Caso Pedro Guimarães: bancários protestam contra assédio na Caixa

O pedido de demissão do presidente da Caixa, Pedro Guimarães, não encerra a luta dos trabalhadores e das trabalhadoras do banco contra o assédio. Em meio à campanha salarial nacional da categoria, os bancários organizam protestos em diversos pontos do País.

Economista, próximo ao presidente Jair Bolsonaro, Guimarães recebia R$ 56 mil de salário, além de R$ 130 mil de jetons por participação em conselhos. Isolado, ele se demitiu da presidência da Caixa na noite desta quarta-feira (29), após uma onda de denúncias de assédio sexual e moral.

Na Bahia, um grupo de empregadas denunciou Guimarães ao Ministério Público Federal. O Sindicato dos Bancários cobra investigação criteriosa sobre o caso e acusa a alta cúpula da Caixa de conivência. A entidade promoveu ato, nesta quinta (30/06), em frente à agência das Mercês, em Salvador (BA).

“A prática assediadora tem sido rotina na Caixa”, denuncia o sindicato. “Os trabalhadores sofrem com cobrança por metas desumanas, pressão severa por desempenho e produtividade, elevando os casos de assédio moral e aumentando o adoecimento dos bancários.”

Conforme pesquisa da Fenae (Federação Nacional das Associações do Pessoal da Caixa Econômica Federal), 60% dos trabalhadores do banco afirmam já ter sofrido assédio moral no ambiente de trabalho. O levantamento foi feito no final de 2021 e ouviu 3.034 bancários da Caixa.

Já o Sindicato dos Bancários de São Paulo denunciou “a violência organizacional” na Caixa, “da qual o assédio sexual é apenas um dos sintomas”. A entidade lembrou em suas redes que mantém “um canal formal, previsto e regulamentado pela Convenção Coletiva de Trabalho (CCT), para denunciar de forma totalmente segura e sigilosa a prática de assédio moral”.

“O assédio sexual é só uma parte da violência organizacional, mas o assédio moral ocorre a todo o tempo e de forma muito mais disseminada”, diz Tamara Siqueira, dirigente sindical e empregada da Caixa. “Durante o comando de Pedro Guimarães essas práticas pioraram bastante, mas não são exclusividade da sua gestão. Por isso, é preciso que os bancários e bancárias tenham a coragem de denunciar, para que os assediadores não fiquem impunes.”