossa tarefa prioritária é impedir o avanço desta força política degenerada e para isto devemos construir quantas frentes amplas forem necessárias para lutarmos cada luta específica. Devemos fazer resistência incansável contra o avanço do neofascismo no Brasil ao mesmo tempo em que precisamos acumular forças e alianças para que possamos derrotar este extrema direita de forma decisiva. Contudo é importante que tenhamos a sobriedade de entender que a extrema direita hoje é uma força política real na sociedade brasileira, sendo assim, devemos estar preparados para uma luta de longo prazo.

O estado do Rio de Janeiro vive uma era de retrocesso econômico avassalador. Aqui o desemprego, e toda a sorte de precarização do trabalho, é mais alta do que a média nacional. Aqui a desindustrialização é escancarada. Os setores naval, petroquímico e da construção civil estão reduzidos a escombros. Aqui as milícias ganham mais territórios e mais poder a cada mês.

Com a queda do governador Wilson Witzel, assume o governo seu vice, Claudio Castro, que por ser aliado de Bolsonaro é incapaz de enxergar e apresentar qualquer saída para a decadência que o Estado do Rio passa. O estado do Rio está sem rumo.

Na cidade do Rio de Janeiro, com a derrota do ex-prefeito Marcelo Crivella na eleição de 2020, o mal pior foi evitado. Contudo o governo do atual prefeito Eduardo Paes não promete ser muito auspicioso para os cariocas. O novo prefeito apresenta para a cidade do Rio um plano de governo fiscalista, onde buscará reduzir as despesas do governo com cortes na saúde e na educação e aumentar as receitas através de medidas esdrúxulas. Logo no começo de seu governo já anuncia que aumentará a alíquota previdenciária dos servidores municipais de 11% para 14% e fecha inexplicavelmente a UPA de Manguinhos.

A ausência de um vereador comunista na câmara de vereadores do Rio de Janeiro infelizmente trará muitas dificuldades para o povo carioca, pois não terá esta casa uma voz firme na fiscalização dos atos da prefeitura. Além disso, os partidos de esquerda todos somados, somente elegeram onze vereadores de um total de cinquenta e um. Contudo, nos manteremos atuantes na política da cidade usando para isto todos os espaços e instrumentos que estiverem ao nosso alcance. Devemos ser uma força política que faça oposição ao atual prefeito através de argumentos coerentes e propostas claras para o povo carioca.

Nosso partido precisa estar preparado para as batalhas políticas que virão, grandes ou pequenas, específicas ou gerais. A luta contra as privatizações, a sobrevivência da democracia, a manutenção de cada uma das conquistas dos trabalhadores, a defesa da nação brasileira, a valorização das identidades, a vida, o emprego, a moradia, enfim muitas são as lutas que estão por vir e o PCdoB estará sempre junto ao povo contra os tiranos. Estas diversas lutas se darão em diferentes palcos, contudo uma batalha de grande envergadura já está definida, trata-se da eleição nacional de 2022. Para nos prepararmos para os combates do futuro será necessário, mais do que nunca, um partido mais organizado que seja mais influente e vivo nas bases.

Antes de mais nada é importante reconhecermos que o nosso partido é pequeno diante das nossas ambições, que são nada mais nada menos do que mudar o mundo, mudança essa que se dará através da implementação do socialismo em um país continental como é o nosso. Para implementarmos o socialismo é necessária a tomada do poder político pela classe trabalhadora no curso de um processo revolucionário. Trata-se de um projeto de longo prazo, que atravessa gerações, que necessita de um grande período de acúmulo de forças e também de estar preparado para épocas de resistência. A sina de um partido com o nosso propósito é a de sempre buscar ser maior e mais influente do que se é em determinado momento. Nossa vocação é para o crescimento.

Mas crescer não é só um ato de vontade, depende também das condições objetivas, de como está o mundo real. Hoje vivemos um momento em nosso país muito difícil para a propagação de nossas ideias, dificuldade esta sentida por toda a esquerda, mas ainda mais sentida por nós comunistas. Essa dificuldade pode ser melhor lida através da análise do resultado eleitoral das últimas eleições.

Devemos acolher e valorizar todas as pessoas que tomam a decisão de se tornarem agora ou de se manterem filiadas ao Partido Comunista do Brasil, principalmente nesta atual quadra de dificuldade política e de grande enfrentamento ideológico. Valorizar e acolher os filiados do partido é na prática darmos a oportunidade de se organizarem no partido através da sua participação nas Organizações de Base.

É necessário compreendermos que existem estágios diferentes de organicidade em que as bases do partido podem estar inseridas. Para muitas bases o simples fato de conseguir reunir os filiados e realizar uma reunião onde ocorra um debate político já é um grande feito. Entretanto, para outras bases mais estruturadas que se reúnem com mais frequência, sendo por tanto mais maduras, é desejável que adicionalmente ao debate político a base realize ações políticas de intervenção em sua área de atuação.

Em nossa cidade o partido está organizado em três níveis: Direção Municipal, Direções Distritais e Organismos de Base.

A Direção Municipal do PCdoB Rio possui atualmente 88 integrantes reunindo-se periodicamente a cada dois meses subordinando-se as Direções Estadual e Nacional do PCdoB.

As Direções Distritais são a engrenagem fundamental para a estruturação do partido em uma cidade tão populosa como a nossa, sendo o elo entre a Direção Municipal e os Organismos de Base. Algumas Direções Distritais estão em pleno funcionamento, outras estão em processo de reestruturação. Atualmente são nove as Direções Distritais: Centro, Zona Sul, Méier, Tijuca, Ilha, Zona Norte, UFRJ, Zona Oeste, Saneamento e Metal/Leopoldina. As Conferências Distritais ocorrerão no segundo semestre deste ano no bojo do 15º Congresso Nacional do PCdoB.

A Organização de Base é o esteio da ação partidária cotidiana. É o principal elo entre o Partido, os(as) trabalhadores(as) e o povo, auscultando seus anseios e aspirações, contribuindo para a elaboração da orientação e a intervenção política do Partido. É participando regularmente delas que os(as) filiados(as) e militantes materializam os critérios de compromisso com a vida partidária e desenvolvem sua consciência teórica e política.  As Bases são constituídas por um mínimo de 3 (três) militantes do Partido, em fábricas, empresas e demais locais de trabalho; em categorias, setores e ramos profissionais; em assentamentos rurais, fazendas, empresas rurais, comunidades indígenas e quilombolas; em escolas e universidades; em áreas como educação, saúde, ciência, segurança pública, cultura e comunicação; e em locais de moradia. Na última Conferência Municipal do PCdoB em 2019 foram reunidas 43 Organizações de Base, de lá pra cá muitas destas bases não se reuniram novamente enquanto outras reuniram-se com certa frequência.

Um PCdoB forte é um PCdoB enraizado na base.

 

Comissão Política Municipal do PCdoB Rio