Argentina repele sanções contra Rússia e pede diálogo e não bloqueios

Ministro de Relações Exteriores da Argentina, Santiago Cafiero

O ministro de Relações Exteriores da Argentina, Santiago Cafiero, afirmou que o governo não considera as sanções contra a Rússia uma “maneira efetiva” de resolver o conflito na Ucrânia, onde o presidente Vladimir Putin coordena uma operação militar especial.

Em entrevista concedida à agência de notícias estatal Télam, publicada no sábado (23), enfatizou que as leis argentinas, mesmo em teoria, não permitem que o país imponha “sanções unilaterais” contra outros Estados e, em vez disso, frisa que a solução dos problemas se concentra nas negociações.

“A Argentina propõe voltar ao diálogo, acalmando a situação. Não acreditamos que a imposição de sanções e bloqueios seja uma forma produtiva de alcançar a paz, o diálogo e as negociações diplomáticas”, destacou.

Segundo o chanceler, julgar os países e impor sanções e bloqueios “não é o método da Argentina” e nunca foi, pois, em sua opinião, esse tipo de ação na região só levou a uma maior “desigualdade e retrocesso no desenvolvimento social”.

O ministro ressaltou que, para a Argentina, os interesses da América Latina são “prioritários”. Além disso, lembrou que há alguns países na região que também enfrentam crises humanitárias e não recebem atenção semelhante à do conflito ucraniano.

“É verdade que a guerra na Europa de alguma forma captou toda a atenção do público, mas a crise humanitária no Haiti não é menos real e não desaparece porque a mídia não se concentra nela”, lamentou Cafiero.

Mas alertou que é preciso trabalhar de forma sistêmica e com multilateralismo porque “a guerra vai expor mais duramente” os problemas de “como acessar a segurança alimentar”, além de outras desigualdades.

“Temos que ter uma discussão franca de como serão os instrumentos do multilateralismo para que o mundo todo possa ter acesso aos alimentos, para que não aconteça o que aconteceu com as vacinas, às quais os países pobres não tiveram acesso. É necessário um papel mais decidido do multilateralismo para que não seja o mercado que defina, mas que os Estados o façam”, acrescentou.

Depois que a Rússia lançou uma operação de desmilitarização e desnazificação da Ucrânia em 24 de fevereiro, o Ocidente, liderado pelos EUA, impôs várias rodadas de sanções financeiras e comerciais contra Moscou, medidas que o presidente russo assinalou que se transformarão “em forma de inflação e desemprego” contra todos aqueles países que as tomaram.