Jandira Feghali: Todos os homens do presidente

Crédito da foto: Richard Silva/PCdoB na Câmara

Por Jandira Feghali*

Mais de 40 anos depois vivemos aqui um enredo com alguns pontos em comum, mas com possibilidade remota do mesmo desfecho, apesar das provas apresentadas.

Os homens do presidente ilegítimo, e ele inclusive, estão todos relacionados na segunda denúncia apresentada pelo Procurador Geral da República ao Supremo Tribunal Federal: Geddel Vieira Lima, Henrique Eduardo Alves, Eduardo Cunha, Rodrigo Rocha Loures, Moreira Franco e Eliseu Padilha.

O procurador sustenta que todos praticaram ações ilícitas em troca de propina por meio da utilização de órgãos públicos. O ilegítimo golpista, Michel Temer, é apontado como líder dessa verdadeira organização criminosa.

Tudo indica que o caminho a ser trilhado da segunda denúncia será o mesmo da primeira. Troca de deputados na Comissão de Constituição e Justiça, ministros em Plenário negociando abertamente a liberação de emendas, cargos oferecidos a aliados fiéis e retirados dos que se posicionaram favoravelmente à denúncia. Uma operação cara e vergonhosa que resultou em 263 votos pelo arquivamento.

Este caminho, no entanto, pode ser alterado. Pelo menos 94% da população rejeita este desgoverno. Condena a entrega do patrimônio brasileiro aos estrangeiros, a asfixia do orçamento, o desemprego, o fechamento de leitos hospitalares, de vagas nas universidades, a ameaça às aposentadorias, enquanto perdoam bancos e dividas patronais milionárias com a previdência social e rios de dinheiro são gastos para comprar sua impunidade. Esta indignação tem que mostrar sua cara. Nas ruas e nas redes é nosso dever protestar e exigir o prosseguimento das investigações.

Estamos falando de R$ 587 milhões de propina e grave lesão aos cofres públicos. Estamos falando de uma quadrilha que tomou conta do Palácio do Planalto a partir de um golpe. Contra isso precisamos nos insurgir. Mostrar nossa cara e nossa voz até que 342 deputados e deputadas se convençam de que o interesse coletivo deve prevalecer. E o coletivo exige apuração rigorosa dos fatos fartamente sustentados na nova denúncia. Temer diz que não fará como fez Nixon, não renunciará. Então temos que tirá-lo da cadeira, que aliás, nunca foi dele.

*Médica, deputada federal (PCdoB/RJ) e vice-líder da oposição