Aumento dos combustíveis eleva preço dos fretes no comércio

(Gervasio Batista/Agência Brasil)

O grupo de combustíveis de veículos que faz parte do cálculo do Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) teve um aumento de 41,3 % nos últimos doze meses encerrados em agosto. O IPCA geral no mesmo período é de 9,68%.

Quer dizer que o preço dos combustíveis utilizados pelos transportadores, e que são o principal item dos seus custos, multiplicou por quatro vezes nos últimos doze meses.

A inflação dos fretes das cargas fracionada foi mais do que 20%, no mesmo período, considerando-se faixas de quilometragem até aquela de 6.000 quilômetros de distância.

O reflexo dessa pressão de custos já está se transformando em aumento de preços dos fretes ou pedidos de aumento deles com reajustes de 5% a 10% junto a atacadistas e varejistas, seriamente afetados.

Com a perda de renda e as vendas ainda patinando, os varejistas dizem que há dificuldades de transferir os reajustes para os consumidores, que já enfrentam o aumento na conta de luz, no botijão de gás e nos alimentos.

Segundo o GPA, dono do Extra e Pão de Açúcar, Extra, Assaí, parte do reajuste é repassado para o consumidor. “Repassamos um pouco do reajuste que veio, até porque nem tem como não repassar. Mas o que estamos fazendo é conseguindo absorver isso na nossa própria estrutura, porque temos capacidade de fazer mais viagens, por exemplo, o que vai diluindo mais os custos”, diz Marcelo Arantes, diretor executivo de logística do GPA.

“O que nos deixa hoje mais apreensivos é que as transportadoras dizem que julho e agosto deu uma desacelerada no movimento. Isso não é bom porque, mesmo se a economia retomar devagar, a necessidade de reajuste permanece”, declarou Lauro Valdivia, assessor técnico da Associação Nacional do Transporte de Cargas e Logística (NTC&Logística), “No começo do ano houve aumentos de 7% a 9% nos contratos de carga fracionada, mas isso foi pouco frente à inflação de 22% a 25% no setor nos últimos 12 meses, por isso ainda há esse movimento de reajustes”.

Diante desse quadro, o governo Bolsonaro mantém o preço do combustível atrelado ao mercado externo e ao dólar, com seguidos aumentos nas refinarias, trazendo graves prejuízos aos consumidores, produtores e ao comércio e à indústria.

E ainda tenta jogar a culpa nos outros, nos governos estaduais, que também são vítimas da inação do governo federal.

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Com informações do Valor