Deputadas criticam Moro por consultoria a empresas investigadas

Primeiro quebra empresas brasileiras, depois ganha dinheiro para atuar na recuperação delas, disse Jandira

As deputadas Perpétua Almeida (PCdoB-AC) e Jandira Feghali (PCdoB-RJ) criticaram nesta segunda-feira (30) a decisão do ex-ministro da Justiça de Bolsonaro e ex-juiz responsável pela Operação Lava Jato, Sergio Moro, de assumir cargo na diretoria da consultora norte-americana Alvarez & Marsal, que atua em processos de recuperação judicial de empresas. Entre elas, Odebrecht e OAS, ambas investigadas pela Lava Jato de Moro.

Para Jandira há conflito de interesses no novo cargo do ex-juiz, uma vez que ele atuará na recuperação de empresas que ajudou a quebrar.

“E Moro virou sócio de empresa americana que atua na recuperação judicial de empresas brasileiras quebradas pela Lava Jato. Primeiro você quebra diversas empresas brasileiras, depois você ganha dinheiro para atuar na recuperação delas. A cara nem arde”, afirmou a parlamentar em suas redes sociais.

Ao comentar algumas ações do ex-juiz durante a condução da Lava Jato, como a prisão do ex-presidente Lula para impedir sua participação nas eleições de 2018 e a quebra da Odebrecht, a líder do PCdoB, Perpétua Almeida (AC), afirmou que é, no mínimo, imoral Moro assumir a área de disputas e investigações da consultoria.

Segundo ela, o novo cargo de Moro explicita que o combate à corrupção nunca foi sua prioridade. “Ficam cada vez mais claras as intenções do ex-juiz. Moro nunca atuou para combater a corrupção. Ele usou a Lava Jato e isso vai ficando mais evidente a cada momento. Prendeu Lula para que ele não pudesse concorrer às eleições de 2018. Favoreceu o bolsonarismo e virou ministro deste governo sujo, envolvido com milícias, propagação do ódio, negacionismo e rachadinhas. Agora, assume cargo para recuperar empresas que ajudou a quebrar. É, no mínimo, imoral”, destacou.

Moro foi anunciado neste domingo (29) como novo diretor da empresa. Nesta segunda, Moro afirmou em sua conta no Twitter ajudará “as empresas a fazer coisa certa, com políticas de integridade e anticorrupção. Não é advocacia, nem atuarei em casos de potencial conflito de interesses”.

No anúncio divulgado em seu site, a empresa afirma que o ex-juiz vai comandar a área de disputas e investigações a partir de dezembro. O objetivo, segundo o comunicado, é que Moro possa “desenvolver soluções para disputas complexas, investigações e questões de compliance” para os clientes da empresa, com base em sua experiência governamental.

 

Por Christiane Peres

 

(PL)