Americanos repelem uso da Ucrânia por Washington para atacar Rússia

Ativista Medea Benjamim em ato contra agressões dos EUA

(Analysis.news)

“O que está acontecendo na crise da Ucrânia é simplesmente uma loucura”, alerta Katrina vanden Heuvel, em artigo para o jornal Washington Post. Katrina é presidente do Comitê Americano para o Acordo EUA-Rússia e colunista do jornal The Nation.

“Com os Estados Unidos precisando desesperadamente concentrar atenção e recursos nos desafios apresentados pela pandemia, a desigualdade econômica debilitante, a severa divisão racial e as mudanças climáticas catastróficas”, escreveu ela, “a última coisa que precisamos é de uma guerra por procuração ou, Deus me livre, diretamente com os russos pela Ucrânia.”

Uma coalizão de 15 organizações diversas também se formou para alertar em carta à Casa Branca, no início deste mês, declarando que “o engajamento contínuo é necessário para evitar um conflito militar que prejudicará os interesses dos Estados Unidos, prejudicará civis inocentes na Ucrânia e traz o risco de entrar em uma guerra potencialmente catastrófica entre as duas principais potências nucleares do mundo.”

Medea Benjamin e Nicolas JS Davies, do grupo anti-guerra CodePink, observaram em um artigo de opinião no portal Common Dreams: “Os Estados Unidos têm muita responsabilidade por esta crise ao apoiar a derrubada violenta do governo eleito da Ucrânia em 2014, estimulando a expansão da OTAN até a fronteira da Rússia, armando e treinando forças ucranianas.”

“O fracasso de Biden em reconhecer as preocupações legítimas de segurança da Rússia levou ao atual impasse”, acrescentaram Benjamin e Davies, “e os falcões dentro de seu governo estão ameaçando a Rússia em vez de propor medidas concretas para diminuir a tensão”.

Em seu artigo para o Post , Katrina escreveu ainda que “os Estados Unidos teriam de arquivar as ilusões sobre a OTAN. Os ucranianos teriam que aceitar um sistema federalizado que fornecesse garantias para sua população de língua russa. Tanto Putin quanto Biden enfrentariam duras críticas de falcões que tagarelavam sobre rendição e credibilidade”.

“O caminho do falcão”, acrescenta, “funciona melhor entre os guerreiros de poltrona e os ex-comentaristas de caça-feitiço nos Estados Unidos. Mas provará mais uma vez ser uma loucura custosa. Além disso, os americanos estão cansados de batalhas intermináveis em países distantes. Biden pode achar um verdadeiro acordo muito mais popular do que a tensão contínua”.

Também alertando que “as potências nucleares precisam andar com cuidado umas com as outras”, Mitchell Zimmerman, procurador na Califórnia, detacou que “é uma triste realidade dos assuntos internacionais que nações poderosas digam a si mesmas que elas (e ninguém mais) têm o direito de se intrometer nos assuntos dos mais fracos.”

“Evitar a guerra não significa necessariamente que os direitos e interesses das nações menores devam ser abandonados”, continuou ele. “Mas, na prática, o caminho para a paz exige acomodação mútua de todas as partes.”

Zimmerman faz questão de deixar claro que “não é irracional que os russos não queiram uma aliança hostil – e potencialmente armas nucleares – ao longo de sua fronteira”. Para ele nenhum suposto interesse norte-americano “exige um confronto entre Estados com armas nucleares” e “nada justifica tamanhos riscos para insistir que a Ucrânia tenha o ‘direito’ de se juntar à Otan.”