Diretor do Deutsche Bank alega “incertezas” para demitir 18 mil

James von Moltke, diretor financeiro (CFO) do principal banco alemão, o Deutsche Bank, logo após o anúncio da demissão de 18 mil funcionários, como parte de cortes no valor de €7.4 bilhões (US$ 8,3 bilhões), prometeu que o banco – que apresentou perdas de 5,4% em 2018 – poderia zerar as perdas em 2020 ou até apresentar lucros, mas confessou que, quanto a isso “há uma significativa incerteza na previsão”.

Depois de não ter conseguido esconder a grave situação do banco, seguiu com o jogo de palavras típico dos especuladores vinculados a Wall Street mas, na tentativa de apresentar um quadro de otimismo e seriedade, acabou apontando para uma previsão de crise generalizada:  “Estamos reorientando o banco para longe dos negócios voláteis em direção a negócios muito estáveis e muito previsíveis”.

Quanto aos cortes, que incluíram redução nos dividendos anunciados aos acionistas pelo chefe executivo, Christian Sewing, receberam dos diretores nomes mais agradáveis como “reestruturação” e até “reinvenção”.

No geral, já há um afastamento pronunciado de boa parte dos fundos que jogam na bolsa dos papéis artificialmente “alavancados”, cuja multiplicação sucessiva de valor, sem base em lastro produtivo, levou à crise das hipotecas (2007-2009) quando se descobriu que toda a montanha de derivativos se baseava em empréstimos calcados em fictícias hipotecas de hipotecas sem qualquer condição de pagamento por parte de grande parte dos tomadores dos mesmos empréstimos.

Durante a crise das hipotecas, a debandada dos “junk papers” (papéis-lixo) gerou a quebra de um dos principais agentes da especulação, o Lehman Brothers, assim como de dezenas de pequenos e médios bancos por todo o EUA. Demais grandes bancos, inclusive o Deutsche Bank, só não foram de roldão devido a uma maciça dinheirama dos governos dos Estados Unidos, Inglaterra e Alemanha em direção aos seus cofres para tirar os bancos e monopólios “too big to fail” (grandes demais para falir) dos apuros. Nas ruas os manifestantes, os despejados em meio à rebordosa e até alguns dos acionistas ludibriados pelo esquema de Wall Street os apelidaram de “too big to jail” (grandes demais para serem presos).

Tais papéis chamados de “voláteis” aportam lucros aos que jogam com eles exatamente devido ao sobe e desce dos valores a eles atribuídos. O ganho advém da previsão do momento de comprar na baixa e vender na alta do mesmo papel. Acontece que a velocidade da variação tem tornado esse tipo de acompanhamento cada vez mais difícil, gerando perdas até mesmo dos megaespeculadores, como está acontecendo com o banco alemão, mesmo contado com dezenas de milhares de “especialistas” voltados para as operações e que costumam pulular em Wall Street, todos pagos para ficar com os rostos voltados para as telinhas que exibem as variações sem tempo para piscar.

Tanto assim que outo jogador de Wall Street, o JP Morgan acaba de emitir relatório afirmando que a fuga deste – chamado no linguajar do setor de “investimento ativo” – está cada vez mais acentuada, gerando uma previsão de crise, pois a bolsa de Nova Iorque e as demais devem enfrentar “uma crise de liquidez” ou em linguagem popular: escassez de dinheiro.

O informe do Morgan não usa meias palavras: “O principal atributo da nova crise será a severa perturbação em termos de liquidez resultando destes desenvolvimentos do mercado desde a última crise”.

Em entrevista ao portal Russia Today, Jim Rogers, ex-sócio do conhecido especulador George Soros, também relacionou o balançar em corda bamba do Deutsche Bank a um grave prenúncio de crise: “Quando instituições tradicionalmente estáveis como o Deutsche Bank se veem em apuros, é sinal que o sistema financeiro mundial está prestes a enfrentar grandes problemas ladeira abaixo”.

“O sistema financeiro está em sérias dificuldades”, prossegue Rogers, “e este é apenas um sinal do que está acontecendo. Foi isto que ocorreu nos problemas financeiros dos anos 1930, 1960 e 1990”.

“Isto levou a que um banco estável e sólido começasse a fazer empréstimos especulativos e, então, aquilo que considerávamos bancos fortes, entram em apuros”, finalizou.