Germana Pires assume secretaria no MCTI com foco em ciência para todos
Germana Pires, presidente do Diretório Estadual do PCdoB no Tocantins, assumirá a Secretaria de Ciência e Tecnologia para o Desenvolvimento Social do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI). O convite foi feito pessoalmente pela ministra Luciana Santos, e Germana substitui Inácio Arruda, que deixa o cargo para assumir mandato na Câmara Federal.
A nomeação reforça a presença do Norte do país na estrutura ministerial e traz para Brasília uma trajetória marcada pela articulação entre ciência, território e inclusão social. O convite é visto como reconhecimento à capacidade de articulação entre conhecimento científico, gestão pública e desenvolvimento regional
Trajetória técnica e compromisso regional
Arquiteta, urbanista e professora universitária, Germana Pires presidiu a Fundação de Amparo à Pesquisa do Tocantins (FAPT), onde contribuiu para a organização do ecossistema estadual de CT&I.
“Minha trajetória no Tocantins e na região amazônica me proporciona um olhar muito concreto sobre desigualdades do Brasil real”, afirmou em entrevista à reportagem.
Para ela, a experiência em um território com desafios logísticos e sociais complexos prepara para pensar soluções adaptáveis e inclusivas em escala nacional.
Prioridades: popularização da ciência e redução de desigualdades
À frente da secretaria, Germana terá como foco imediato consolidar a política de popularização da ciência.
“Nossa missão é fazer com que a ciência chegue a todos os rincões do Brasil, mostrando que ela é o motor do desenvolvimento e da melhoria de vida nas comunidades”, declarou.
A meta é garantir que políticas de CT&I alcancem especialmente comunidades menos assistidas, conectando ações federais às necessidades locais. A proposta é garantir que programas federais alcancem o chamado “Brasil profundo”, reduzindo desigualdades históricas e fortalecendo o papel estratégico do Norte no desenvolvimento nacional.
Legado de Inácio Arruda e continuidade de políticas
Germana assume a pasta após a gestão de Inácio Arruda, destacando o legado de reconstrução das políticas de ciência e tecnologia. Arruda, atuou pela reestruturação de políticas públicas de CT&I após desmonte do governo Bolsonaro, o fortalecimento da participação social e a retomada das conferências nacionais.
“Pretendo dar continuidade ao que já vem funcionando, sobretudo no fortalecimento dos programas estruturantes e das parcerias institucionais”, afirmou, acrescentando que busca avançar na consolidação dos resultados nos estados e municípios.
Entre os desafios, aponta a necessidade de ampliar o financiamento da pesquisa, transformar ciência em impacto social e fortalecer a indústria nacional de base tecnológica como caminho para a soberania do país.
Desafios: transformar ciência em impacto real
Para a nova secretária, os principais desafios da área no Brasil passam por transformar a ciência em impacto concreto na vida das pessoas, de forma integrada e descentralizada.
“É preciso garantir financiamento crescente da pesquisa voltada para o desenvolvimento do país, garantindo bem-estar para a população”, disse.
Ela também destacou a necessidade de fortalecer a indústria nacional de base tecnológica como caminho para avançar na soberania tecnológica em um cenário global competitivo.
Visão de futuro: ciência como instrumento de justiça social
Germana Pires reforçou que sua gestão dialogará com uma tradição política que defende a ciência como instrumento de soberania e justiça social.
“Meu objetivo é contribuir com uma política de ciência e tecnologia que seja, ao mesmo tempo, estruturante e inclusiva: uma política que reduza desigualdades, forme talentos, gere empregos qualificados e transforme conhecimento em desenvolvimento concreto”, concluiu.
A nomeação é vista como um reconhecimento à articulação política e competência técnica da líder política, que promete levar o “jeito tocantinense” de fazer política pública para o centro das decisões em Brasília.
(por Cezar Xavier)




