China divulga novas imagens de Marte da sonda Tianwen-1

Acidentes geográficos marcianos, como pequenas crateras, cumes de montanhas e dunas, são claramente visíveis 

(Divulgação/CNSA)

A Agência Espacial Nacional da China (CNSA) divulgou imagens de alta resolução de Marte capturadas pela sonda Tianwen-1 em órbita do planeta vermelho. Essas imagens incluem duas imagens pancromáticas e uma imagem colorida, disse a CNSA.

Nas imagens, os acidentes geográficos marcianos, como pequenas crateras, cumes de montanhas e dunas, são claramente visíveis. Estima-se que o diâmetro da maior cratera de impacto nas imagens seja de cerca de 620 metros.

A imagem colorida é da região do Pólo Norte do planeta vermelho feita pela câmera de média resolução, disse o CNSA.

As imagens em preto e branco foram obtidas pela câmera de alta resolução de Tianwen-1 a uma distância de 330 a 350 km acima da superfície de Marte, com resolução de cerca de 0,7 metros.

A câmera de alta resolução, a câmera de média resolução, o espectrômetro e outros aparelhos científicos a bordo do orbitador foram ligados sucessivamente para coletar dados.

A câmera de resolução média é capaz de exposição automática e exposição por controle remoto, permitindo mapear imagens de sensoriamento remoto de todo o globo de Marte e fazer o levantamento da topografia do planeta.

O nome da primeira missão interplanetária da China a Marte, “Tianwen” significa “Perguntas ao Céu” e vem de um poema escrito por Qu Yuan (cerca de 340-278 aC), um dos maiores poetas da China antiga.

A sonda irá pesquisar a topografia da área de pouso pré-selecionada e realizar observações meteorológicas ao longo das rotas de vôo para evitar poeira ao pousar em Marte em maio ou junho, disse Bao Weimin, diretor do Comitê de Ciência e Tecnologia da estatal chinesa da área aeroespacial.

O rover chinês irá explorar a região conhecida como Utopia Planitia, de mais de 3.000 quilômetros de diâmetro, onde se acredita que possa haver depósitos de água congelada.

Quase 50 missões a Marte foram lançadas globalmente, mas aproximadamente dois terços falharam, disse Bao, que também é membro do 13º Comitê Nacional da Conferência Consultiva Política do Povo Chinês, o principal órgão consultivo político do país.

Ele acrescentou que, embora a exploração de Marte pela China haja começado tarde, a sonda foi projetada para ser altamente eficiente e inovadora, com o objetivo de completar as operações de órbita, pouso e implementação de um rover em solo marciano, um jipe robótico.

A China lançou Tianwen-1 em 23 de julho de 2020. A espaçonave, que consiste em um orbitador, um módulo de pouso e um rover, entrou na órbita estacionária em torno de Marte após realizar uma manobra orbital em 24 de fevereiro. A descida do rover ao solo marciano é esperada para maio.

Outras duas missões espaciais, uma norte-americana, da Nasa, e outra árabe, a Amal, também foram enviadas a Marte aproveitando a ‘janela de proximidade’ que a cada dois anos reduz a distância entre o planeta vermelho e a Terra. A Nasa já desceu em Marte seu jipe robótico Perseverance, que está em período de ajustes à distância e realizou nesta semana seu primeiro ‘passeio’.

Ao todo, incluindo combustível, a Tianwei-1 pesa cinco toneladas. A missão a Marte evidencia o avanço do programa espacial chinês que tem acumulado façanhas nos últimos anos, como a de ser o primeiro país a pousar uma nave no lado oculto da Lua (em 2019) e a primeira coleta de pedras no satélite da Terra, depois de 44 anos, igualando o feito da União Soviética e dos EUA.

Foto de Marte enviada pela Tianwen-1. Créditos: Divulgação/CNSA

Foto de Marte enviada pela Tianwen-1. Créditos: Divulgação/CNSA

Foto de Marte enviada pela Tianwen-1. Créditos: Divulgação/CNSA

Os planos chineses incluem a colocação de uma estação espacial em órbita da Terra ainda este ano, o envio de taikonautas (versão chinesa de astronautas e cosmonautas) à Lua até 2030 e a criação de uma estação de pesquisa permanente no Pólo Sul do nosso satélite no futuro.

Como disse o presidente Xi Jiping, o programa espacial chinês visa “o uso pacífico do espaço”, com vistas à “construção de uma comunidade de destino da Humanidade” e como parte da “revitalização nacional”.