Colômbia nas ruas repudia arrocho e exige justiça para jovem executado

Multidão em Bogotá recordou o estudante Lucas Vásquez, morto por milícia durante manifestação

(Reprodução)

Centenas de milhares de colombianos voltaram às ruas nesta quarta-feira (13) para cobrar o fim das políticas de arrocho neoliberal do presidente Iván Duque e exigir justiça para Lucas Villa Vásquez, jovem executado com oito tiros por infiltrados do governo durante um protesto em Pereira, semana passada, no interior do país.

Entre as reivindicações apresentadas pela Comissão Nacional de Desemprego está uma renda básica de um salário mínimo para os atingidos pela pandemia; a defesa da produção nacional (agrícola, industrial, artesanal e camponesa) e incentivos para as pequenas e médias empresas.

“Estão nos matando”, declarou Villa, horas antes de ser abatido enquanto participava da jornada nacional que transcorria pacificamente no dia 5 de maio. Após passar uma semana agonizando, sua morte foi confirmada.

A Corte Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) defendeu a necessidade de “investigar com a devida diligência” o assassinato do estudante da Universidade Tecnológica de Pereira, “sancionar a quem seja responsável” e “proteger” os manifestantes das ações da Polícia, do Exército e do Esquadrão Móvil Antidistúrbio (Esmad).

Longe de atemorizar a população, os cerca de 50 mortos e 700 feridos à bala trouxeram ainda mais determinação ao movimento que toma as ruas pelo décimo quinto dia consecutivo, somando 514 atividades de “Basta!” – entre manifestações, atividades artísticas e bloqueios – em 221 municípios, vigiadas por mais de 140 mil policiais.

Em Bogotá se multiplicaram os pontos de protesto e bloqueios, tomando a Praça Bolívar. “Presente, presente, fora o presidente!”, foi uma das palavras de ordem mais cantadas. A fim de que as mobilizações transcorressem sem confronto nesta quarta estiveram presentes o chefe da Comissão da Verdade, Francisco de Roux; representantes de Direitos Humanos da Organização das Nações Unidas (ONU), da Procuradoria Geral da República, da Ouvidoria, e da Missão de Verificação da ONU.

“Nossa paralisação é para exigir do governo nacional que abra negociação sobre o acordo de emergência que apresentamos em junho do ano passado e garantias para os manifestantes”, declarou o presidente da Central Única dos Trabalhadores da Colômbia (CUT), Francisco Maltés.

Nas redes sociais puderam ser vistas fotos e vídeos das mobilizações em todos os recantos do país e de muitas bandeiras “invertidas”, com o vermelho da bandeira tricolor colombiana virado para cima, em sinal de protesto.

Duque insistiu que o desejo governamental é “retornar à normalidade, com a urgência de escutar e atender as causas sociais”.