Declaração do Encontro sobre questão Internacional do PCdoB

Edição da foto: Wellighton Pereira

A direção nacional do PCdoB promoveu nos dias 3 e 4 de maio o Encontro Nacional sobre Política e Relações Internacionais, acompanhado por uma centena de participantes do Comitê Central, colaboradores e quadros partidários de 12 Estados da Federação mais o Distrito Federal.
Sob a direção do Secretário Nacional da área, Walter Sorrentino, o Encontro promoveu a análise atualizada da situação internacional e um programa de trabalho renovado. O Encontro aprovou uma Declaração que expressa o internacionalismo comprometido do trabalho dos comunistas.

Segue abaixo:

Declaração do Encontro Nacional Sobre Política e Relações Internacionais do PCdoB

O internacionalismo e a solidariedade aos povos em luta são marcas incontestes da ação das e dos comunistas em todo o mundo.

Historicamente, temos sido guardiões das bandeiras da Paz, da Soberania, da Democracia, e da Justiça Social. As derrotas impostas ao fascismo e às mais sangrentas ditaduras estão invariavelmente associadas às lutas por autodeterminação e por liberdade, das quais somos partícipes, herdeiros e herdeiras.

As lutas internacionais são parte inseparável da luta mais ampla por um novo Projeto Nacional de Desenvolvimento soberano, democrático e popular para o Brasil. O lugar do Brasil no mundo deve ser o de promotor de relações externas baseadas na sua tradição de diálogo, tolerância, mediação e não intervenção. Diferente do que se vê hoje, a partir de setores do governo Bolsonaro que levantam a hipótese de uma aventura militaresca contra o povo irmão da Venezuela.

A construção de uma integração latino-americana, em relação à qual houve avanços nas duas primeiras décadas do século XXI, hoje está sob ataque e ameaça. Ressurgem o autoritarismo e as forças pró-fascistas em nossa América do Sul, do qual o Brasil é um lamentável exemplo. Ao atacarem mecanismos de integração como o Mercosul, destruírem a Unasul e congelarem a Celac, os governos neoliberais subservientes aos EUA trazem de volta as sombras das décadas perdidas dos anos 1980 e 1990 do século XX.

Há uma ofensiva em curso por parte do imperialismo estadunidense que, ao reeditar a Doutrina Monroe, busca dividir nossos povos e impor um ambiente de guerra e terror na América do Sul. O exemplo mais claro é o da guerra multidimensional imposta à Venezuela, país que detém a maior reserva de petróleo do mundo, 20% do total. A luta pela soberania e autodeterminação do povo venezuelano se transformou na principal campanha de solidariedade internacional da região. Denunciar as sanções econômicas que vitimam principalmente civis venezuelanos e as ameaças de intervenção militar está na ordem do dia para os defensores da paz e da democracia.

O imperialismo volta a atacar Cuba, país que bravamente resiste por seis décadas a um bloqueio econômico e que acaba de sofrer mais uma agressão. Com a recente ativação do título três da lei Helms-Burton, o governo dos EUA estimula infindáveis processos de judicialização de propriedades cubanas nos tribunais americanos e o consequente afastamento de investidores, aprofundando as dificuldades econômicas já existentes na ilha. Seguimos absolutamente empenhados na defesa de Cuba e seu povo.

Em um cenário mundial de aberta guerra comercial e cerco dos EUA contra a China, face aparente de uma mais profunda e contínua disputa pela hegemonia mundial; de enfrentamento militar e por posições entre EUA e Rússia; de crescente pressão no Oriente Médio e mundo Árabe em torno dos temas do petróleo e disputa geopolítica com o Ocidente; de permanentes ataques ao povo palestino; de crescimento da ultradireita e da xenofobia na Europa e no mundo; de ameaças ambientais e climáticas; de investidas contra a paz e a integração dos povos latino-americanos; reforçamos o nosso internacionalismo e o chamado à solidariedade internacional.

A expressão mais concentrada, ampla e radical do internacionalismo hoje é a luta pela paz. Junto a ela estão as lutas contra o aviltamento da soberania nacional, em defesa da democracia, da autodeterminação das nações e o extermínio dos direitos dos trabalhadores. Igualmente é urgente a defesa das liberdades democráticas, da vida humana e do meio ambiente, dos direitos sociais, humanos e civis conquistados, dos valores civilizatórios contra a barbárie, em prol de outro destino solidário, livre, fraterno e de prosperidade comum aos seres humanos.

Essa é uma mensagem de resistência e esperança a todas e todos, lutadoras e lutadores, militantes políticos e dos movimentos sociais, integrantes das forças progressistas e de esquerda do Brasil e do mundo. Com um especial chamado às e aos comunistas para que integrem as lutas internacionalistas.

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