Bolsonaro discrimina a Folha

Presidente da República, Jair Bolsonaro

(Crédito: Antonio Cruz/ Agência Brasil)

Jair Bolsonaro voltou a atacar o jornal Folha de S. Paulo no sábado (30), depois de proibir a participação do órgão de imprensa em uma licitação para a Presidência da República.
“Eu não quero ler a Folha mais. E ponto final. E nenhum ministro meu.
Recomendo a todo Brasil aqui que não compre o jornal Folha de S.Paulo. Até eles aprenderem que tem uma passagem bíblica, a João 8:32 [E conhecerão a verdade, e a verdade vos libertará]. A imprensa tem a obrigação de publicar a verdade. Só isso. E os anunciantes que anunciam na Folha também”, disse o presidente.
No fim da tarde desta sexta, o subprocurador-geral junto ao TCU (Tribunal de Contas da União), Lucas Furtado, apresentou representação em que pede que a Folha não seja excluída da licitação da Presidência.
Para o subprocurador, a retirada do jornal após promessa do presidente Jair Bolsonaro possui motivos que “desbordam dos estreitos limites da via discricionária do ato administrativo”, além de ofender os “princípios constitucionais da impessoalidade, isonomia, motivação e moralidade”.
Neste sábado, o PSB aprovou uma moção de repúdio ao ato de Bolsonaro de excluir a Folha de licitação do governo federal e por incitar boicote contra anunciantes. O partido estava reunido em conferência no Rio. “A declaração do presidente Bolsonaro corresponde, na prática, a uma espécie de restrição grave à liberdade de imprensa”, afirmou Carlos Siqueira, presidente do PSB.
Além de ameaçar a imprensa, Bolsonaro voltou a ameaçar a democracia no Brasil e nos países vizinhos. Durante solenidade de entrega das espadas aos novos aspirantes na Academia Militar das Agulhas Negras (Aman), em Resende (RJ), Bolsonaro disse que “não vai descansar” enquanto os países sul-americanos “não respirarem democracia e liberdade”.
A declaração de Bolsonaro é uma afronta à soberania e um desrespeito aos assuntos internos dos países da América do Sul
Mais cedo, em Três Corações (MG), ele voltou a ameaçar os países vizinhos.
“A América do Sul, no momento, ainda vive em alguns países momentos de crise. Mas nós venceremos tudo isso. Pela gratidão, pelo sentimento de irmandade que existe entre nós na América do Sul, nós brasileiros só estaremos felizes quando todos os países da América do Sul, o seu povo também gozar de liberdade e democracia”, afirmou o presidente na cidade mineira.