Elias Jabbour (esq) e Daniella Marques (dir). Fotos: Reprodução | José Cruz/Agência Brasil

O deputado federal eleito Elias Jabbour (PCdoB-RJ) desafiou a coordenadora da área econômica do candidato Flávio Bolsonaro (PL), Daniella Marques, a um debate aberto sobre austeridade fiscal e desenvolvimento econômico.

Marques até agora não respondeu se aceitará o desafio. Ela foi assessora de Paulo Guedes, ex-ministro da Economia no governo Jair Bolsonaro, e depois presidente da Caixa Econômica Federal.

Como lembra Jabbour, a equipe econômica de Flávio já destacou que irá cortar entre R$ 190 e R$ 250 bilhões do orçamento, o que significa entre 1,5% e 2% do PIB (Produto Interno Bruto). Questionada sobre as áreas afetadas por esse “tesouraço”, Marques respondeu: “Não sou mãe Dináh”.

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Jabbour, que é geógrafo e professor na Faculdade de Ciências Econômicas da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), ressalta que o pedido para o debate visa esclarecer onde serão feitos os cortes e destaca os pontos que pretende tratar:

“A gente não pede para as pessoas adivinharem. Nós pedimos que mostrem a conta, ou seja, de onde e quais os setores serão prejudicados com o corte de gastos prometido por ela. Logo eu, enquanto deputado federal eleito, e principalmente como professor de economia, fiz um desafio público para um debate tranquilo, civilizado e honesto com Daniela Marques. Em tese, o debate seria sobre dois pontos. Primeiro deles, a relação entre austeridade fiscal e desenvolvimento econômico. E o segundo, mais importante, quais seriam as partes do orçamento que seriam afetadas por esse corte de gastos?”, diz.

Conforme o deputado eleito, essas explicações são fundamentais para a população brasileira, pois “quem pede o voto do povo tem que mostrar a conta antes e não depois, caso contrário, chama-se estelionato eleitoral”, afirma Jabbour, que reforça que Daniella Marques pode escolher o dia e o local para o debate.

Proposta bolsonarista de desmonte

A ideia de corte de até R$ 250 bilhões que vem da campanha de Flávio Bolsonaro deve afetar, segundo economistas, áreas como saúde, educação e Previdência. Nas duas primeiras áreas, observa-se potencial mudança na regra de financiamento. Assim, o orçamento de saúde e educação passaria a ser corrigido somente pela inflação e não mais pela evolução das receitas da União.

Já no caso da Previdência, há indícios de que ganhos reais do salário mínimo não seriam repassados automaticamente aos aposentados do INSS e aos beneficiários do BPC.

A inspiração para esse desmonte do Estado brasileiro vem da Argentina, onde o presidente Javier Milei realizou cortes que fecharam 28 mil empresas e fulminaram 335 mil empregos formais em 30 meses.

Além disso, em entrevista à CBN Bahia na segunda-feira (19), Daniella Marques cometeu um “sincericídio” ao dizer que Flávio pretende, caso seja eleito, impor um período de transição de dois anos para desligamento de beneficiários do Bolsa Família.

“Vai ter regra de transição de dois anos [no Bolsa Família] para que possa abrir seu negócio, ou aceitar emprego de carteira assinada. E um retorno automático caso dê errado. As pessoas não podem ficar presas para sempre no Bolsa Família”, disse a coordenadora de Flávio.