Bogotá: Oposicionista Cláudia vence e é a primeira prefeita da capital

Claudia Lopez, candidate for mayor of Bogota with the Green Alliance, celebrates her election victory in Bogota, Colombia, Sunday, Oct. 27, 2019. Colombians went to the polls Sunday to choose mayors, state governors and local assemblies. (AP Photo/Ivan Valencia)

"Arriscaria tudo na minha vida para livrar os colombianos da voracidade da corrupção e da violência, das minorias outrora poderosas, outrora invencíveis que hoje derrotamos”, afirma Claudia Lopez - foto Ivan Valencia - AP

A eleição da oposicionista Claudia López, a primeira mulher a se eleger prefeita da capital colombiana, Bogotá, neste domingo se deu no contexto de uma derrota generalizada dos candidatos do governo direitista e neoliberal de Iván Duque, que chegou apoiado no ex-presidente Álvaro Uribe.

Cláudia vem de uma casa de gente humilde mas de alto nível cultural. Sua mãe foi professora e estimulou os estudos da filha que chegou à universidade, formando-se em…., para depois chegar a deputada, notabilizando-se e tornando-se popular pela coragem de se dedicar ao combate à corrupção e aos milicianos que se imiscuíram na política da Colômbia.

Candidata pela Aliança Verde, superou outros candidatos oposicionistas em uma eleição na qual o candidato governista, Miguel Uribe, acabou ficando na última colocação.

As palavras de uma eleitora de Claudia, Ester Sofía Gutiérrez, expressam o significado dos resultados destas eleições na Colômbia: “Voto em Claudia porque conheço sua trajetória política. Ela tomou pulso e tem sido valente em escancarar todo esse fenômeno da parapolítica. Sua campanha contra a corrupção tem sido sensata. Filha de uma professora, sua proposta para a educação é muito possível, é trabalhar por uma educação para as pessoas com menos oportunidades”.

Ao celebrar a vitória Claudia comentou: “Nunca transigi com as engrenagens, enfrentei o narcotráfico e arriscaria tudo na minha vida para livrar os colombianos da voracidade da corrupção e da violência, das minorias outrora poderosas, outrora invencíveis que hoje derrotamos”.

Em outra das mais importantes cidades colombianas, Medelín, o prefeito eleito foi Daniel Quintero, ex-vice-ministro do ex-presidente Juan Manuel dos Santos que, ao chegar ao governo do país, se afastou do uribismo e esteve no centro das articulações e dos encontros em Havana com os guerrilheiros das Forças Armadas Colombianas, FARC, levando ao seu desarmamento e a passagem dos guerrilheiros para a militância no novo partido, Força Revolucionária Alternativa do Comum, preservando a mesma sigla, FARC.

Dois ex-guerrilheiros se elegeram prefeitos pela primeira vez: Guillermo Torres, por Turbaco e Edgardo Figueroa, em Puerto Caicedo.

Na histórica Cartagena de las Ínidas, o vitorioso foi William Jorge Dau, à frente da coligação opositora Salvemos Cartagena, que também se destacou no combate à corrupção.

“A corrupção se combate quando, além de denunciar e mostrar o rosto dos grandes financiadores, também se denuncia os funcionários que se prestam a roubar o erário público e os contratistas que não cumprem com as obras enquanto se enchem de contratos”, declarou Dau durante sua agora vitoriosa campanha.

A derrota do uribismo foi realmente generalizada. O partido desta corrente direitista, denominada Centro Democrático, teve seus candidatos derrotados nas principais cidades: Cali, Bucaramanga, Medelín, Santa Marta, Bogotá, Cúcuta, Montería, César, Boyacá, Manizalez e Caquetá, antes redutos de suas hostes.

No entanto, não foi uma vitória sem cobrar dolorosos sacrifícios: muitos líderes populares e políticos foram assassinados ou atacados. Com a derrota previsível, tentaram intimidar a oposição. Nos últimos 3 meses, 7 candidatos foram assassinados em diferentes pontos do país. Alguns de forma atroz, como Karina Garcia que foi incinerada junto com sua mãe e escolta. 88 receberam ameaças, 12 sofreram atentados, outro mais foi sequestrado. Ex-combatentes das FARC também foram assassinados.