Eleitor antecipa a definição do voto e reduz margem para 3ª via
A polarização imposta pela ascensão do bolsonarismo produziu um fenômeno político-eleitoral no Brasil: a cada nova disputa à Presidência da República, pesquisas apontam um número maior de brasileiros que definem e cristalizam seu voto com antecedência.
Ao mesmo tempo, vêm caindo os índices históricos de votantes sem opção de candidato no período de pré-campanha e campanha e eleitoral. Se o presidente Lula (PT) é o nome do campo progressista com maior capital político e ligeiro favoritismo à reeleição, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) se firmou como herdeiro do espólio eleitoral do pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
Indicado como candidato ao Planalto em 5 de dezembro, o filho “01” precisou de três meses para consolidar dois movimentos: 1) ser reconhecido como o único candidato bolsonarista; e 2) desidratar outros presidenciáveis de oposição a Lula.
Um recorte da última pesquisa Quaest divulgada na semana passada mostra que, em média, dois terços dos eleitores desses dois candidatos bateram o martelo em definitivo: 67% dos lulistas e 63% dos bolsonaristas dizem que não mudarão o voto. Nos sete cenários testados pela Quaest, Lula oscila no primeiro turno entre 36% e 39% – e Flávio Bolsonaro, entre 30% e 35%.
Para os demais concorrentes, prevalece o risco de infidelidade nas urnas: 67% dos eleitores Romeu Zema (Novo-MG) e 56% dos apoiadores de Ratinho Jr (PSD-PR) admitem que podem trocar de candidatura. A exemplo do que já houve nas eleições de 2018 e 2022, o chamado “voto útil” será uma tendência em 2026.
O cientista político Felipe Nunes, diretor da Quaest, diz haver uma “calcificação política” em curso no País. Mais de 70 milhões de eleitores – talvez até 75 milhões – já optaram definitivamente entre Lula ou Bolsonaro.
Numa disputa tão polarizada, a margem para emergir uma terceira via despenca e se torna quase improvável. O único segmento em que mais da metade dos eleitores admite mudar de voto é entre os jovens de 16 a 34 anos (52%). Em contrapartida, num dos estratos mais lulistas – o eleitorado do Nordeste –, 64% afirmam que já decidiram o candidato.
Encomendada pelo banco Genial, a pesquisa Quaest ouviu 2.004 eleitores, de todas as regiões do Brasil, entre os dias 6 e 9 de março. A margem de erro é de dois pontos percentuais.




