Associação Brasileira de Imprensa pede renúncia de Bolsonaro

Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

Após o presidente da República, Jair Bolsonaro, insultar a repórter Laurene Santos, da TV Vanguarda, afiliada da Rede Globo no Vale do Paraíba, a Associação Brasileira de Imprensa (ABI) divulgou nota em que pede a renúncia do chefe do Executivo. Exaltado, Bolsonaro mandou a repórter calar a boca e tirou a máscara após ser questionado sobre o uso da proteção sanitária.

“Descontrolado, perturbado, louco, exaltado, irritadiço, irascível, amalucado, alucinado, desvairado, enlouquecido, tresloucado”, diz a nota, referindo-se ao comportamento de Bolsonaro. Para a entidade que representa os profissionais de imprensa, o presidente “mostrou ter sentido profundamente o golpe representado pelas manifestações de sábado”.

O presidente participou de formatura de sargentos da Escola de Especialistas da Aeronáutica, em Guaratinguetá (SP). Em seguira, visitou uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA), onde concedeu a entrevista.

Ao falar com a repórter da TV Vanguarda, Bolsonaro se queixou da cobertura da CNN das manifestações de sábado contra seu governo, queixando-se de que a emissora elogiou os manifestantes. Ele criticou ainda a TV Globo, à qual a afiliada onde trabalha Laurene Santos é vinculada.

Questionado por Laurene sobre o fato de não ter usado máscara enquanto falava com apoiadores na chegada ao município, Bolsonaro ofendeu a repórter.

“Eu chego como eu quiser, onde eu quiser, eu cuido da minha vida. Estou sem máscara em Guaratinguetá. Está feliz agora? Vocês fazem um jornalismo canalha que não ajuda em nada (…) Você tinha que ter vergonha na cara pelo serviço porco que você presta”, disse.

Para a ABI, o destempero de Bolsonaro “desnuda o crescente isolamento de seu governo”. “Que o presidente nunca apreciou uma imprensa livre e crítica, é mais do que sabido. Mas, a cada dia, ele vai subindo o tom perigosamente. Pouco falta para que agrida fisicamente algum jornalista”, afirma a nota da entidade.

A ABI afirmou ainda que “Bolsonaro prepara alguma saída autoritária” diante da “rejeição crescente ao seu governo” e por isso tenta desacreditar o sistema eleitoral há um ano e meio da eleição.

“É preciso que os democratas estejam alertas e mobilizados”, defendeu a entidade, que, no entanto, propôs como solução “melhor” e “mais rápida” a renúncia de Bolsonaro.

Confira a íntegra da nota:

Nota oficial da ABI

Renuncie, presidente!

Descontrolado, perturbado, louco, exaltado, irritadiço, irascível, amalucado, alucinado, desvairado, enlouquecido, tresloucado. Qualquer uma destas expressões poderia ser usada para classificar o comportamento do presidente Jair Bolsonaro nesta segunda-feira, insultando jornalistas da TV Globo e da CNN.

Com seu destempero, Bolsonaro mostrou ter sentido profundamente o golpe representado pelas manifestações do último sábado. Elas desnudaram o crescente isolamento de seu governo.

Que o presidente nunca apreciou uma imprensa livre e crítica, é mais do que sabido. Mas, a cada dia, ele vai subindo o tom perigosamente. Pouco falta para que agrida fisicamente algum jornalista.

Seu comportamento chega a enfraquecer o movimento antimanicomial – movimento progressista e com conteúdo profundamente humanitário. Já há quem se pergunte como um cidadão com tamanho desequilíbrio pode andar por aí pelas ruas.

Mas a situação é ainda mais grave: esse cidadão é presidente de um país com a importância do Brasil.

Diante da rejeição crescente a seu governo, Bolsonaro prepara uma saída autoritária e, mesmo a um ano e meio da eleição, tenta desacreditar o sistema eleitoral. Seu objetivo é acumular forças para a não aceitação de um revés em outubro de 2022.

É preciso que os democratas estejam alertas e mobilizados.

Diante desse quadro, com a autoridade de seus 113 anos de luta pela democracia, a ABI reitera sua posição a favor do impeachment do presidente. E reafirma que, decididamente, ele não tem condições de governar o Brasil.

Outra solução – até melhor, porque mais rápida – seria que ele se retirasse voluntariamente.

Então, renuncie, presidente!

Paulo Jeronimo

Presidente da ABI