A inauguração, que incluiu roda de samba, banca de livros da Editora Anita Garibaldi e momentos de confraternização, reforçou a aposta na cultura como instrumento de mobilização e diálogo social.

A inauguração da Casa Augusto Buonicore, nova sede municipal do PCdoB em Campinas, marca mais do que a abertura de um endereço partidário. O espaço, apresentado oficialmente na sexta-feira (23), nasce com a ambição de se tornar um centro permanente de produção cultural, formação política e articulação do campo democrático e popular no município.

Reunindo cerca de 350 pessoas ao longo da noite, a atividade combinou ato político, homenagem histórica e manifestações culturais, sinalizando a proposta de integração entre memória, cultura e organização social que orienta o projeto.

Um espaço que dialoga com a cidade

Localizada no bairro Botafogo (Rua Delfino Cintra, 550), a Casa foi concebida para funcionar como um espaço aberto, voltado não apenas à militância partidária, mas também a movimentos sociais, sindicatos, artistas, intelectuais e organizações da sociedade civil. A presença de representantes do PT, do PV e de dirigentes do PCdoB de diferentes regiões reforçou o caráter unitário da iniciativa, alinhada à estratégia de fortalecimento da Federação Brasil da Esperança no plano local. O secretário Sindical Nacional do PCdoB Nivaldo Santana prestigiou a inauguração.

Para o vereador Gustavo Petta, secretário nacional de Juventude do PCdoB, a Casa expressa um novo momento da esquerda em Campinas. “É um espaço que une memória, cultura e organização política, fundamental para os desafios que Campinas e o Brasil enfrentam”, afirmou.

Homenagem a um intelectual militante

A escolha do nome Augusto Buonicore (1960-2020) confere densidade simbólica ao projeto. Historiador, cientista político e militante comunista, Buonicore teve atuação destacada em Campinas e projeção nacional na elaboração teórica do marxismo brasileiro, com estudos sobre Gramsci, Lênin, movimento comunista, cultura e questões contemporâneas como gênero, raça e sexualidade.

Sua trajetória combina militância de base, atuação sindical (Sindicato dos Servidores Municipais de Campinas), produção intelectual e dedicação à formação política. Dirigente do PCdoB, membro do Comitê Central e quadro da Fundação Maurício Grabois, Buonicore foi um dos principais formuladores da política nacional de formação do partido, além de servidor público comprometido com o resgate da memória cultural da cidade. Foi um dos fundadores da Escola Nacional João Amazonas e atuou como professor nos cursos nacionais do Partido.

Estrutura voltada à formação e à cultura

A Casa Augusto Buonicore conta com biblioteca, salas de reunião, espaço de coworking e um estúdio para produção e transmissão de conteúdos em áudio e vídeo. O amplo quintal abriga um palco para atividades culturais e políticas, além do Bar Osvaldão, homenagem a outro símbolo histórico da resistência popular na Guerrilha do Araguaia.

De acordo com Carlos Siqueira, presidente municipal do PCdoB, a proposta é manter uma programação permanente, com cineclube, feiras populares, debates, cursos de formação e atividades culturais. “Não é apenas a sede do partido, mas um espaço para dialogar com a população que compartilha valores democráticos e progressistas”, afirmou.

“O Augusto foi uma figura muito emblemática na cidade, um servidor público que ajudou a fundar o sindicato da categoria, um trabalhador com consciência de classe que não se contentou em ficar no seu posto de trabalho, organizou o sindicato e ao longo da sua vida veio formando, organizando e criando várias lutas e cursos de formação. Então a casa traz esse espírito combativo”, destaca Siqueira.

Cultura, política e unidade como estratégia

A inauguração, que incluiu roda de samba, banca de livros da Editora Anita Garibaldi e momentos de confraternização, reforçou a aposta na cultura como instrumento de mobilização e diálogo social. Em um cenário de disputas políticas intensas e desafios urbanos complexos, a Casa se apresenta como um ponto de convergência para a construção de agendas comuns da esquerda em Campinas.

Mais do que preservar a memória de Augusto Buonicore, o espaço pretende atualizar seu legado: articular pensamento crítico, organização coletiva e ação política enraizada na realidade local, conectando passado, presente e futuro das lutas populares.

As fotos são de Cássia Belini:

(Por Cezar Xavier)