Altamiro Borges: PM de Goiás e a fascistização do Brasil

Imagem: Magon, 2020

Aos poucos, a fascistização vai corroendo a democracia no país. Na sexta-feira passada (28), a Polícia Militar de Goiás – estado governado pelo demo Ronaldo Caiado – intimou duas pessoas por confeccionarem faixas cobrando de Bolsonaro explicações sobre os depósitos de Fabrício Queiroz na conta da esposa “Micheque”.

Por Altamiro Borges (*)

Segundo relato da Folha, a ação policial se deu em Caldas Novas (170 km de Goiânia). “A abordagem ocorreu em uma oficina onde estavam sendo confeccionadas faixas que seriam estendidas na cidade no sábado (29), quando o presidente visitou o município para a inauguração de uma usina fotovoltaica”.

Faixa sobre os R$ 89 mil da “Micheque”

O protesto foi organizado nas redes sociais por um grupo de moradores. Eles escolheram duas frases para as suas faixas: uma criticando a alta do dólar e dos combustíveis; e outra questionando o “capetão” sobre os depósitos do miliciano Fabrício Queiroz de R$ 89 mil na conta da primeira-dama.

“Dois policiais, um deles identificado como tenente Alexandre, foram ao ateliê onde eram confeccionadas as faixas… Eles obrigaram o proprietário a entrar na viatura e ir até a casa do pintor Salmeron de Oliveira, que havia confeccionado as faixas”, descreve a Folha

“O tenente Alexandre disse que eu estava cometendo crime contra a honra e afirmou que estava cumprindo ordens da Abin [Agência Brasileira de Inteligência] e da Polícia Federal”, relata o organizador do protesto. Os manifestantes, porém, não se intimidaram e estenderam as faixas contra o presidente fascista.

“Cumprindo ordens da Abin e da PF”

Como lembra a Folha, “o estado de Goiás é governado por Ronaldo Caiado (DEM), um dos principais aliados do presidente. Os dois haviam rompido após o governador criticar a postura de Bolsonaro e a condução da pandemia do coronavírus pelo governo federal, mas reataram as relações”.

A ação arbitrária da PM – que estaria “cumprindo ordens da Abin e da PF”, segundo declarou o tenente – até hoje não foi esclarecida. A própria mídia monopolista, que chiou num primeiro instante, parece que já deixou de lado o assunto para não incomodar. E a fascistização segue corroendo a frágil democracia brasileira.

Ninguém pode perguntar ao presidente da República por que o Queiroz – seu ex-faz-tudo – depositou R$ 89 mil na conta da primeira-dama “Micheque” Bolsonaro. O “capetão” fica irritadinho, ameaça “encher a boca de porrada” dos jornalistas e pode até acionar a PF, a Abin e a PM contra os curiosos. Tragédia que segue!

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(*) Altamiro Borges é jornalista e presidente do Centro de Estudos da Mídia Alternativa Barão de Itararé e membro do Comitê Central do PCdoB.

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