Altamiro Borges: 67% rejeitam caso de Bolsonaro com o Centrão

Charge: Bira Dantas

Jair Bolsonaro ainda tenta aparentar força. Montou em cavalo e passeou de helicóptero durante mais um ato fascista pelo fechamento do Congresso e do STF no domingo passado (31). Mas o “capetão” está fraco e cada vez cede mais espaço aos profissionais do Centrão na ânsia de se safar do processo de impeachment.

Por Altamiro Borges*

O Estadão relatou nesta segunda-feira (1): “Em mais um gesto de aproximação do Palácio do Planalto com o Centrão, o presidente Bolsonaro vai entregar o comando do Banco do Nordeste (BNB) a um nome indicado pelo Partido Liberal, sigla liderada pelo ex-deputado Valdemar Costa Neto, condenado no mensalão”.

Ainda segundo o jornalão, “a troca é vista como uma nova sinalização da disposição do presidente Bolsonaro em sedimentar a aliança com os partidos do Centrão e construir uma base aliada no Congresso Nacional na tentativa de barrar eventual processo de impeachment”.

Bolsonaro mente para seus fanáticos seguidores

O toma-lá-dá-cá desmente Bolsonaro, o rei das fake news, que nas redes sociais admitiu para seus fanáticos seguidores que estava negociando com o Centrão, mas jurou que “em nenhum momento nós oferecemos ou eles pediram ministérios, estatais ou bancos oficiais”.

O Banco do Nordeste é uma potência econômica e política. Tem forte presença junto a empresas, produtores rurais e empreendedores na região – a única onde Jair Bolsonaro perdeu as eleições de 2018. O BNB também financia obras de infraestrutura, incluindo a expansão de aeroportos concedidos à iniciativa privada.

Como lembra o Estadão, “no ano passado, o BNB desembolsou R$ 42,16 bilhões em mais de 5,3 milhões de operações. Valor é 74,4% do total desembolsado em 2019 pelo BNDES, banco de desenvolvimento que opera em todo o Brasil”. BNB agora está nas mãos do PL do “ético”, quase santo, Valdemar Costa Neto.

Mais um milico na cota do PSD

A indicação do Centrão para o BNB não foi a única acertada no balcão de negócios do laranjal nos últimos dias. Outro carguinho acertado foi o da Funasa, fundação vinculada ao Ministério da Saúde que responde por ações de saneamento básico para prevenção de doenças em cidades de pequeno porte e áreas rurais.

Segundo nota da Folha, “em mais um aceno aos partidos do chamado centrão, o governo do presidente Bolsonaro nomeou o comandante-geral da Polícia Militar de Minas Gerais, coronel Giovanne Gomes da Silva, para ocupar a presidência da Funasa… A nomeação foi publicada na sexta-feira no Diário Oficial da União”.

“Apesar de ser coronel da PM, Gomes da Silva foi indicado pelo líder do PSD na Câmara, Diego Andrade (MG). Segundo parlamentares aliados de Andrade, o policial e o deputado são amigos de longa data. De acordo com pessoas próximas, o líder quis indicar um nome de sua confiança, mas com o perfil do governo Bolsonaro… Ele não tem experiência na área da saúde ou saneamento”, complementa a Folha.

Cresce a rejeição ao farsante

O presidente farsante, que já passou por sete partidos e conhece bem o balcão de negócios de Brasília, pode até enganar seus seguidores mais fanáticos. Mas, aos poucos, a sociedade percebe sua mentira sobre a “nova política”. Pesquisa Datafolha divulgada no final de semana mostrou que 67% dos brasileiros já rejeitam a aproximação de Bolsonaro com o Centrão.

A pesquisa também apontou que 64% dos entrevistados entendem que o presidente descumpre a promessa da campanha eleitoral de que não ofereceria vagas no governo e a liberação de recursos para obter apoio no Congresso. Ou seja: a sociedade já percebe que foi vítima de estelionato eleitoral.

Até entre eleitores menos tacanhos do “capetão” muitos já despertam. Segundo o Datafolha, entre aqueles que dizem que votaram em Bolsonaro, 42% já afirmam que ele está descumprindo sua promessa de campanha de acabar com a “velha política” moldada no “toma lá dá cá”.