Em Istambul, PCdoB reforça papel do Brasil na luta internacional
Entre a Europa e a Ásia, Istambul segue sendo, há séculos, um ponto de encontro entre culturas, povos e projetos de mundo. Cidade marcada por disputas, transformações e resistência, foi nesse cenário que, no dia 19 de abril de 2026, partidos comunistas e operários de diferentes países, inclusive o PCdoB, se reuniram para discutir os rumos da luta internacional em um contexto de crescente instabilidade global.
A reunião do Grupo de Trabalho do Encontro Internacional de Partidos Comunistas e Operários, organizada pelo Partido Comunista da Turquia, ocorreu em um momento particularmente delicado, marcado pela intensificação das tensões geopolíticas, pelo avanço da ofensiva imperialista e pelo agravamento de conflitos em diversas regiões do mundo.
Estiveram presentes representantes de 24 partidos comunistas de 21 países da Ásia, do Oriente Médio, da Europa e da América Latina e Caribe, reafirmando o caráter internacional e plural do espaço, que há décadas se constitui como um dos principais fóruns de articulação do movimento comunista.
Foi nesse contexto que o Partido Comunista do Brasil participou da reunião, representado pelo dirigente do comitê de Minas Gerais e membro das Comissões Nacionais de Juventude e Cultura, Tiago Alves Ferreira, contribuindo para o processo de debate político, a construção de consensos e o fortalecimento da articulação entre os partidos. Foi distribuído às delegações presentes um documento político com a análise do PCdoB sobre a conjuntura internacional.
Ofensiva imperialista

No texto, o PCdoB afirma que “vivemos um momento de intensificação das contradições do sistema capitalista e de avanço da ofensiva imperialista em escala global”, destacando o caráter estrutural da crise e sua expressão na intensificação das guerras, nas sanções econômicas e nas pressões sobre países soberanos.
O documento aponta ainda que essa ofensiva se manifesta de forma particularmente grave no Oriente Médio, com destaque para o genocídio em curso dos sionistas contra o povo palestino, a guerra de Trump e Netanyahu contra o Irã e o massacre do povo libanês por Israel configurando um cenário de risco crescente a todos os povos do mundo. “Diante disso, reafirmamos a necessidade de fortalecer a luta pela paz mundial”, registra o texto.
A situação de Cuba ocupou papel central na reunião. Os partidos aprovaram a realização do próximo Encontro Internacional de Partidos Comunistas e Operários (EIPCO) em Havana, entre os dias 6 e 9 de agosto, e definiram como tema a defesa do legado da Revolução Cubana e do centenário de Fidel Castro.
A formulação aprovada, “Defender e honrar o legado da Revolução Cubana no centenário de Fidel, aprofundando a solidariedade com Cuba socialista, fortalecendo nossas ações conjuntas e unindo forças pela paz e contra a agressão imperialista”, já circula entre os partidos membros como a insígnia política do encontro.
Na ocasião, o Partido Comunista de Cuba também convidou as delegações presentes a participarem do “Colóquio Internacional Fidel: Legado e Futuro”, que acontecerá no país entre os dias 10 e 13 de agosto.

Foi também aprovada uma declaração de apoio a Cuba frente à intensificação da hostilidade dos Estados Unidos. O documento denuncia “a crescente agressão multidimensional dos Estados Unidos contra Cuba” e afirma que essa política constitui “uma estratégia de punição e sufocamento marcada por seu caráter desumano e genocida”. A declaração também aponta o bloqueio econômico, comercial e financeiro como uma violação do direito internacional e convoca à ampliação da solidariedade internacional ao povo cubano.
Além da declaração sobre Cuba, foram aprovadas notas políticas que expressam a posição dos partidos diante da conjuntura internacional: em solidariedade ao povo libanês, contra a repressão política na Jordânia e pela libertação imediata dos militantes presos e contra a escalada de agressões no Oriente Médio. Esta última denuncia “o imperialismo dos Estados Unidos e a agressão militar israelense contra o Irã e o Líbano, bem como as políticas genocidas contínuas do governo israelense” e reafirma “a luta heroica dos povos pela paz, pelo progresso e pela soberania nacional”.
Em seu documento ao encontro, o PCdoB também destaca que a resistência de Cuba constitui um símbolo vivo da luta anti-imperialista. O texto afirma que “defender Cuba é defender o direito dos povos de decidirem seu próprio destino”.
Para além das atividades centrais do encontro, durante a agenda em Istambul, o PCdoB realizou, no sábado, uma reunião bilateral com o Partido Comunista da Turquia, com a participação de Aslıhan Ilgaz, do Bureau Internacional do TKP, na qual foram trocadas impressões sobre a situação internacional, apresentada a situação do Brasil e os desafios colocados ao movimento comunista, aprofundando o diálogo político e fortalecendo os laços entre as duas organizações. A participação do PCdoB reafirma seu compromisso com o internacionalismo e com a luta por paz, soberania e socialismo.




