15º Congresso: PCdoB-AM enfrenta desafios para levar esperança ao povo

Na busca por mobilizar a militância no processo de debates do 15º Congresso e fortalecer o PCdoB pelo interior, as direções do partido no Amazonas enfrentam desafios tão grandiosos quanto o próprio estado. Para realizar encontros, reuniões e conferências, além de lidar com as dificuldades impostas pela pandemia, dirigentes e militantes precisam viajar centenas de quilômetros, na grande maioria das vezes por via fluvial, no estado cujas ruas e estradas são majoritariamente os próprios rios da exuberante Amazônia.

“No Amazonas, para além da pandemia, temos também desafios logísticos. Aqui, nossas estradas são, literalmente, os rios. Temos poucos municípios interligados por estradas e mesmo esses, em algum momento, é preciso usar balsa, mas a maior parte, ou se chega de avião ou de barco”, explica Yann Evanovich, membro da direção estadual do PCdoB.

Os obstáculos, no entanto, não inviabilizaram o trabalho dos comunistas. Desde julho até o o final de agosto, dezenas de encontros foram realizados, em geral de forma presencial — já que o acesso à internet na região também é precário — e outros tantos ainda acontecerão até os dias 24 e 25 de setembro, quando deverá ocorrer a Conferência Estadual. (veja fotos no final)

Dentre os locais que tiveram atividades e conferências do PCdoB no mês de agosto, além dos distritais e organizações de base em Manaus, estão, entre outros, Benjamin Constant, Careiro, São Paulo de Olivença, que teve etapas com servidores e comunidades indígenas, e  Urucuriuba, que mobilizou até agora 35 filiados. Também foram realizadas conferências em Iranduba, Parintins e Barreirinha, no final de agosto, marcadas por novas e importantes filiações partidárias, inclusive de lideranças indígenas.

No dia 25 de agosto, foi realizada reunião numa ocupação com seis famílias, onde outrora foi a sede da Casa do Estudante Universitário do Amazonas, na Rua Barroso, em Manaus. “Imagina você voltar ao casarão que lhe serviu de abrigo por anos, ainda nos tempos da ditadura, e recordar dos amigos improváveis, os mais libertários ativistas”, lembrou o dirigente local Miguel Pacheco, pelas redes sociais.

Espaço de esperança

Yann salienta que “o 15º Congresso acontece nos marcos de um momento muito singular. Primeiro, porque o PCdoB se aproxima do seu centenário, mas também por esse momento conjuntural e pandêmico que atravessamos”.

O dirigente explica que “a população do Norte do país luta para ser brasileira porque quando olhamos para as condições sanitárias, de desenvolvimento habitacional, econômico, social, é tudo ainda muito precário”.

Além de questões enfrentadas historicamente pela população local e que levaram a este cenário, Yann enfatiza o agravamento dessa situação, resultante da atuação do atual governo. “Bolsonaro tem sido muito danoso para o Brasil inteiro, mas quando a gente olha para o Amazonas, a gente vê uma das faces mais difíceis, com as queimadas e a política intervencionista junto às populações indígenas”.

Os desafios, diz, “são enormes e o processo congressual do PCdoB é um espaço de conhecimento e análise dessa realidade, para pensarmos alternativas e soluções para o que a gente vive nessa região, mas também para apresentarmos um projeto politico de desenvolvimento”.

Ele conclui dizendo que o congresso “é também esse espaço de esperança; é preciso esperançar, apresentar o PCdoB e seus ideais como alternativa e temos feito isso aqui, na Amazônia”.

Por Priscila Lobregatte
Com informações do PCdoB-AM