Comitê Negras e Negros com Lula articula mobilização da campanha eleitoral
O Comitê Nacional Negras e Negros com Lula realizou, na noite desta terça-feira (4), reunião virtual para definir a estrutura de mobilização da campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva junto à população negra. O encontro focou na organização territorial, no combate à extrema direita e na redução do déficit de votos na Região Sudeste, apontada pela coordenação como o centro estratégico da disputa eleitoral.
Organizado pelo PCdoB e pelo PT, o encontro deliberou sobre a expansão dos comitês estaduais, o calendário de ações simultâneas em todo o país e a organização de uma plenária nacional prevista para 15 de agosto, em São Bernardo do Campo.
Estratégia territorial e disputa no Sudeste
A orientação central é que a disputa eleitoral se dará prioritariamente nas comunidades e bairros de cada município. Segundo a coordenação, alguns estados já possuem estrutura organizada e outros estão em fase de constituição, com a meta de alcançar os 27 estados.
Edson França, secretário de Combate ao Racismo do PCdoB e dirigente da Unegro, destacou que a prioridade da campanha é disputar o eleitorado no Centro-Sul, especialmente em São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais e Rio Grande do Sul. A Região Sudeste foi apontada como eixo estratégico. O desafio é reduzir a desvantagem de Lula e tentar definir o resultado ainda no primeiro turno.
“Quem tem que falar por nós, somos nós. As redes acompanham a ação nacional e o trabalho nas localidades. Nós nos constituímos como atores e atrizes políticos relevantes para este processo eleitoral”, declarou Edson França.
O dirigente destacou que segmentos em disputa — eleitores evangélicos, trabalhadores de aplicativo e mulheres jovens — são majoritariamente compostos por pessoas negras, o que exige uma abordagem estratégica da campanha.
França defendeu a presença nas favelas para conversar com o povo. ”Na localidade, a gente pode compor trazendo personalidades com muito respeito no local. […] Tem muita gente que não é chamada pra campanha. Tem que fazer essa busca ativa.”
Calendário nacional de mobilização
Entre as resoluções aprovadas, destacam-se três datas de panfletagem e atos simultâneos em todos os municípios onde houver comitês organizados:
- 28 de agosto (sexta-feira) – entrega de material em praças, terminais de transporte e espaços públicos, com registro massivo em redes sociais;
- 11 de setembro (sexta-feira) – segunda jornada simultânea de mobilização;
- 25 de setembro (sexta-feira) – terceira jornada, consolidando a presença do movimento nas ruas e no ambiente digital.
Além dessas ações, ficou definida a plenária nacional híbrida no dia 15 de agosto, véspera do lançamento oficial da campanha de Lula, marcado para 16 de agosto na Vila Euclides, em São Bernardo do Campo. A expectativa é reunir entre 300 e 500 participantes no Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, com a presença de representantes da coordenação da campanha para apresentação do panorama eleitoral.
São Paulo como eixo estruturante
O estado de São Paulo recebeu atenção especial na reunião. Além da importância eleitoral, foi deliberada a criação de comitês regionais em polos do interior: Vale do Paraíba, Vale do Ribeira, região de Campinas, Ribeirão Preto e região central. A composição desses comitês locais poderá incluir, além de partidos e entidades organizadas, lideranças comunitárias com atuação reconhecida.
Entre as ações sugeridas estão: visitas a comunidades tradicionais de matriz africana, terreiros, rodas de samba e capoeira; participação em feiras, bailes e pontos de ônibus; realização de lives, saraus e palestras; e busca ativa de lideranças ainda não engajadas.
Amplitude partidária e do movimento negro

O encontro reuniu representantes de partidos da Federação Brasil da Esperança e de outras legendas do campo progressista, dirigentes de entidades nacionais e estaduais do movimento negro, lideranças comunitárias, sindicais, religiosas, culturais e militantes de diferentes regiões do país.
A reunião evidenciou a amplitude da articulação. Pelo campo partidário, compõem o comitê estadual de São Paulo representantes do PT, PCdoB, PV, PSB, PDT, Rede e PSOL. Do movimento negro, foram confirmadas ou convidadas a integrar a estrutura: UNegro, MNU (Movimento Negro Unificado), APNs (Agentes de Pastorais Negras), Conen (Coordenação Nacional de Entidades Negras), Coalizão Negra por Direitos, Uniafro e Educafro.
A proposta é que a estrutura nacional opere exclusivamente com instituições, enquanto os comitês locais e regionais possam acolher também personalidades e lideranças comunitárias sem vínculo formal com entidades.
Redes sociais e disputa narrativa
Outra resolução é a necessidade de intensificar a presença digital. Todas as atividades — nacionais, estaduais e territoriais — deverão ser fotografadas, filmadas e publicadas com marcações dos perfis de Lula, do PT e da coordenação de campanha. A Unegro e o PCdoB defenderam que o movimento negro não pode atuar apenas como “mão de obra” de panfletagem, mas como ator político central com presença forte nas redes e nos espaços de decisão e pressionar por maior espaço nas políticas públicas.
Próximos passos
As deliberações finais da reunião definiram os encaminhamentos imediatos:
- Quarta (5) ou quinta-feira (6): reunião restrita com as direções dos partidos e entidades que compõem o comitê estadual paulista para tratar da organização logística e de mobilização do dia 15;
- Segunda-feira (10), às 19h: nova reunião ampliada para mensurar a capacidade real de mobilização e ajustar a estrutura (transporte, material, divisão de tarefas) para a plenária;
- A partir de 15 de agosto: envio de proposta consolidada à coordenação-geral da campanha, garantindo fornecimento de material gráfico e suporte logístico para as ações nos 27 estados;
- Meta permanente: instalar operativas estaduais em todas as unidades da federação, com prioridade para os estados do Centro-Sul onde Lula apresenta maior desvantagem (São Paulo, Rio Grande do Sul, Paraná, Santa Catarina e Rio de Janeiro).



