Convenção do PCdoB formalizou apoio à candidatura de Lula e Alckmin à Presidência da República em 2026. Foto: Cezar Xavier

O PCdoB realizou nesta sexta-feira (31) sua Convenção Eleitoral Nacional, marcando a oficialização do apoio à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e à candidatura de Geraldo Alckmin à vice-presidência. O evento reuniu lideranças da Federação Brasil da Esperança e de partidos aliados, consolidando a estratégia de uma ampla frente democrática para as eleições de 2026.

A decisão integra a estratégia da Federação Brasil da Esperança e consolida a participação do partido na frente política que busca a reeleição do atual presidente. A convenção, realizada no formato híbrido, teve entre os pontos da pauta a aprovação da chapa presidencial, a definição de alianças e a autorização para que a Comissão Política Nacional delibere sobre eventuais ajustes na coligação.

Nádia: soberania está no centro da disputa

Presidenta nacional em exercício do PCdoB, Nádia Campeão colocou a soberania nacional como um dos principais eixos da estratégia eleitoral. A dirigente vem associando a eleição presidencial à disputa sobre o modelo de desenvolvimento brasileiro, a defesa das riquezas nacionais e a capacidade do país de definir autonomamente suas políticas.

Em sua manifestação, Nádia sintetizou essa preocupação ao afirmar: “Nesta eleição, nós precisamos defender a soberania do Brasil. O Brasil precisa de um presidente que defenda o Brasil, a economia brasileira, o povo brasileiro e a Constituição brasileira.”

Na avaliação da dirigente, o cenário internacional, marcado por disputas comerciais, tensões geopolíticas e pressão sobre recursos estratégicos, torna a eleição de 2026 particularmente relevante. A defesa da soberania aparece vinculada à reindustrialização, à geração de empregos, à proteção dos serviços públicos e ao domínio brasileiro sobre áreas estratégicas, como minerais críticos e tecnologia.

Nádia também sustenta que a vitória eleitoral precisa ser acompanhada de organização social. Em sua intervenção, resumiu a posição: “Não basta eleger o presidente Lula. É fundamental elegê-lo, porque estaremos defendendo o Brasil e os direitos do povo brasileiro. Mas isso não basta. Nós precisamos estar mobilizados e organizados para cobrar mais direitos.”

A presidenta em exercício destacou que a disputa de 2026 transcende as fronteiras brasileiras, inserindo-se em um embate civilizatório global. A dirigente sublinhou que a reeleição de Lula é a principal barreira contra o avanço do fascismo e do imperialismo na América Latina, defendendo a soberania nacional, o controle dos recursos estratégicos (como os metais críticos e as terras raras) e a necessidade de um projeto de desenvolvimento que una a transição energética à geração de empregos de qualidade.

Luciana Santos defende frente ampla e projeto nacional

Ministra da Ciência, Tecnologia e Inovação e presidenta nacional licenciada do PCdoB, Luciana Santos destacou a identidade histórica da legenda com a defesa da soberania e da emancipação nacional. Em sua participação na convenção, ela apresentou a reeleição de Lula como parte de uma estratégia mais ampla de enfrentamento das crises política, econômica e geopolítica.

“Nós somos um Partido imprescindível à democracia e à luta pela emancipação nacional”, afirmou Luciana. Segundo ela, a soberania passa também pela superação da dependência tecnológica e pela construção de capacidade nacional de inovação e desenvolvimento.

A ministra defendeu a continuidade da política de alianças construída pelo PCdoB nos últimos anos. Para ela, a chapa Lula-Alckmin expressa a concepção de frente ampla que o partido passou a defender como instrumento para enfrentar a direita e ampliar as condições de governabilidade.

Luciana também chamou atenção para o fortalecimento parlamentar do PCdoB. Segundo sua intervenção, a legenda possui atualmente 11 parlamentares e pretende ampliar sua bancada nas eleições de outubro. O objetivo é combinar a reeleição de Lula com o crescimento da representação comunista no Congresso Nacional.

Altair: convenções preparam a estrutura da campanha

Bianca Borges, Carlos Lopes, Alair Freitas, Nádia Campeão, Rosanita Campos e Nivaldo Santana. Foto: Cezar Xavier

Um dos momentos técnicos e decisivos do evento foi a leitura do edital de convocação e dos termos de coligação, a cargo do secretário de Organização do PCdoB, Altair Freitas. Freitas formalizou a deliberação da legenda para a composição com PSB, PV, PDT e a Federação PSOL-Rede.

Altair Freitas acrescenta à dimensão política uma preocupação essencialmente organizativa. Para o secretário nacional de Organização, as convenções não são apenas atos formais destinados a cumprir o calendário eleitoral, mas parte de uma preparação mais ampla da estrutura partidária.

Ele explicou que, após as convenções, haverá um período dedicado à preparação dos registros e à organização das campanhas. A propaganda eleitoral começa oficialmente em 16 de agosto, enquanto o horário eleitoral gratuito no rádio e na televisão terá início em 28 de agosto.

O PCdoB vem realizando convenções estaduais e participando também das atividades da Federação Brasil da Esperança. Para Altair, esse processo serve para mobilizar o coletivo partidário, fortalecer a atuação nos territórios e preparar a militância para a fase decisiva da disputa.

A estratégia combina, assim, três objetivos: contribuir para a reeleição de Lula, ampliar a presença do PCdoB nos Legislativos e fortalecer a organização partidária.

“Sempre precedidas de um grande debate interno no partido, as convenções são o momento de sacramentar institucionalmente os projetos construídos ao longo desse processo”, afirmou Altair. O dirigente ressaltou ainda que o período entre as convenções e o início da campanha será utilizado para preparar a militância para a disputa eleitoral.

O dirigente detalhou os mecanismos de delegação à Comissão Política Nacional para eventuais ajustes e ratificou o manifesto “PCdoB com Lula e Alckmin”.

Aliados exaltam unidade e alertam para ameaça global

O ato político contou com a participação de representantes dos partidos e federações aliadas, que reforçaram a urgência da unidade contra a extrema-direita.

O presidente nacional do PT, Edinho Silva, alertou para a crise do capitalismo e a ascensão de uma direita de inspiração fascista no mundo, citando o fenômeno de Donald Trump como um “imperialismo do século XXI”. Edinho defendeu que a reeleição de Lula garante a democracia, a segurança pública, a mobilidade urbana e o protagonismo do Brasil no multilateralismo.

A presidenta do PSOL, Paula Coradi, exaltou a militância do PCdoB e citou Gramsci para alertar que, na crise do neoliberalismo, “surgem monstros”. Paula defendeu um programa progressista que inclua o fim da escala 6×1, a taxação dos super-ricos, a demarcação de terras indígenas e o combate ao racismo, afirmando que a unidade foi a maior força para derrotar o bolsonarismo em 2022 e será a chave para 2026.

O presidente em exercício do PV, Reinaldo Nunes, destacou a maturidade da Federação Brasil da Esperança, ressaltando que a visão do Partido Verde vai além da defesa das árvores, integrando a pauta socioambiental à justiça social.

O conjunto das manifestações revelou uma estratégia eleitoral que procura combinar a preservação da aliança construída em torno de Lula com uma agenda própria do PCdoB. Soberania, desenvolvimento tecnológico, reindustrialização, direitos sociais, democracia e mobilização popular aparecem como os principais eixos que o partido pretende levar à campanha de 2026.