A Comissão Política Nacional do Partido Comunista do Brasil manifesta sua profunda preocupação e firme condenação diante da grave escalada militar no Oriente Médio após o bombardeio realizado por forças militares dos Estados Unidos, em parceria e coordenação com Israel, contra o Irã em 28 de fevereiro de 2026. A operação resultou no assassinato do líder supremo iraniano, Ali Khamenei, e de outras autoridades políticas e militares do país, desencadeando uma guerra de grandes proporções. Trata-se de um ato de extrema gravidade que representa uma agressão direta à soberania iraniana e uma flagrante violação da Carta da ONU e dos princípios mais elementares do direito internacional. O Irã tem se amparado no direito internacional à legítima defesa para retaliar os adversários beligerantes. 



O ataque imperialista ao Irã não pode ser compreendido como um episódio isolado. Ele se insere em uma estratégia mais ampla de tentativa de recuperação, através do uso da força, da hegemonia global dos Estados Unidos em um momento histórico marcado por profundas transformações e em que uma nova realidade multipolar toma forma. É um momento em que o mundo vive conflitos generalizados, em que interesses de potências nuclearmente armadas estão se opondo. O alto nível de periculosidade deste cenário é que são confrontamentos com alto grau de imprevisibilidade quanto ao seu desfecho.



A ofensiva militar contra o Irã é, portanto, parte de uma estratégia de demonstração de força dirigida não apenas ao próprio Irã, mas a outros atores centrais da disputa geopolítica contemporânea. Ao promover um ataque dessa magnitude e assassinar uma liderança de alto nível de um Estado soberano, Washington busca enviar uma mensagem política e militar a potências que desafiam sua hegemonia global, em particular à Rússia e sobretudo à China. Tudo isso com a anuência da maioria dos países da União Europeia e do Reino Unido, com algumas exceções como a Espanha.



A guerra se dá em um momento em que o poderio dos EUA apresenta sinais crescentes de desgaste diante da emergência de novas potências, do deslocamento do dinamismo econômico mundial para a Ásia e do fortalecimento de articulações multilaterais entre países do Sul Global. Washington busca preservar sua primazia estratégica por meio de uma combinação de pressão econômica, sanções extraterritoriais, fortalecimento de alianças militares e cada vez mais o uso direto da força. Há uma evidente escalada das dimensões da guerra imperialista. Essa orientação encontra expressão na Estratégia de Segurança Nacional dos Estados Unidos publicada ao fim de 2025, que reafirma explicitamente o objetivo de manter a posição dominante global norte-americana e de conter o avanço de potências consideradas rivais estratégicas.



Nesse contexto, a parceria entre Estados Unidos e Israel ocupa posição central na arquitetura geopolítica construída por Washington no Oriente Médio. A cooperação entre os dois países que juntos promovem o genocídio do povo palestino em Gaza envolve integração militar avançada, compartilhamento de inteligência e coordenação direta de operações estratégicas. O bombardeio contra o Irã evidencia o grau de integração dessa aliança e demonstra que Israel funciona como um instrumento fundamental da projeção militar norte-americana no Oriente Médio. Mostra disso é o recurso ao assassinato seletivo de líderes e dirigentes de países soberanos, considerados inimigos, por meio de ações militares cirúrgicas que tem se tornado uma prática corrente de Israel com o suporte dos EUA. Método igualmente empregado pelos EUA na nossa região sul-americana com o sequestro do presidente Nicolás Maduro e da primeira dama e deputada Cília Flores da Venezuela em 3 de janeiro de 2026.



Tal apelo à força militar adquire ainda maior significado quando se considera o papel central do Oriente Médio na disputa energética global. A região concentra algumas das maiores reservas de petróleo e gás natural do planeta e constitui um dos principais nós estratégicos do sistema energético mundial. O controle das rotas marítimas e das infraestruturas energéticas que atravessam o Oriente Médio, incluindo o Golfo Pérsico e o Estreito de Ormuz, possui importância decisiva para o abastecimento energético de diversas economias do mundo, particularmente das economias asiáticas e com destaque para a China. A escalada militar contra o Irã também deve ser interpretada como parte da disputa estratégica pelo controle das fontes e das rotas energéticas que alimentam a economia mundial.



A lógica atual de tentativa de reafirmação da hegemonia norte-americana também se manifesta, como sabemos bem, no hemisfério ocidental, nas Américas como um todo. Washington tem procurado revitalizar sua política tradicional de domínio regional sob o condão da bicentenária Doutrina Monroe ao reafirmar a América Latina e o Caribe como territórios mantidos sob sua influência. Essa orientação tem se traduzido em crescentes ameaças e pressão política, econômica e militar sobre governos da região, com destaque para o genocídio econômico em curso contra Cuba e as chantagens sobre a Venezuela, e em iniciativas destinadas a reforçar a presença militar norte-americana no continente, como o recente acordo firmado com o Paraguai. 



Para o Brasil e para a América Latina, torna-se ainda mais importante afirmar uma política externa baseada na defesa da soberania, na integração regional e na construção de uma ordem internacional multipolar fundada na cooperação entre os povos. Nesse sentido, iniciativas de cooperação entre países do Sul Global e mecanismos multilaterais como os Brics assumem papel estratégico na construção de alternativas ao unilateralismo e à política de força.



Diante da gravidade da situação internacional, o Partido Comunista do Brasil conclama as forças democráticas, progressistas e amantes da paz, no Brasil e no mundo, a intensificar a mobilização contra a guerra, contra o imperialismo e em defesa da convivência pacífica entre as nações.


Pela paz entre as nações.


Contra a escalada da guerra imperialista.


Pelo respeito à soberania dos povos.

07 de março de 2026

Comissão Política Nacional do Partido Comunista do Brasil (PCdoB)