Despedida de Renato Rabelo é marcada por lembranças e homenagens
Familiares, militantes e dirigentes se despediram nesta segunda-feira (16) de um dos principais quadros da história centenária do PCdoB, Renato Rabelo, morto no domingo (15), aos 83 anos. Pela manhã, o corpo de Renato foi velado em cerimônia pública no Palácio do Trabalhador, sede do Sindicato dos Metalúrgicos de São Paulo, na Liberdade.
“Não gostaria de começar essa fala tratando de pesar. Quero falar sobre orgulho e gratidão”, afirmou a presidenta licenciada do PCdoB, Luciana Santos, que, em 2015, substituiu Renato no cargo. “Renato Rabelo é e seguirá sendo um dos mais importantes dirigentes da história do Partido Comunista do Brasil”.
Luciana lembrou que a trajetória de Renato se estendeu por mais de 60 anos, desde sua iniciação política no movimento estudantil. Segundo ela, é preciso valorizar igualmente o papel da esposa, Conceição Leiro Vilan, a Conchita, sua companheira de vida desde a década de 1960. “Minha homenagem especial a você, Conchita, que, lado a lado com Renato, vivenciou todos esses momentos.”
Muito emocionada, Luciana citou a mensagem de pesar do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. “A democracia brasileira perdeu hoje um de seus maiores nomes, o meu querido companheiro Renato Rabelo”, destacou Lula. Para Luciana, os pontos altos da mensagem do presidente foram os elogios a Renato pela “visão estratégica” e pela “capacidade de reunir forças políticas em prol da soberania e justiça social”.
De acordo com a presidenta do PCdoB – que também é ministra da Ciência, Tecnologia e Inovação –, Renato foi “a expressão da serenidade ativa”, unindo “firmeza com gentileza, reflexão estratégica sem hesitação, esperança construída com disciplina e método”. Para Luciana, “seu legado não se encerra com sua partida. Ele vive nas ideias que ajudou a formular, nas organizações que ajudou a fortalecer e nas gerações que ajudou a formar”.
“Apontando caminhos”
Além de Luciana, discursaram o ex-ministro José Dirceu; o secretário nacional de Juventude do PCdoB, Gustavo Petta; o dirigente nacional do Partido Aldo Arantes; a deputada federal Jandira Feghali (PCdoB-RJ); o presidente da Fundação Maurício Grabois, Walter Sorrentino; e o vice-presidente do PCdoB, Carlos Lopes.
Dirceu – que conheceu Renato no movimento estudantil – discursou em nome do Partido dos Trabalhadores. “Trago aqui o abraço do presidente Lula e de todo o PT”, afirmou o ex-ministro. “Renato, ao lado do (ex-presidente do PCdoB) João Amazonas, foi decisivo na construção da Frente Brasil Popular em 1989 e nas eleições de Lula.” Segundo ele, nos “momentos críticos” – como a crise do mensalão e a Lava Jato –, Renato esteve “sereno, firme, apontando caminhos”.
Companheiro de luta de Renato desde a década de 1960, quando militavam na Ação Popular (AP), Aldo Arantes destacou o papel de Renato na reação à crise do socialismo. “Diversos partidos passaram a renegar o marxismo-leninismo. Mas o PCdoB – tendo João Amazonas no comando e Renato com participação destacada – reafirmaram o socialismo.” Para ele, o dirigente deixou marca na “preocupação em desenvolver a teoria marxista” e em superar “concepções dogmáticas”, aliando visão estratégica a flexibilidade tática.
Gustavo Petta ressaltou o vínculo de Renato com as novas gerações, enfatizando sua atuação na criação da UJS (União da Juventude Socialista), em 1983. “Renato compreendeu como poucos o papel dos jovens na revolução”, afirmou, citando uma frase recorrente do dirigente: “A juventude é sempre lutadora, é sempre abnegada. Ela vai adiante”.
Jandira destacou as contribuições de Renato à atuação parlamentar comunista. “Devemos muito à orientação do Renato, que fez com que nossa bancada fosse vista pela sociedade como forte, combativa e guerreira”, declarou. Em seguida, dirigiu-se carinhosamente à viúva: “Conchita, você merece todo nosso amor. Sem a família, ele (Renato) não teria tamanha resistência e capacidade.”
“Mais estrelas”
Sorrentino definiu a trajetória do dirigente como um “mosaico” de contribuições e sublinhou o Novo Programa Nacional de Desenvolvimento, pilar do Programa Socialista aprovado no 12º Congresso do Partido, em 2009. “Sua memória será maior que sua morte”, afirmou.
Carlos Lopes lembrou o papel de Renato “na integração de quadros do MR-8 e do PPL ao Partido”. Segundo o dirigente do PCdoB, “ele deixou o ambiente extremamente propício para que continuássemos a luta.” E resumiu a despedida numa imagem: “Quanto mais escura é a noite, mais virão estrelas”.
Uma segunda cerimônia em homenagem a Renato foi realizada no Crematório da Vila Alpina, onde o corpo do ex-presidente do PCdoB foi levado após o velório. Em homenagem a Renato, o músico João Vitor Romano executou, com violino, o hino universal do movimento comunista, A Internacional, e a Ode à Alegria, o último movimento da Nona Sinfonia de Beethoven, que era a canção preferida de Renato.
Já seus filhos, André e Nina, agradeceram ao Partido pela solidariedade e pelas palavras de conforto. “O PCdoB foi, sem dúvida, sua segunda família”, afirmou Nina. A atriz Ana Petta, que representou o PCdoB nessa segunda solenidade, resumiu: “É difícil terminar essa despedida, porque faltam palavras e sobram emoções. Resta, para simbolizar esse momento de tristeza profunda, uma reverência muito sentida a tudo o que você (Renato) representou.”.




