Sem confiança na retomada econômica do Brasil, a Ford anunciou nesta segunda-feira (11) que fechará suas três fábricas no país e encerrará toda a produção local. A multinacional ianque, ávida por lucros, não bota muita fé no vira-lata sarnento que preside o país nem no serviçal Paulo Guedes, czar da economia do laranjal.

Por Altamiro Borges*

Segundo a revista Exame, a decisão da “montadora americana pegou de surpresa fornecedores, concorrentes, funcionários e os governos das localidades onde está instalada. Em comunicado, ela informou que irá atender os clientes por meio de operações da Argentina, do Uruguai e de outros mercados”.

De acordo com o planejamento da matriz nos EUA, a empresa encerrará ainda em 2021 as operações das fábricas de Camaçari (BA) e Taubaté (SP), além da unidade da Troller no Ceará. Ao todo, a Ford-Brasil tem 6.171 funcionários, sendo 4.059 na Bahia. De imediato, 5 mil deverão ser demitidos.

O simbolismo da decisão da multinacional

Como registra a revista patronal, a decisão da empresa está carregada de simbolismo e evidencia a gravidade da crise no país. “A Ford não é só a pioneira global da indústria automobilística, como também a primeira montadora a instalar uma operação fabril no Brasil em 1919, na capital paulista”.

Em nota lacônica, a Ford informou que “encerrará a produção à medida em que a pandemia de Covid-19 amplia a persistente capacidade ociosa da indústria e da redução das vendas, resultando em anos de perdas significativas”. Ela só não informou quanto lucrou no Brasil – um paraíso das multinacionais.

No final do ano passado, a Ford já tinha concluído a venda da fábrica de São Bernardo do Campo, no ABC paulista. Agora, ela encerra toda a produção nacional, jogando a culpa na “continuidade de um ambiente econômico desfavorável e na pressão adicional causada pela pandemia”.

Como lembra a revista Exame, “a Ford vem perdendo participação no Brasil de forma persistente. Antes detentora do posto cativo de quarta maior do país, ela encerrou 2020 na quinta posição do ranking de automóveis e comerciais leves mais vendidos e na sexta colocação se considerados somente carros de passeio”.

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Altamiro Borges* é jornalista e presidente do Centro de Estudos da Mídia Alternativa Barão de Itararé e membro do Comitê Central do PCdoB.

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