Bolsonaro recua do Renda Brasil com medo das eleições

"Esse governo não se entende. Bolsonaro fala uma coisa, a equipe econômica outra", diz Perpétua. Foto: reprodução

Bolsonaro recuou nesta terça-feira (15) do seu anunciado Renda Brasil, programa que substituiria o Bolsa Família. Em vídeo em suas redes sociais, o presidente afirmou que até 2022 “está proibido falar a palavra Renda Brasil”. “Vamos continuar com o Bolsa Família. E ponto final”, afirmou.

Para a líder do PCdoB na Câmara, deputada Perpétua Almeida (AC), o recuo reflete a preocupação de Bolsonaro com as eleições municipais deste ano.

“Esse governo não se entende. Bolsonaro fala uma coisa, a equipe econômica outra. Um vai passando a rasteira no outro. Não trabalham conectados para buscar saídas diante da grave crise econômica que já deixa milhões de desempregados, nem para a crise sanitária, que já tirou a vida de mais de 130 mil brasileiros. Fica claro também que o presidente age apenas por interesses eleitorais. Mudou de ideia, sobre o Renda Brasil com medo de ter prejuízos nas eleições municipais deste ano. Mas o objetivo de destruir políticas e direitos sociais é o norte do governo”, afirmou.

Perpétua Almeida afirmou ainda que a Oposição irá atuar para garantir no Orçamento de 2021 “um programa de auxílio mínimo aos mais necessitados”. “É absurdo, que no meio de tamanha crise econômica, ele queira congelar o pouco daqueles que recebem aposentadorias, pensões e seguro-desemprego”, disse.

De acordo com informações divulgadas pela imprensa esta semana, o governo de Jair Bolsonaro estuda revisar milhões de benefícios destinados a idosos e deficientes. A medida, que vinha sendo estudada pelos ministérios da Economia e Cidadania, poderia gerar uma “economia” de R$ 10 bilhões por ano. O objetivo seria endurecer a regulamentação dos critérios para recebimento do Benefício de Prestação Continuada (BPC).

Bolsonaro, afirmou, no entanto, que desconhece a medida. Mas sua equipe vem defendendo ainda mais arroxo para os mais necessitados. O secretário especial de Fazenda, Waldery Rodrigues, chegou a dizer, por exemplo, que a equipe econômica defende que benefícios previdenciários, como aposentadorias e pensões, sejam desvinculados do salário mínimo, o que congelaria os benefícios, deixando-os sem reajustes. Esse congelamento abriria espaço no orçamento para financiar o programa Renda Brasil.

Para o vice-líder da Oposição, deputado Orlando Silva (PCdoB-SP), Bolsonaro quer matar os pobres de fome. “O governo covarde corta o auxílio emergencial pela metade, quer tirar R$ 10 bilhões de idosos e pessoas com deficiência e não vai dar nada ao povo! Bolsonaro quer matar os pobres de fome”, afirmou.

 

Por Christiane Peres

 

(PL)