Ataque saudita com mísseis dos EUA deixa dezenas de mortos no Iêmen

Imagem do prédio destruído por ataque saudita com míssil norte-americano

(Ansarullah Mídia)

Um fragmento de míssil descoberto nos escombros após os devastadores ataques aéreos sauditas de sexta-feira na cidade iemenita de Saada, que matou dezenas de civis, inclusive crianças, foi identificado como proveniente de uma bomba produzida pela Raytheon, um dos principais integrantes do cartel da morte que atende ao Pentágono e aliados.

Imagens de vídeo filmadas após o ataque aéreo e compartilhadas no YouTube mostram cenas angustiantes de equipes de resgate removendo corpos dos escombros. Em um ponto, um fragmento supostamente de uma arma letal usada na invasão é mostrado, com parte de seu texto de identificação e números visíveis.

“Esse é o código de gaiola do fabricante para a Raytheon”, postou Marc Garlasco, conselheiro militar da ONG PAX Protection of Civilians, com sede na Holanda, no Twitter. A lista de códigos de gaiola inclui o número 96214, que corresponde ao visto no fragmento encontrado em Saada.

O que só reitera que, por trás dos massacres sauditas no paupérrimo Iêmen, está a máquina mortal norte-americana e seus contratos bilionários em armas e apoio logístico do Pentágono.

O ataque de 21 de janeiro atingiu em cheio um centro de detenção de migrantes em um reduto rebelde causando um morticínio, o que levou o secretário-geral da ONU, Antonio Guterres, a pedir uma “investigação eficaz e transparente”.

O chefe da missão de MSF (Médicos Sem Fronteiras) no Iêmen, Ahmed Mahat, disse ser “impossível saber quantas pessoas foram mortas” em Saada, “um ato de violência horrível”. Um hospital da cidade “recebeu 138 feridos e 70 mortos” e está “tão sobrecarregado que não pode receber mais pacientes”, disse MSF

Os bombardeios também atingiram mais ao sul na cidade portuária de Hodeida. De acordo com a Agência France Presse, “as imagens de vídeo mostraram corpos nos escombros e sobreviventes atordoados depois que um ataque aéreo da coalizão saudita destruiu um centro de telecomunicações”. O ataque também causou um apagão na Internet em todo o país.

O grupo humanitário Save the Children disse que pelo menos três crianças, assim como mais de 60 adultos, foram mortos pela série de ataques, embora o número de vítimas confirmadas provavelmente aumente. As crianças mortas como resultado do ataque de Hodeidah estavam jogando em um campo de futebol próximo, disse o grupo.

O mais recente massacre só faz realçar a quebra de promessa do governo Biden de parar a guerra no Iêmen e fazer os sauditas “pagarem o preço e torná-los de fato os parias que são”, com tudo continuando como antes, como mais armas vendidas e mais apoio para chacinas, no que a ONU chama de pior crise humanitária do mundo.

Reagindo às notícias dos novos massacres no Iêmen – como registrou o portal Common Dreams -, o jornalista Spencer Ackerman tuitou que a América “é cúmplice disso, como foi cúmplice em todos os ataques aéreos sauditas ou dos Emirados Árabes Unidos desta guerra horrível que Biden e seus altos funcionários prometeram acabar”.

Os números de código no fragmento de bomba que devastou o centro de detenção de imigrantes só atestam a denúncia do jornalista: os EUA são cúmplices.

Esta não é a primeira vez que fragmentos de bombas de armas fabricadas nos Estados Unidos são descobertos entre os escombros no Iêmen.

Em agosto de 2018, um jornalista iemenita identificou fragmentos de mísseis encontrados após um ataque a um ônibus que transportava crianças como derivados de uma bomba de queda livre de uso geral Raytheon Mark 82.