As mudanças trouxeram comportamentos e práticas ainda mais abusivos pelas empresas, que passaram a atuar amparadas por Lei para explorar e agir de acordo com suas necessidades. Só para se ter uma ideia, as novas regras autorizaram os empregadores a utilizar mão de obra de trabalhadoras gestantes em ambientes insalubres.

Com as alterações na legislação acompanhamos ainda o crescimento de empresas como Uber, Ifood, etc., por meio da exploração de profissionais com trabalho precário, sem garantias nem direitos. Também verificamos perdas e precarização no comércio, na indústria, na área da saúde, nos bancos e nos serviços em geral.

Entre outras mudanças danosas destacamos o enfraquecimento dos sindicatos, instrumentos fundamentais nos acordos com empregadores para evitar prejuízos aos trabalhadores. Depois da Reforma Trabalhista as negociações acontecem entre empregados e patrões em uma relação de opressão, desigualdade e arbitrariedade.

Uma conquista importante adquirida ao longo dos governos Lula e Dilma, a valorização do salário mínimo em 59% (calculado ao final de cada ano acrescidos a inflação e ganho real com base no Produto Interno Bruto do ano anterior) foi dilapidada ano a ano, e desde 2019 o trabalhador recebe apenas o repasse da inflação sem nenhum ganho real.

A desvalorização do salário mínimo alterou o poder de compra da população e a consequência foi o aumento da pobreza e da fome. Situação que se agravou durante a pandemia com as demissões em massa ocasionadas pelo fechamento de empresas e ausência de políticas públicas que amparassem o setor produtivo do país.

A inflação e a falta de controle de preços dos combustíveis, do gás de cozinha e dos alimentos também vêm tirando o sono de milhões de pais e mães que precisam alimentar suas famílias.

Atualmente com 11,2%, o Brasil deve ocupar a nona posição mundial em desemprego no final de 2022, com taxa média de 13,7%. E o responsável por este novo destaque internacional negativo é o atual presidente da República e sua má gestão em todos os setores, especialmente na economia e na política social.

Nesse contexto, a nossa cidade, que sempre foi a capital do desemprego, também amarga a dor de eleger gestores públicos que não têm compromisso com a geração de emprego e renda. Exemplo disso são os números alarmantes de pessoas desempregadas: 17,5%, segundo IBGE (2020).

Por tudo isso, neste Dia das Trabalhadoras e Trabalhadores a luta será nas ruas.

Fora Bolsonaro!

 

*Enfermeira, servidora pública do Estado da Bahia; professora Universidade Federal da Bahia (UFBA), exerceu quatro mandatos como vereadora e é presidente do PCdoB de Salvador.
(BL)