PCdoB organiza rede nacional de cultura e apresenta planejamento estratégico
O Coletivo Nacional de Cultura do PCdoB realizou, na noite da última terça-feira (06), sua primeira reunião nacional online de 2026. A atividade reuniu simultaneamente 82 participantes na sala virtual e consolidou a criação de uma rede nacional permanente que já reúne mais de 125 integrantes de diferentes estados do país. Com participação de dirigentes partidários, gestores públicos, parlamentares, artistas, produtores culturais, trabalhadores da cultura, estudantes, pesquisadores e militantes culturais, a reunião marcou o início de um novo ciclo de organização nacional do Partido no campo da cultura, voltado à ampliação da presença institucional do PCdoB, à formulação programática e à preparação política para o próximo período.
A atividade foi aberta com uma saudação em vídeo da ministra da Ciência, Tecnologia e Inovação e presidenta licenciada do PCdoB, Luciana Santos, que destacou o papel estratégico da cultura na defesa da democracia, da soberania nacional e da identidade do povo brasileiro. Em sua fala, Luciana afirmou que “a cultura reafirma quem somos, fortalece nossa identidade e alimenta nosso senso de pertencimento”, ressaltando ainda sua importância como instrumento de diálogo social, resistência democrática e disputa de valores diante do avanço do obscurantismo e da extrema-direita no Brasil e no mundo.
Na sequência, a presidenta nacional em exercício do PCdoB, Nádia Campeão, ressaltou a contribuição histórica dos comunistas brasileiros para a construção das políticas culturais nacionais e defendeu o fortalecimento dos coletivos de cultura nos estados e municípios. Segundo ela, “o PCdoB é parte integrante das conquistas institucionais da cultura brasileira”, lembrando o protagonismo do Partido em políticas estruturantes desenvolvidas ao longo dos governos progressistas.
A reunião contou ainda com a participação da presidenta da União Nacional dos Estudantes (UNE) e membro do Comitê Central do PCdoB, Bianca Borges, que destacou o papel da cultura na formação política da juventude e na disputa de valores na sociedade brasileira. Bianca lembrou a trajetória das Bienais da UNE, do Circuito Universitário de Cultura e Arte (CUCA) e das experiências culturais construídas pelo movimento estudantil nas últimas décadas. “Não existe transformação profunda da sociedade sem identidade coletiva, sem símbolos e sem produção cultural capaz de mobilizar consciência e pertencimento”, afirmou.
Também participou da reunião o vereador de Niterói, ex-secretário municipal das Culturas da cidade e membro do Comitê Central do PCdoB, Leonardo Giordano, que defendeu uma maior centralidade estratégica da cultura na disputa política nacional. Em sua intervenção, destacou o papel histórico dos comunistas na defesa das artes, da democracia e da liberdade de expressão, além da importância de integrar experiências locais de gestão cultural desenvolvidas por quadros do Partido em diferentes regiões do país.
O centro da reunião foi a apresentação do planejamento da Secretaria Nacional de Cultura do PCdoB para o período 2026–2027, conduzida pelo secretário nacional de Cultura e membro do Comitê Central, Alexandre Santini. Durante sua exposição, Santini destacou o protagonismo histórico do Partido na formulação das políticas culturais brasileiras, citando iniciativas como a Política Nacional Cultura Viva, os Pontos de Cultura, o fortalecimento do audiovisual brasileiro, o Fundo Setorial do Audiovisual, a Lei Aldir Blanc e a Política Nacional Aldir Blanc. Segundo ele, “o Brasil se tornou referência internacional em políticas culturais e nisso existe uma marca importante da atuação dos comunistas brasileiros”.
Santini apresentou um planejamento voltado à consolidação de uma estrutura nacional permanente para o setor cultural do Partido, com fortalecimento do Coletivo Nacional de Cultura, criação de uma estrutura executiva, articulação de um Fórum Nacional de Secretários de Cultura do PCdoB, ampliação da comunicação cultural, realização de ciclos de formação política, organização dos Festivais Vermelhos nos territórios e implantação de Casas de Cultura e Memória vinculadas ao Partido. Também foram apontadas como prioridades a participação do PCdoB nas eleições do Conselho Nacional de Política Cultural (CNPC), a presença na Teia Nacional dos Pontos de Cultura e o acompanhamento das disputas culturais nos estados e municípios.
Outro eixo importante do encontro foi o debate em torno da contribuição da cultura ao documento “Subsídios à elaboração das reformas estruturais democráticas, indispensáveis ao desenvolvimento soberano e à luta pelo socialismo”. Ao longo das intervenções, dirigentes e militantes defenderam que a cultura seja compreendida não apenas como política setorial, mas como elemento estruturante do desenvolvimento nacional.
Entre as contribuições apresentadas, Irapuan Santos, membro do Comitê Central, destacou a necessidade de ampliar os investimentos públicos em cultura e relacionou o tema diretamente ao debate sobre soberania e desenvolvimento, apontando a contradição entre os elevados gastos com juros e os baixos investimentos destinados às políticas culturais no Brasil.
As intervenções também abordaram temas como a precarização e a pejotização dos trabalhadores da cultura, a disputa de narrativas nas redes digitais, o fortalecimento da comunicação pública, o desenvolvimento de uma indústria cultural brasileira, o combate às desigualdades regionais e a valorização da cultura popular. Representantes de diferentes estados destacaram ainda a necessidade de incorporar ao debate nacional temas relacionados à Amazônia, aos povos indígenas, às periferias e ao patrimônio cultural brasileiro.
A preparação do Partido para as eleições de 2026 também esteve no centro das discussões. Durante o encontro, foi defendida a necessidade de elaborar um programa de propostas do PCdoB para a cultura nas eleições, consolidando o acúmulo histórico do Partido em políticas culturais e transformando essa experiência em plataforma política e programática para o próximo ciclo eleitoral. Santini destacou que o PCdoB precisa afirmar publicamente sua contribuição histórica para as políticas culturais brasileiras, fortalecendo candidaturas identificadas com o setor cultural e ampliando a presença do tema no debate político nacional.
Ao final da atividade, foi consolidada a criação de uma rede nacional permanente do Coletivo Nacional de Cultura do PCdoB, estruturada inicialmente em um grupo virtual com mais de 125 participantes de diferentes regiões do país.
Durante a reunião, dirigentes e militantes também destacaram a contribuição de Javier Alfaya à frente da Secretaria Nacional de Cultura nos últimos anos, reconhecendo seu papel na articulação da militância cultural do Partido e na consolidação da presença do PCdoB nos debates sobre políticas culturais brasileiras.
Encerrando a reunião, Alexandre Santini afirmou que o objetivo do coletivo é construir uma atuação contínua, organizada e nacionalmente articulada, fortalecendo a presença do Partido na formulação cultural brasileira e na disputa política do próximo período. “A cultura é uma dimensão estratégica da luta política. Precisamos fortalecer nossa presença institucional, nossa formulação programática e nossa capacidade de diálogo com a sociedade brasileira”, declarou.
A atividade reafirmou o compromisso do PCdoB com a defesa da cultura como direito do povo, instrumento de transformação social e elemento central de um projeto democrático, soberano e popular para o Brasil.




