Cuba estuda e trata sequelas persistentes da covid em 700 mil paciente

Reunião de cientistas com o presidente Miguel Díaz-Canel sobre os tratamentos para pacientes que receberam alta da covid. Foto: Estúdio Revolução

Quase um milhão de cubanos sofreram um caso de covid-19 e, devido aos efeitos colaterais da doença nos mais idosos, sua recuperação é acompanhada com atenção pelo sistema de saúde.

Quase um milhão de cubanos sofreram um caso de covid-19 com efeitos colaterais da doença. O Ministério da Saúde do país trata as sequelas dos pacientes de mais idade, melhorando sua qualidade de vida, assim como observa efeitos do confinamento prolongado em idosos que não ficaram doentes.

Entre os sintomas mais frequentes relatados pelos convalescentes estavam cansaço intenso e cansaço durante a caminhada e nas atividades diárias, falta de ar, ansiedade, dores nas articulações (dorsais, lombares, ombros, joelhos), insônia e distúrbios do sono, depressão, alterações na voz e dificuldade de deglutição.

Estes sintomas foram notificados por um estudo sobre a reabilitação integral de pacientes com sequelas pós-covid-19, realizado no Hospital Clínico Cirúrgico 10 de Octubre, foi foco de atenção durante uma reunião, realizada na última semana de novembro, de cientistas cubanos com o presidente da República, Miguel Díaz-Canel Bermúdez.

O médico Yulmis Rodríguez Borges apresentou achados parciais do estudo, que incluiu pacientes que tiveram alta hospitalar há pelo menos duas semanas, após teste negativo para o vírus, que apresentaram incapacidade moderada em decorrência de sintomas associados à doença, entre outros critérios de inclusão.

Mais de 70% eram indivíduos entre 50 e 59 anos de idade ou 60 anos e mais, refletindo a vulnerabilidade desses setores da população, muito tempo após serem infectados.

Os resultados mostraram que 90% experimentaram exaustão severa e fadiga durante a caminhada e atividades diárias; 70% falta de ar; e 65% de ansiedade. O radiologista relatou que 81,7% apresentavam opacidade em vidro fosco (comprometimento do pulm˜ao) e 71,7% apresentavam radiografias indicando tratos fibróticos nos pulmões. Cem por cento experimentaram um declínio nos indicadores de qualidade de vida relacionados à saúde.

Rodriguez relatou que, após a intervenção do protocolo, a capacidade funcional para atividades diárias e caminhada melhorou na maioria dos pacientes; a falta de ar diminuiu em 100% e os indicadores de qualidade de vida relacionados à saúde aumentaram em sete das oito categorias.

Ele enfatizou que os achados validam a necessidade de continuar dando seguimento a esses pacientes e avaliar sua evolução em todas as áreas identificadas, nos próximos meses, dado o potencial impacto do estudo, o presidente perguntou sobre os esforços para divulgar os resultados.

O Dr. Leovy Edrey Semino García, diretor de Reabilitação do Ministério da Saúde, explicou que este é um exemplo do que está sendo feito em todo o país para tratar as sequelas persistentes da covid-19. Está em andamento um trabalho para melhorar a assistência prestada a esses pacientes, tornando-a mais abrangente, reavaliando programas, que vão além da reabilitação física. “Também estão investigando os principais sintomas incapacitantes e os primeiros sinais de problemas”, acrescentou, “a fim de oferecer um atendimento mais oportuno a esses pacientes, quase um milhão de homens, mulheres e crianças cubanos”.

“Enquanto estamos avaliando convalescentes com diferentes efeitos posteriores, de leves a graves”, continuou o Dr. Semino, “também estamos realizando outros estudos, incluindo aqueles de pessoas que não foram infectadas, mas sofreram os efeitos do confinamento prolongado, especialmente idosos adultos”.

O presidente insistiu na importância de atingir todos os convalescentes com as sequelas. “Este trabalho exige uma abordagem multidimensional”, disse, “e deve incluir a articulação com o Instituto de Desporto, Recreação e Educação Física (Inder) para proporcionar aos doentes uma atenção diferenciada nas áreas da cultura física e desporto, promovendo programas de exercício diferenciados para idosos e outros”.

Do Granma, por Cezar Xavier