Efeito Bolsonaro: inflação de setembro é a maior em 26 anos

O governo Jair Bolsonaro continua perdendo a batalha contra a inflação. Em setembro, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo -15 (IPCA-15) acelerou 1,14%, após alta de 0,89% em agosto. É a maior alta para um mês de setembro em 26 anos, desde o Plano Real em 1994. Com alta de 2,85%, a gasolina foi a principal influência para a alta do IPCA-15.

Na série para todos meses, a alta foi a maior desse fevereiro de 2016 (1,42%). Em setembro de 2020, o IPCA-15 teve variação de 0,45%. Os dados foram divulgados nesta sexta-feira (24) pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).

No resultado acumulado em 12 meses, o IPCA-15 ficou em 10,05% em setembro, ante 9,30% no número registrado até agosto, também em 12 meses. É a taxa de inflação mais elevada desde fevereiro de 2016 (10,84%). A meta de inflação perseguida pelo Banco Central para 2021 é de 3,75%, com tolerância de 1,5 ponto percentual para baixo ou para cima. Mas, ao que tudo indica, o efeito Bolsonaro fará a inflação passar – e muito – do teto.

Houve alta em oito dos nove grupos de produtos e serviços pesquisados. O maior impacto (0,46 p.p.) e a maior variação (2,22%) vieram do grupo Transportes. A segunda maior contribuição veio de Alimentação e bebidas (1,27% e 0,27 p.p.), que subiu mais do que no mês anterior (1,02%). Na sequência, veio Habitação (1,55%), cujo resultado desacelerou em relação ao IPCA-15 de agosto (1,97%) e contribuiu com 0,25 p.p. no índice do mês. Os demais grupos ficaram entre o -0,01% de Educação e o 1,23% de Artigos de residência.

O resultado do grupo Transportes (2,22%) foi influenciado pela alta dos combustíveis (3,00%), acima da registrada no mês anterior (2,02%). A gasolina subiu 2,85% e acumula 39,05% nos últimos 12 meses. Esse subitem exerceu o maior impacto individual do mês no IPCA-15, o mesmo da energia elétrica: 0,17 ponto percentual. Os demais combustíveis também apresentaram altas: etanol (4,55%), gás veicular (2,04%) e óleo diesel (1,63%).

Os veículos próprios, que haviam subido 1,06% em agosto, registraram alta de 1,19% em setembro. Os automóveis novos (1,70%), os automóveis usados (1,34%) e as motocicletas (1,04%) permaneceram em alta e contribuíram conjuntamente com 0,08 p.p. no IPCA-15 de setembro.

Ainda em Transportes, os preços das passagens aéreas subiram 28,76% em setembro, após a queda de 10,90% observada em agosto. No ônibus intermunicipal (0,40%), a variação positiva decorre especialmente das altas em Salvador (3,23%), onde houve reajuste de 10,67% nas tarifas de embarque no dia 28 de julho, e Fortaleza (2,15%), onde os preços das passagens foram reajustados entre 11,00% e 13,00% a partir de 3 de setembro. Outros destaques foram o aluguel de veículo (4,63%) e o transporte por aplicativo (4,00%), que já haviam subido no mês anterior (9,53% e 9,12%, respectivamente).

O resultado do grupo Alimentação e bebidas (1,27%) foi influenciado principalmente pela alimentação no domicílio, que acelerou de 1,29% em agosto para 1,51% em setembro. Os preços das carnes subiram 1,10% e contribuíram com 0,03 p.p. de impacto. Além disso, houve altas também nos preços da batata-inglesa (10,41%), do café moído (7,80%), do frango em pedaços (4,70%), das frutas (2,81%) e do leite longa vida (2,01%).

No grupo Habitação (1,55%), a maior contribuição (0,17 p.p.) veio mais uma vez da energia elétrica (3,61%), embora a variação tenha sido inferior à de agosto (5,00%). No mês passado, vigorou a bandeira vermelha patamar 2, com acréscimo de R$ 9,492 a cada 100 kWh consumidos. A partir de 1º de setembro, passou a valer a bandeira tarifária de Escassez Hídrica, que acrescenta R$ 14,20 para os mesmos 100 kWh. Além disso, houve reajuste de 8,92% nas tarifas em Belém (10,24%), vigente desde 7 de agosto.

Em relação aos índices regionais, todas as áreas pesquisadas apresentaram alta em setembro. O menor resultado ocorreu em Fortaleza (0,68%), enquanto a maior variação foi registrada em Curitiba (1,58%), onde pesaram as altas da gasolina (5,90%) e da energia elétrica (4,92%).

Para o cálculo do IPCA-15, os preços foram coletados entre 14 de agosto e 14 de setembro de 2021 (referência) e comparados com aqueles vigentes de 14 de julho a 13 de agosto de 2021 (base). O indicador refere-se às famílias com rendimento de um a 40 salários mínimos e abrange as regiões metropolitanas do Rio de Janeiro, Porto Alegre, Belo Horizonte, Recife, São Paulo, Belém, Fortaleza, Salvador e Curitiba, além de Brasília e do município de Goiânia.

O IPCA-15 é uma prévia do IPCA, calculado com base em uma cesta de consumo típica das famílias com rendimento entre um e 40 salários mínimos, abrangendo nove regiões metropolitanas, além de Brasília e do município de Goiânia. A diferença em relação ao IPCA está no período de coleta e na abrangência geográfica.

Com informações do Valor e do IBGE