Correios privatizados são ineficientes e caros, revela estudo

As principais queixas dos ingleses em relação aos correios privatizados se referem ao extravio de encomendas e cartas, além de atrasos e danos nos pacotes - reprodução

Na mira dos privatistas, com redobrada gana com base no apoio do governo Bolsonaro, os Correios servem como referência de empresa pública em todo mundo. Nos poucos casos onde não são estatais, os prazos de entrega pioraram visivelmente, assim como os valores foram alavancados, em nada justificando o retrocesso proposto por Paulo Guedes.

Pelo menos para os usuários, ainda mais de um país continental de 5.570 municípios. No Brasil, mesmo o governo tendo transferido o filé dos serviços para empresas transnacionais como a Fedex (Federal Express, uma das gigantes do transporte aéreo mundial), somados os lucros dos últimos dois anos alcançam R$ 828,3 milhões.

Entre os poucos exemplos em que os serviços postais caíram em mãos privadas, parcialmente em 2000 e completamente em 2005, a Alemanha aumentou de maneira absurda – conforme o jornal Die Welt, 400% até para o usuário comum em janeiro – e demitiu em massa: 38 mil carteiros perderam seus empregos.

Na Argentina, em meio ao tsunami de acusações de corrupção, os Correios foram repassados para empresários da família presidencial, o Grupo Macri, liderado pelo pai do atual presidente, em uma concessão de 30 anos. Os preços dispararam de tal forma sem que o Grupo pagasse sequer a taxa anual de concessão que o Estado acabou cancelando o contrato e reassumindo o controle da entrega de cartas.

Iniciada em 2013 e terminada em 2015, a privatização do Royal Mail do Reino Unido custou aos usuários o desembolso de 60% a mais do que nos correios dos Estados Unidos, que são estatais. As principais queixas dos ingleses em relação aos correios privatizados se referem ao extravio de encomendas e cartas, além de atrasos e danos nos pacotes. O facão atingiu 11 mil trabalhadores.

Privatizada em 2014, a CTT (Correios, Telégrafos e Telefones) de Portugal passou por uma “reestruturação” que deixou mais de 10% dos municípios do país sem nenhuma agência, fazendo com que movimentos pela renacionalização ganhasse força e tenha sido incluído entre as reivindicações na pauta legislativa.

Até mesmo nos EUA, os Correios – responsáveis por 47% de todo o volume postal do mundo – se mantêm enquanto patrimônio público. Recentemente, o Washington Post publicou um artigo afirmando que o plano de Trump de privatizar a instituição visa seu fim. “Os Correios estão na vida norte-americana desde 1775, quando o Segundo Congresso Continental nomeou Benjamin Franklin como o primeiro carteiro geral. Atualmente, o serviço postal dos EUA é a agência governamental mais popular do país, com uma taxa de aprovação de quase 90%. Mas, agora, o presidente Trump está aparentemente empenhado em destruí-lo”, condena o texto.