Butantan deve pedir uso emergencial da CoronaVac nas próximas 48 horas

Jean Carlo Gorinchteyn, secretário de saúde do Estado de São Paulo

(Flickr/ Governo do Estado de São Paulo)

O pedido de uso emergencial e definitivo da CoronaVac à Anvisa deve ser feito nas próximas 48 horas, afirmou o Secretário de Saúde do estado de São Paulo, Jean Gorinchteyn, na manhã desta segunda-feira (4). A vacina contra a Covid-19 está sendo desenvolvida em parceria com o Instituto Butantan e o laboratório chinês SinoVac, tendo passado por todas as fases de teste. Os dados sobre a eficácia de imunização, disse o secretário, também serão divulgados esta semana.

“Vai existir a solicitação tanto de uso emergencial como de uso definitivo. E dessa forma, existem questões burocráticas, de documentos que estão sendo juntados para serem enviados nos próximos dias para a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária). Nessa semana serão enviados. Possivelmente hoje ou amanhã. Isso vai depender do próprio Instituto Butantan ter toda documentação já estabelecida”, afirmou Gorinchteyn, em entrevista à Rádio Bandnews.

O secretário voltou a dizer que a eficácia da vacina tem índice maior que 50% – o mínimo necessário para a aprovação. Sobre o atraso na apresentação dos dados detalhados, disse que o laboratório não autorizou a divulgação até que analisassem os dados.

“Os materiais foram enviados para China, a pedido da SinoVac, para reavaliar detalhes. Possivelmente teremos os dados de eficácia no dia 7 de janeiro. Digo ‘possivelmente’ porque podemos ter algum delay (atraso) de horas, mas acredito que até o dia 7 já tenhamos os dados”.

A postergação na apresentação dos dados de eficácia, que havia sido prometida para o final do ano passado, se deu pela divergência entre os estudos em diferentes países. Na Turquia, a porcentagem de imunização da vacina chegou a 90% – índice que, conforme admitido pelo governo de São Paulo, não foi atingido nos estudos daqui.

“Frente a essa ascensão rápida dos casos, é possível que pessoas tenham positivado depois de tomar uma dose só da vacina, não duas. Por isso, essa análise detalhada, de quando foi a infecção, será feita. Porque, para ter imunização plena, precisa de duas doses. Essa análise vai trazer luz para ver o que aconteceu com esses pacientes positivados mesmo com vacina”, explicou Jean Gorinchteyn como hipotese.

Por fim, o secretário de João Dória confirmou que a vacinação em São Paulo começará em 25 de janeiro, conforme previsto, mesmo que não exista até lá acordo definitivo com o Ministério da Saúde para que a vacina desenvolvida pelo Instituto Butantan seja usada no Programa Nacional de Imunização.