Lula anuncia Haddad ao governo de SP com presença de ministros e dirigentes partidários. Ricardo Stuckert

O ministro da Fazenda, Fernando Haddad (PT), teve sua pré-candidatura ao governo de São Paulo oficialmente lançada nesta quinta-feira (19), em evento no Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, em São Bernardo do Campo. A cerimônia reuniu o presidente Lula, o vice-presidente Geraldo Alckmin, ministros de Estado e lideranças partidárias, , entre elas a presidenta do PCdoB, Nádia Campeão, e o presidente do PCdoB-SP, Rovilson Brito, sinalizando que a disputa pelo maior colégio eleitoral do país será central na batalha nacional pela reeleição de Lula e pelo enfrentamento à extrema-direita.

Batalha nacional com epicentro em São Paulo

Para Nádia Campeão, presidenta nacional do PCdoB, presente ao ato, a candidatura de Haddad transcende os limites estaduais. “É uma batalha de grande importância na eleição nacional em que vamos reeleger o presidente Lula e derrotar a extrema direita bolsonarista, defender a democracia, a soberania nacional e a paz”, afirmou.

Segundo Nádia, o PCdoB e sua militância já estão mobilizados para intensificar a participação na disputa. “Aqui se dá um pontapé inicial importantíssimo para essa batalha eleitoral no Brasil, que tem um significado profundo nas condições em que nós estamos vivendo hoje, de graves ameaças à paz, à democracia, à soberania”, destacou.

Estratégia: denunciar Tarcísio e apresentar alternativas

Rovilson Brito, presidente do PCdoB-SP, avaliou que o ato ocorreu em clima de “muita animação” e destacou o “timaço” de lideranças que apoiará Haddad: Simone Tebet, Geraldo Alckmin, Marina Silva e Márcio França, além de Fernando Haddad. “É preciso escalar exatamente como vai ser a chapa, mas quem vai liderar será Fernando Haddad, que vem com mais maturidade e determinação”, disse.

Para Rovilson, a campanha precisa ter “dupla face”. “Primeiro é preciso denunciar com contundência os absurdos que o governo Tarcísio realiza, como a privatização da Sabesp, a questão dos pedágios, a privatização da educação, o desmonte da saúde”, afirmou. “Por outro lado, é preciso apresentar caminhos de desenvolvimento para o estado de São Paulo, que tem que retomar seu papel de liderança tecnológica, econômica, social e política”.

O dirigente comunista ressaltou ainda a necessidade de dialogar com a diversidade paulista: “Temos que dialogar com a baixada, com o Vale do Ribeira, com a Grande São Paulo, que é cheia de contrastes”. E reforçou: “Precisamos mostrar que o Brasil precisa estar em sintonia com o projeto que o presidente Lula defende”.

Haddad: “Disputo para ganhar, não para barganhar”

Em seu discurso, Fernando Haddad rebateu com humor especulações sobre “sacrifício eleitoral”: “Quando vejo dizerem que o Haddad está indo para o sacrifício, é porque essa pessoa nunca tomou um chope comigo”. E foi enfático: “No meu caso nunca existiu barganha. Eu não disputo eleição para barganhar o que quer que seja. Eu disputo a eleição para ganhar”.

Reconhecendo o desafio, Haddad afirmou que a disputa será dura, mas pode resultar em um “despertar importante para o povo paulista”. Sua pré-candidatura se vincula a três eixos: defesa de um projeto claro de Estado, enfrentamento da desigualdade e construção de maioria política sem concessões programáticas.

Unidade discursiva e desafios pela frente

O presidente Lula confirmou sua candidatura à reeleição e elevou o tom contra adversários: “Enquanto esse jovem com 80 primaveras estiver com energia de 30, a extrema direita não volta a governar esse país”. Já o vice-presidente Alckmin apostou na viabilidade da chapa: “Escrevam aí, o Haddad vai ganhar essa eleição”.

O lançamento marca o início de uma pré-campanha que aposta na unidade discursiva e na capilaridade eleitoral. O desafio, a partir de agora, será traduzir esse alinhamento em votos em um estado marcado por contrastes regionais e por uma disputa altamente polarizada.