CPI da Covid: Deputados do PCdoB defendem urgência nas investigações

Foto: Fernando Crispim/Amazonia Real/Fotos Públicas

Mais de 374 mil vidas já foram interrompidas no Brasil pela Covid-19. Os últimos dados dos óbitos causados pela doença divulgados pelo Conselho Nacional dos Secretários de Saúde (Conass) nesta segunda-feira (19), reforçam as discussões sobre a necessidade de investigação das ações do governo federal no combate à pandemia no Brasil. Diante deste cenário, deputados do PCdoB reforçaram a cobrança pela instalação da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Covid no Senado e apontaram a necessidade de a Câmara também avançar neste debate.

“A CPI da Covid começa a trabalhar na quinta-feira (27) no Senado. A Câmara também deveria ter comissão para cumprir seu papel. É urgente investigarmos se houve erros na gestão da tragédia que já ceifou mais de 370 mil vidas. O colegiado pode indicar ainda estratégias para reduzir mortes”, apontou o líder da bancada do PCdoB, deputado federal Renildo Calheiros (PE).

Na Câmara, no entanto, a instalação da CPI ainda está aguardando a reunião das assinaturas necessárias, ou seja, ao menos 171 deputados favoráveis. Parlamentares da oposição estão intensificando as articulações para conseguir o número necessário e pressionar pela abertura das investigações na Casa também.

Enquanto isso, no Senado…

Desde que o Senado foi obrigado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) a instalar o colegiado, o governo Bolsonaro vem tentando travar o andamento da CPI. Havia a expectativa de que a CPI fosse instalada já nesta quinta-feira (22), mas após pressão dos aliados bolsonaristas, a instalação do colegiado ficou para a próxima semana, no dia 27 de abril.

A CPI da Covid foi criada para investigar ações e omissões do Executivo na pandemia e para fiscalizar a aplicação de recursos federais por estados e municípios. O plano de trabalho do colegiado já começou a ser elaborado e prevê ouvir autoridades do governo federal na condição de testemunhas.

Para o vice-líder da bancada, deputado federal Orlando Silva (PCdoB-SP), as definições de presidência e relatoria da CPI no Senado devem estar “tirando o sono” do presidente da República, Jair Bolsonaro. A maior parte dos integrantes da CPI já fechou acordo para que a presidência fique com Omar Aziz (PSD-AM), a vice-presidência com Randolfe Rodrigues (Rede-AP), que é um dos autores do pedido de criação da comissão. Pelo entendimento, Renan Calheiros (MDB-AL) será designado relator.

Em uma série de tuítes, Silva explicou as razões de Bolsonaro estar “à beira de um ataque de nervos”, caso essa composição seja confirmada. Para ele, “há um verdadeiro campo minado no caminho do governo”.

“Há a negação das 70 milhões de doses da vacina Pfizer, sabotagem ao isolamento, desmando, boicote contra medidas locais. Tudo a corroborar que o governo agiu para ampliar o contágio em busca da tal imunidade de rebanho. Os gastos com cloroquina são fichinha diante do mais grave: o Ministério da Saúde inventou um protocolo que constrangia estados e municípios a adotarem medicamentos sem eficácia na cura, mas com efeitos colaterais sabidos e catalogados. É inescapável: pessoas morreram por isso”, pontuou Silva.

O parlamentar lembrou ainda da omissão diante do apagão de oxigênio em Manaus. “Há documentos que comprovam que o governo foi informado e não agiu para impedir a tragédia. Parte dos responsáveis pelo morticínio continua aboletada em cargos no Ministério. Não será difícil achar a ponta do comando. Aliás, basta Pazuello confirmar em depoimento o que disse ao mundo: “um manda, o outro obedece”. Simples e criminoso assim, como atestam 374 mil mortos”, completou o parlamentar.

Além do caso do oxigênio, agora, o sistema de saúde vive o colapso relacionado aos kits para intubação dos pacientes graves de Covid-19. Muitos estados já não têm mais medicamentos e o governo mantém sua postura omissa.

Para a deputada federal Professora Marcivânia (PCdoB-AP), a CPI da Covid é um primeiro passo para a responsabilização da inação e insensibilidade que marcam o enfrentamento da pandemia pelo governo atual. “Muitas mortes e muito sofrimento poderiam ter sido evitados e o país já poderia estar começando um processo de recuperação da economia”, disse.

 

Por Christiane Peres

(PL)