Como a crise econômica prejudica as negociações salariais

As negociações de outubro apresentaram o pior resultado entre as datas-bases de 2021 analisadas pelo Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos). De acordo com o levantamento, cerca de 65% dos reajustes ficaram abaixo da inflação medida pelo INPC-IBGE (Índice Nacional de Preços ao Consumidor, do IBGE).

As correções em percentual igual à inflação, sempre considerando o INPC, totalizaram cerca de 21% dos casos. Já os resultados com valores acima do índice são 14%. O resultado de outubro é, até o momento, pior do que o observado no mesmo mês em 2020. No entanto, conforme novas negociações da data-base forem concluídas, o resultado poderá ser alterado.

No ano, o percentual de reajustes abaixo da inflação segue muito próximo de 50%. Resultados iguais ao índice inflacionário são observados em praticamente 1/3 do total analisado; e acima, em quase 17% dos casos.

O parcelamento dos reajustes em duas ou mais vezes cresceu significativamente em 2021. No ano, considerando o painel de 12.334 reajustes analisados, 10,5% foram pagos de forma parcelada.

Em 2018, 2019 e 2020, o parcelamento ficou abaixo dos 3% do total de cada ano. O fenômeno pode estar associado ao crescimento da inflação que vem repercutindo negativamente sobre a negociação coletiva.

A inflação segue nas alturas. Segundo o INPC-IBGE, os preços tiveram aumento médio de 1,16% em outubro e acumulam alta de 11,08% em 12 meses. O percentual equivale ao reajuste necessário para a recomposição salarial das negociações com data-base em novembro.

Com informações do Dieese