PCdoB comemora 104 anos em defesa do Brasil e do socialismo
O PCdoB, partido mais antigo em atividade no Brasil, comemorou, nesta quarta-feira (25), seus 104 anos de existência com um evento virtual ao vivo, transmitido pelas suas redes sociais. Nas falas dos participantes, ficaram marcados o orgulho e o reconhecimento dessa centenária trajetória de lutas e de amor pelo País e pelo seu povo. Ao mesmo tempo, a live homenageou dois grandes dirigentes que faleceram em fevereiro: Renato Rabelo e Márcio Cabreira.
Apresentado por Renata Rosa e Pedro Campos, dirigentes do partido em São Paulo, o evento começou com uma fala da presidenta em exercício, Nádia Campeão. “É sempre uma alegria celebrar o aniversário do PCdoB, esse partido que nos dá régua e compasso para a nossa luta pelo socialismo, pelos direitos do povo brasileiro, pela democracia e soberania do nosso país há 104 anos”, declarou.
O PCdoB, lembrou Nádia, “acumula um vasto pensamento teórico e político em temas essenciais para o Brasil perseguir um projeto nacional de desenvolvimento sustentável e soberano. Mas, para que essas ideias ganhem força na sociedade, os comunistas precisam defendê-las e divulgá-las, cada vez mais, em muitas frentes e meios”.
Nádia chamou atenção para os aspectos mais urgentes da luta política neste momento, entre os quais a batalha eleitoral. “Reeleger todos os nossos atuais parlamentares e ampliar a nossa bancada na Câmara é um investimento político indispensável para os próximos quatro anos”, afirmou.
Além disso, destacou a importância da luta pela escala 5×2, que pode ser votada ainda neste semestre na Câmara. “Este projeto tem a marca forte do PCdoB: a autoria é da deputada Daiana Santos (RS), com a assinatura de toda a nossa bancada”, lembrou. Para aprovar a matéria, Nádia enfatizou a importância de se manter a mobilização social, para se obter o apoio de larga parcela do povo brasileiro.
A outra bandeira fundamental neste momento, disse a dirigente, “é a luta de homens e mulheres contra a chaga do feminicídio, uma violência brutal que acontece em nível nacional e vem crescendo estimulada pelo ódio, pela misoginia e pelo machismo doentio espalhados pela extrema direita”.
Cenário internacional e nacional
Ao tratar do cenário internacional, Nádia apontou que uma nova realidade multipolar começou a tomar forma nos últimos anos, criando condições para o surgimento de articulações estratégicas internacionais e projetos nacionais autônomos, fora do circuito imperialista, a exemplo dos Brics.
Nesse quadro, disse que a China socialista se destaca “como protagonista na construção de uma nova ordem mundial, defendendo a paz, o desenvolvimento e a cooperação. A reação dos EUA a essa nova realidade e ao seu próprio declínio tem sido brutal, principalmente a partir do segundo mandato de Trump, pela via do extremismo de direita e do neofascismo”.
Ela prosseguiu argumentando que aquilo que começou com medidas de guerra comercial através do tarifaço indiscriminado “evoluiu rapidamente para ameaças, chantagens, sanções, ações bélicas unilaterais e a violação de toda e qualquer regra do direito internacional com a invasão da Venezuela e o sequestro de seu presidente, Nicolas Maduro, e sua companheira e deputada, Cilia Flores”.
Nádia acrescentou que o imperialismo estadunidense, liderado por Trump e em conluio com o governo genocida de Israel, “elevou as tensões mundiais ao máximo com os ataques unilaterais ao Irã, assassinando lideranças e autoridades, mas também matando crianças, destruindo infraestrutura e levando o caos e a guerra para todo o Oriente Médio”.
Nesse sentido, defendeu a necessidade de denunciar a ameaça de a guerra se espalhar pelo mundo e afetar as economias globais, bem como as perseguições que continuam acontecendo contra os palestinos em Gaza e que, agora, atingem também o Líbano. “Precisamos mostrar que tudo isso é de inteira responsabilidade do imperialismo estadunidense e do regime genocida de Israel”, sublinhou.
Da mesma forma, salientou, “é preciso denunciar o cerco criminoso que Trump promove contra Cuba, com o bloqueio total de petróleo e outros insumos e as ameaças de intervenção e deposição do regime cubano. Devemos ter permanente e militante solidariedade a Cuba”.
No caso do Brasil, Nádia ponderou que o atual contexto mundial torna fundamental uma vitória das forças progressistas, democráticas e realmente patrióticas. “A reeleição do presidente Lula representa a reafirmação da soberania nacional, a voz e a liderança do Brasil na defesa da paz, na contenção das agressões de Trump e dos interesses econômicos e militares estadunidenses na América Latina”, completou.
Para o povo brasileiro, prosseguiu, “a vitória de Lula significará a possibilidade de continuar construindo um caminho de desenvolvimento nacional, de crescimento com direitos, de respeito aos direitos humanos, de luta contra as desigualdades e contra o racismo, de proteção às nossas riquezas e ao nosso patrimônio natural e cultural”.
Reconhecimento
Na sequência, a live apresentou uma série de depoimentos de lideranças comunistas que atuam no parlamento, nos movimentos sociais e no próprio partido.
A deputada federal Jandira Feghali (RJ), líder do partido na Câmara, destacou que “em 45 anos de PCdoB, aprendo cada dia mais a admirar essa corrente revolucionária que, desde 1922, hasteia a bandeira do socialismo, da defesa profunda da democracia, das liberdades individuais e coletivas”.
Adilson Araújo, presidente da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB), destacou a importância dos comunistas na construção da entidade criada em 2007 e que hoje é a segunda mais importante do país no movimento sindical. “Como dizia Paulo Freire, a esperança é revolucionária e esta esperança segue viva neste momento em que o PCdoB celebra 104 anos”, afirmou.
Presidenta da União Nacional dos Estudantes (UNE), Bianca Borges enfatizou que “o PCdoB acredita em um Brasil desenvolvido através da implantação de um novo projeto nacional de desenvolvimento, mas também acredita que a plena dignidade e igualdade só serão conquistadas com um Brasil socialista. Este é o sonho que nos move, nos moveu nos últimos 104 anos e nos moverá até o triunfo da revolução brasileira”.
Na sequência, foram exibidas, ainda, as saudações de Flávia Calé, secretária de Mulheres do PCdoB; Getúlio Vargas, presidente da Conam; Marina Duarte, coordenadora da Unegro e Ana Prestes, secretária de Relações Internacionais do PCdoB.
Data épica

Outro ponto alto da live foi a participação da presidenta licenciada do PCdoB e ministra da Ciência, Tecnologia e Inovação, Luciana Santos. “Nesta noite de 25 de março, data épica, estamos juntos e juntas neste ato comemorativo de mais de um século de presença contínua da legenda comunista na história do Brasil, sempre em conexão com a dinâmica da luta de classes no plano mundial”.
Luciana salientou que “em meio à ascensão da extrema direita, estamos na linha de frente na defesa da democracia” e que “diante das múltiplas crises do capitalismo, o socialismo retoma prestígio como necessidade e alternativa viável”.
A dirigente lembrou de alguns dos fatos mais marcantes da história do PCdoB, desde a sua fundação em 1922, passando por momentos graves como a ditadura e a perda de dezenas de militantes e dirigentes pelas mãos do regime até a conquista da democracia, as eleições de 1989 e a chegada de Lula à Presidência da República em 2003.
“Hoje, o PCdoB está novamente na linha de frente da pré-campanha para a reeleição do presidente Lula, defendendo a formação de uma aliança ampla em torno de um programa avançado para isolar e derrotar a extrema direita e setores a ela associados — os traidores da pátria, serviçais de Trump, inimigos da democracia, instrumentos dos rentistas e do capital financeiro”, enfatizou.
Luciana afirmou, ainda, que “o melhor modo de demonstrarmos nossa consciência e amor ao PCdoB e ao Brasil é lutarmos com toda energia e sabedoria pela vitória do nosso projeto eleitoral e pela reeleição de Lula”.
Renato e Cabreira
Num dos momentos mais emocionantes da live, os comunistas homenagearam dois grandes nomes do partido: o ex-presidente do PCdoB, Renato Rabelo, e o dirigente Márcio Cabreira, falecidos em fevereiro.

“Renato, nosso grande dirigente, liderança marcante dos comunistas brasileiros, faleceu no dia 15 de fevereiro, aos 82 anos. Foi um dos principais ideólogos e construtores do partido, com mais de 60 anos de militância revolucionária”, recordou Luciana.
A presidente licenciada também lembrou que Renato enfrentou a ditadura, foi exilado, voltou ao Brasil com a anistia e conviveu com o histórico presidente do partido, João Amazonas, iniciando ao seu lado a trajetória de formulador teórico, organizador e dirigente do partido.
Ela também ressaltou a importante contribuição de Renato para ampliar e fortalecer os laços do PCdoB com partidos e organizações de outros países. E chamou atenção para seu papel, junto com Amazonas, na articulação da Frente Brasil Popular (PT-PSB-PCdoB) que lançou, em 1989, a primeira candidatura de Lula à presidência.
“Já à frente do PCdoB, sucedendo Amazonas, Renato elaborou as diretrizes da participação dos comunistas em governos de coalizão no capitalismo, tendo em vista o convite para o partido participar, pela primeira vez na história, de um ministério do governo da República”, disse Luciana lembrando a composição do mandato de Lula em 2003.
Em seguida, Luciana homenageou Márcio Cabreira, dirigente nacional falecido em 10 de fevereiro, aos 54 anos. “Ele foi, desde a juventude, um imprescindível lutador das causas da soberania nacional, dos direitos do povo e do socialismo”, salientou.

Ela lembrou da passagem de Cabreira, ainda jovem, pela direção da Ubes (União Brasileira dos Estudantes Secundaristas) e pelo MR8, destacando seu papel na fundação do PPL (Partido Pátria Livre) e, mais tarde, na integração da sigla ao PCdoB, ocupando postos de destaque na direção nacional.
“Cabreira conquistou liderança e admiração do coletivo militante por seu perfil, que associava capacidade política ao elevado compromisso revolucionário e à sua dedicação incansável, além de ser um fator de unidade por seu estilo de sempre buscar o diálogo e construção”, acrescentou.
Ao fim, Luciana sublinhou, citando o poeta Thiago de Melo: “pelo legado que nos deixaram, eles se despediram de nós para permanecer. Renato e Márcio, presentes, sempre!”.
Em sua fala, o segundo vice-presidente do PCdoB, Carlos Lopes enfatizou que Cabreira “era uma pessoa rara”, que tinha na luta política sua principal motivação. Vitória Cabreira, filha de Márcio Cabreira, também falou sobre a trajetória e o amor pelo pai.
Também foram exibidos vídeos em homenagem a Rabelo, com depoimentos da ex-deputada e integrante to Comitê Central, Jô Moraes; de Gustavo Petta, secretário Juventude; Nivaldo Santana, secretário Sindical; Walter Sorrentino (presidente da Fundação Maurício Grabois); Ana Prestes e Celina Rabelo, filha de Renato Rabelo.




