É possível divergir sem violência política, diz Manuela em entrevista

"É preciso ter um espaço de diálogo", diz Manuela

Foto: Danilo Christidis

A candidata do PCdoB à Prefeitura de Porto Alegre, Manuela d’Ávila, concedeu entrevista  nesta terça-feira (20) ao site Gaúcha ZH na qual falou sobre suas propostas, sua visão da cidade e sobre a construção de diálogo e convergência política num contexto de grande divisão ideológica.

Questionada sobre a motivação de ser prefeita, Manuela destacou: “Nunca me conformei com as desigualdades sociais, com o fato de minha filha e eu termos acesso àquilo que é básico, mas que em nosso país ainda é um privilégio. Para mim, ser prefeita é lutar, todos os dias do mandato, para reduzir as desigualdades e permitir que as pessoas tenham acesso àquilo que tive e que luto para que minha filha tenha”. A candidata disse ainda acreditar que este “é o momento de eu tentar fazer com que tudo que aprendi como vereadora, deputada federal e deputada estadual seja aproveitado para tentar melhorar a vida das pessoas que vivem na cidade em que eu nasci, onde decidi construir minha família e viver”.

Como primeiras medidas para dar conta do enfrentamento dessas desigualdades, Manuela elencou ações como as negociações próprias para a aquisição da vacina contra o coronavírus; a pactuação com a rede municipal de ensino em busca da recuperação do ano letivo, considerando que o ano de 2021 ainda deverá ter ensino híbrido; a elaboração de um programa de trabalho e renda com foco no tema do microcrédito e a elaboração de um plano emergencial de assistência social — que Manuela tem chamado de Fome Zero Municipal. “Acho muito difícil que a gente aceite, com tanta naturalidade, a volta de crianças na sinaleira e de mulheres e homens sem terem com o que se alimentar”, argumentou.

No que diz respeito à construção de alianças e apoios para garantir a governabilidade de um futuro governo, Manuela destacou que “os apoios estão sempre relacionados à conjuntura política, ou seja, o que uma determinada realidade apresenta de desafio. Tenho convicção de que é possível construir um governo com esses apoios”.

Lembrando sua experiência como vereadora, Manuela apontou que “a Câmara Municipal é um espaço aberto ao diálogo e sei também que ela é tão mais aberta ao diálogo quanto mais legitimidade política os projetos têm. Na minha visão de governo, a pactuação, a ideia de um comitê de crise, a ideia da participação popular no orçamento participativo, na retomada dos conselhos, também faz com que aquilo que a Prefeitura propõe seja mais próximo daquilo que a cidade deseja e, portanto, mais próximo de ser aprovado pelos parlamentares”. Para Manuela, “mesmo temas que poderiam gerar atritos, quando são construídos, pactuados ouvindo a sociedade, na minha interpretação acabam sendo facilitadores para o governo construir maioria políticas”.

Outro componente apontado por Manuela são as características do momento atual. “Temos de ter a real dimensão da crise que atravessamos: uma crise econômica, sanitária, ambiental, de transformação do mundo do trabalho”, portanto, diz, “é preciso ter um espaço de diálogo com a sociedade e o Poder Legislativo para a gente construir esse caminho diferente para a cidade, um caminho que consiga dar conta de desafios tão grandiosos. Tenho certeza de que, com a participação social e o diálogo permanente com o Legislativo e com a sociedade, temos como construir esses consensos e avançar”.

Quando abordada sobre a adesão de outras forças políticas distintas do campo de esquerda, Manuela explicou: “Temos um programa que é bastante nítido e que tem como foco o combate à desigualdade social, a reconstrução de um ciclo de desenvolvimento na economia e a garantia de que o nosso povo seja escutado para que tenhamos serviços públicos de maior qualidade. Aqueles e aquelas que se somarem ao nosso programa — e para mim é assim que se constrói a luta política, a partir de ideias — serão nossos aliados”.

A candidata também ressaltou que existe “uma espécie de divisor de águas” para a composição de alianças, que é “o compromisso irremediável com a democracia, com a ideia de que o Brasil é um país em que a diversidade de opiniões é importante. E digo isso do ponto de vista de querer que essas pessoas que defendem a democracia sejam as que caminhem comigo e também para manifestar o meu respeito e compromisso de diálogo com aqueles que não compuserem o nosso governo.

Manuela destacou ainda que quer “dar o exemplo à nossa cidade, ao nosso país, de que é possível divergir sem transformar a divergência na violência política da qual eu sou alvo. Eu quero mudar a forma como me tratam, com violência política, com desrespeito às ideias que eu defendo, aspectos que não serão reproduzidos pela nossa administração”.

Por Priscila Lobregatte   

 

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