Casos de Covid-19 dobram em três semanas

Semanas epidemiológicas revelam avanço duplicado do número de contágios entre o início de o final de novembro

Nordeste e Centro-Oeste tiveram as piores taxas, enquanto o Sudeste manteve maior estabilidade de contágios e mortes. Com 3% da população mundial, Brasil tem 11% dos mortos por Covid-19

O Ministério da Saúde apresentou em entrevista coletiva hoje (3) os dados mais recentes sobre a pandemia de Covid-19 e confirmou o crescimento de casos e mortes da doença no país nas últimas semanas. Na semana epidemiológica 45 a quantidade de casos foi de 117,9 mil. Já na semana epidemiológica 48, entre os dias 22 e 28 de novembro, foram registrados 237,4 mil, um acréscimo de pouco mais de 100%. Na comparação com a semana anterior (47), o incremento foi de 17%.

A semana epidemiológica é um indicador usado para medir a evolução de uma pandemia. A semana analisada neste boletim abarcou os dias 22 a 28 de novembro. O Ministério não divulgou o monitoramento em novembro e gestores da pasta atribuíram a ausência do documento a uma tentativa de ataque sofrida no início do mês passado.

O número de casos da Covid-19 desde o início da pandemia atingiu 6.487.084. Entre ontem e hoje, as autoridades de saúde acresceram às estatísticas 50.434 novos diagnósticos positivos. Ontem, o painel do MS marcava 6.436.650 casos acumulados.

A média móvel nos últimos 7 dias foi de 40.421 novos diagnósticos por dia, a maior desde 31 de agosto –quando chegou a 40.526. Isso representa uma variação de +37% em relação aos casos registrados em duas semanas, o que indica tendência de alta nos diagnósticos.

49a semana epidemiológica aponta para um crescimento ainda maior, pois já alcança, na quinta-feira a semana anterior, restando dois dias para terminar.

A curva de casos vinha apresentando uma tendência de queda desde a semana epidemiológica 30, no fim de julho, com alguns aumentos, como em agosto e outubro. Mas a partir da semana 45, no início de novembro, a curva passou a ter uma nova subida dos casos.

Em entrevista coletiva, o secretário de Vigilância em Saúde do Ministério, Arnaldo de Medeiros, disse que ocorreu “recrudescimento de casos”. Ele apontou que a forte alta a partir da semana epidemiológica 45 pode estar relacionada à instabilidade dos dados.

“Por isso que muitas vezes a queda da semana epidemiológica 44 para a 45 e a subida desta para a 45 talvez reflita a demora na estabilização para a notificação dos casos devido à instabilidade do sistema. Mas nos últimos 14 dias tivemos aumento de 21%”, declarou.

O total de mortes no país pelo novo coronavírus (Covid-19) chegou a 175.270. Nas últimas 24 horas, foram registrados 755 novos óbitos. Ontem (2), o sistema do Ministério da Saúde apontava 174.515 óbitos. Ainda há 2.174 mortes em investigação.

Com isso, a média móvel de mortes no Brasil nos últimos 7 dias foi de 544. A variação foi de 0% em comparação à média de 14 dias atrás, indicando tendência de estabilidade nas mortes por Covid, quando não há aumento ou queda significativos.

Curva de óbitos começa a refletir a alta de contágios nas semanas anteriores

Quando consideradas as mortes, o movimento é semelhante. Na semana 45, no início de novembro, foram contabilizados 2,3 mil óbitos. Já na última semana epidemiológica foram 3,5 mil, um aumento de mais de 50%. Em relação à semana anterior (47), o acréscimo foi de 7%.

A curva de mortes em função da pandemia teve um platô maior de maio ao fim de julho, quando começou uma trajetória de queda, agora revertida pelo movimento de ascensão registrado a partir da semana epidemiológica 45.

O secretário de Vigilância em Saúde destacou o movimento de ampliação menor no caso dos óbitos. “Esses dados nos mostram que a evolução dos óbitos das duas últimas semanas é um pouco deslocada da notificação de casos novos para covid-19”, disse.

Regiões

Os crescimentos das curvas  foram diferentes entre regiões do país. Quando considerada a evolução dos casos, as variações positivas da última semana epidemiológica em relação à anterior foram de 38% no Nordeste, 23% no Centro-Oeste, 17% no Sul e 16% no Norte e negativa no Sudeste, após uma ampliação grande na semana 45.

Na análise das mortes por covid-19, os maiores acréscimos entre as semanas 47 e 48 se deram no Sul (36%), Centro-Oeste e Norte (17%) e Nordeste (10%), com o Sudeste mantendo praticamente uma estabilidade (-1%).

  • Subindo (13 estados): PR, RS, SC, ES, MS, AC, AP, RO, CE, PB, PE, RN e SE
  • Em estabilidade, ou seja, o número de mortes não caiu nem subiu significativamente (10 estados + o DF): MG, SP, DF, MT, AM, PA, RR, TO, BA, MA e PI
  • Em queda (3 estados): RJ, GO e AL
Apenas três estados apresentam queda de mortes.

Mortes

Das mais de 175 mil mortes para covid-19 até agora, 73,8% foram de idosos, pessoas de 60 anos ou mais. A faixa com mais fatalidades é a de 70 a 79 anos, onde ocorreram mais de 25% dos falecimentos.

Recuperação da Covid-19 em hospital de Recife

Quanto ao gênero, permanece a proporção de boletins epidemiológicos anteriores, com 42% das vítimas fatais mulheres e 58% homens. No quesito raça e cor, 36,9% eram pardos, 34,9% eram brancos, 5,5% eram pretos, 1,1% eram amarelos, 0,4% eram indígenas e 21,2% não se identificaram.

Vacinas

O secretário de Vigilância em Saúde abordou o plano de imunização. Ele destacou que a vacina precisa ter elevada eficácia, segurança, possibilidade de uso em todas as faixas etárias e ter tecnologia de baixo custo para permitir vacinar a população.

Chegada das primeiras 120 mil doses da vacina Coronavac em São Paulo. Foto: Governo de SP

Medeiros voltou a apresentar os critérios das quatro fases do plano de imunização contra a covid-19 anunciado nesta semana pelo ministério. Ele recomendou às pessoas que procurem os postos de saúde para se cadastrar ou atualizar os registros feitos no passado.

A coordenadora do Programa Nacional de Imunização, Francieli Fantinato, disse que a escolha dos públicos foi feita em cima do risco de agravamento da doença e da exposição ao vírus.

“A partir do momento que se tem mais vacinas licenciadas e mais quantitativos disponíveis, há que se pensar e planejar a inserção de novos grupos, principalmente no que diz respeito à manutenção dos serviços essenciais no país”, afirmou.

(Por Cezar Xavier)