Mensagem de comemoração dos 87 anos de fundação do PCdoB

 

Neste 25 de março, o PCdoB inicia seu 88º ano de luta, em uma situação singular, desafiante e promissora. O Partido prepara o seu 12º Congresso para tirar dela todas as conseqüências.

No mundo todo é grave a crise do capitalismo, a pior em oito décadas, pelo menos. Os trabalhadores e os povos pagam caro por ela, sobretudo com o desemprego, que reclama resposta unitária e vigorosa. A crise traz à luz a falência do sistema baseado na exploração do trabalho pelo capital, a começar por seu coração, o imperialismo estadunidense.

Esta é uma crise não só financeira, mas de toda a economia e também da ideologia do capital. As teses neoliberais vendidas ao mundo durante 30 anos como verdades eternas se espatifam. O Fórum dos burgueses em Davos balbucia autocríticas. Alan Greenspan, papa do culto liberal, pede a estatização dos maiores bancos americanos. Os apóstolos do “livre mercado” agora apelam para pacotes estatais de socorro, “regulação”, “refundação do capitalismo” e para um feroz surto protecionista. O discurso da “globalização” neoliberal caiu por terra: em vez da prosperidade, o entrelaçamento mundial do capital trouxe o alastramento da crise de Wall Street para a Europa, o Japão, o planeta. A “liderança” dos EUA declina, numa transição para um novo quadro de forças mundial.

A crise encerra ao mesmo tempo perigos e oportunidades. Para os comunistas, a oportunidade é de superar o velho regime burguês, libertar os trabalhadores, retomar a alternativa socialista.

O foco do Congresso do PCdoB será atualizar seu programa de transição ao socialismo. É tempo de impulsionar a teoria da revolução, aprender com as experiências socialistas do século 20, com as que prosseguem e as que brotam na América Latina rebelde, de dar mais concretude e força mobilizadora à proposta socialista, balizar o caminho da revolução brasileira.

É este o norte de toda a ação do Partido, de resistência ativa, acumulação de forças, alianças e luta, construção de alternativas progressistas, reformas estruturais e rupturas para a superação revolucionária do capitalismo. Nesse percurso - com o país vivendo uma experiência de novo ciclo político com a eleição de Lula junto com as forças democráticas e de esquerda, com forte apoio popular; e, ainda, num ciclo de expansão do PCdoB - abrem-se perspectivas para aprofundar a luta contra o neoliberalismo no Brasil, no rumo de desenvolvimento, democratização política e social, defesa do meio ambiente, e da afirmação crescente da soberania nacional e integração continental.

Neste 87º aniversário, o PCdoB convoca seus mais de 100 mil militantes para que façam um 12º Congresso na melhor tradição comunista: um processo de estudo, discussão e deliberação coletivas, democráticas, vigorosas, com os olhos postos na prática da luta política e social. Chama mais trabalhadores, intelectuais, jovens, mulheres e homens conscientes a entrarem no partido e darem a sua contribuição ao congresso. Convida as demais forças de esquerda a opinarem também sobre esta pauta, em um diálogo mutuamente enriquecedor, para construir uma esquerda cada vez mais necessária ao Brasil e aos brasileiros.

Voltados para o presente e o futuro, não esquecemos a saga dos 87 anos passados, que reafirmamos e continuamos. Honra aos fundadores do Partido Comunista do Brasil; aos insurretos de 1935; aos reorganizadores do PCdoB revolucionário em fevereiro de 1962; aos guerrilheiros do Araguaia e todos os comunistas da resistência à ditadura; aos que mantiveram o rumo quando era mais densa a treva neoliberal. Deles herdamos a bandeira vermelha da foice e do martelo. A eles dedicamos os avanços que perseguimos nesta situação singular, desafiante e promissora.

São Paulo, 8 de março de 2009, Dia Internacional da Mulher
O Comitê Central do Partido Comunista do Brasil