O Comitê Estadual do PCdoB no Pará divulgou nota de pesar pela morte de Renato Rabelo, que presidiu nacionalmente o partido entre 2001 e 2015. No texto, assinado pelo presidente estadual Cleber Rezende, a direção paraense recorda que Rabelo foi sucessor do também paraense João Amazonas na condução do Partido Comunista do Brasil.

A nota destaca que o dirigente liderou o partido durante a oposição ao governo de Fernando Henrique Cardoso e, posteriormente, conduziu o PCdoB à participação no primeiro escalão do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Também foi lembrada a transição que realizou ao passar a presidência nacional para Luciana Santos, primeira mulher a comandar o partido.

“O camarada Renato Rabelo formou gerações em nossa organização político-comunista, sendo referência teórica e organizativa para nós do Pará e do Brasil”, afirma o texto, encerrado com a consigna histórica: “Renato Rabelo, presente!”.

“Teu nome é ousadia”, diz Leila Márcia

Para a dirigente paraense Leila Márcia, Rabelo foi o principal mentor político da juventude comunista nas últimas décadas. Ela ressalta sua “visão estratégica” e a capacidade de articular teoria e prática.

Segundo Leila, foi sob orientação de Rabelo que a juventude do partido assumiu protagonismo no movimento pelo impeachment do ex-presidente Fernando Collor, adotando a palavra de ordem “Fora Collor” por meio da mobilização da União da Juventude Socialista, da União Brasileira dos Estudantes Secundaristas e da União Nacional dos Estudantes.

Ela recorda ainda que Rabelo insistia na “análise concreta da realidade concreta”, defendendo flexibilidade tática e objetividade política. “Renato, o teu nome é ousadia. Nunca vou esquecer isso”, afirmou.

Integração histórica e formulação estratégica

O dirigente Jorge Panzera, membro do Comitê Central, destacou a trajetória de mais de cinco décadas de Rabelo, desde sua atuação na Ação Popular até a liderança no PCdoB.

Panzera ressaltou que o ex-dirigente comunista foi um dos responsáveis pela integração da Ação Popular ao partido nos anos 1970 e um dos principais formuladores da estratégia política comunista voltada a um novo projeto nacional de desenvolvimento e ao caminho brasileiro para o socialismo.

“Renato foi pensador e homem de ação. Dedicou sua vida à construção de um partido revolucionário, forjado na luta do povo”, afirmou.

Formação de quadros e legado duradouro

Os depoimentos enfatirazam o papel formador de Rabelo. Dirigentes atuais no Pará reconhecem ter sido educados politicamente sob sua orientação direta, marcada por rigor teórico, paciência pedagógica e disciplina organizativa.

Para o PCdoB paraense, o vazio deixado por sua partida física é proporcional ao legado político construído. A síntese expressa nos textos e falas ecoa a tradição comunista: o dirigente pode partir, mas o projeto coletivo permanece.

Em Belém, a despedida foi marcada por gratidão e reafirmação de compromisso com a linha estratégica que ajudou a consolidar. “Quando o legado de um revolucionário é a construção de um partido comunista, ele nunca morrerá”, concluiu Panzera.

(por Cezar Xavier)