Comunistas brasileiros participam do III Fórum Internacional Antifascista em Moscou

O III Fórum Internacional Antifascista, realizado em Moscou, na Rússia, reúne representantes de partidos, movimentos políticos, sindicatos e organizações progressistas de quase cem países para debater a conjuntura mundial e traçar uma estratégia unificada de resistência ao neofascismo e ao imperialismo. O encontro ocorre entre os dias 23 e 27 de maio e conta com cerca de 180 delegações de todos os continentes. O Partido Comunista do Brasil (PCdoB) participa ativamente do encontro, representado pela  delegação oficial que acompanha os debates e as articulações internacionais.

A comitiva do PCdoB é composta por Nádia Campeão, presidenta interina do Partido, e por Ana Prestes, Secretária de Relações Internacionais. Durante a estada na capital russa, as dirigentes brasileiras também cumpriram agenda diplomática e foram recebidas na Embaixada do Brasil na Rússia pelo embaixador Sérgio Rodrigues.

Acompanhe aqui publicação de Nádia Campeão nas redes sociais

Em relato direto sobre o andamento dos trabalhos na capital russa, nas redes sociais,  Nádia Campeão destacou a amplitude dos debates e a convergência política entre as organizações presentes diante dos conflitos globais contemporâneos. “Participo, em nome do PCdoB, do III Fórum Internacional Antifascista, promovido pelo Partido Comunista da Federação Russa e que acontece em Moscou, entre os dias 23 e 27 de maio. Estão presentes mais de 80 partidos e organizações políticas de diversos países. Há um debate muito produtivo sobre a realidade mundial e uma grande unidade entre os participantes quanto à condenação do imperialismo dos Estados Unidos, aos ataques, junto com Israel, a Palestina e ao Irã, à ofensiva na América Latina com a invasão a Venezuela e as ameaças a Cuba e todas as agressões imperialistas e terroristas estadunidenses mundo afora. Os comunistas do Brasil se associam a todas as iniciativas em defesa da paz e contra as agressões imperialistas. O PCdoB também está representado por Ana Prestes, Secretária de Relações Internacionais, e fomos recebidas na Embaixada do Brasil na Rússia pelo embaixador Sérgio Rodrigues”, disse Nádia Campeão.

Organizado pelo Partido Comunista da Federação Russa (PCFR), o fórum tem como tema central oficial “A Luta contra o Terrorismo Internacional, o Arbítrio/Tirania e a Agressão. Pela Paz e Segurança”. Os debates no plenário e nas sessões temáticas abordam a expansão do capital monopolista, a dominação financeira e as sanções econômicas como ferramentas de neocolonização. Os delegados denunciam a russofobia, as investidas contra a soberania nacional na América Latina e o financiamento de forças de extrema-direita em cenários de guerra, defendendo a construção de uma ordem multipolar.

O presidente do Comitê Central do PCFR e líder da oposição na Duma russa, Gennady Zyuganov, abriu os trabalhos enfatizando as tarefas comuns das forças progressistas na atualidade. “Nós nos reunimos no III Fórum Internacional Antifascista para discutir nossas tarefas comuns na luta pela paz e segurança, amizade entre os povos e justiça social. Esta atividade multifacetada das forças de esquerda não pode ser separada da luta contra o imperialismo e o terrorismo de Estado, a agressão militar, o neocolonialismo, a reação e o neofascismo”, apontou o dirigente russo. Em sua intervenção, Zyuganov alertou para o vínculo histórico entre as crises do capitalismo e o ressurgimento de regimes autoritários. “Enquanto o capitalismo viver, em seu arsenal sempre haverá fascismo, terror, genocídio e outros crimes sangrentos”, asseverou. O líder partidário concluiu conclamando a união das delegações para avançar na transição rumo a um sistema social mais justo: “Juntos – adiante, para alcançar os ideais luminosos de paz e amizade entre os povos, justiça, progresso e socialismo!”.

O presidente russo, Vladimir Putin, enviou uma saudação oficial aos participantes nesta segunda-feira (25). Na mensagem, ele ressaltou a importância da união de forças construtivas para combater a xenofobia, o neonazismo e o antissemitismo, além da necessidade de salvaguardar a verdade histórica sobre a Segunda Guerra Mundial e buscar a consolidação de um mundo multipolar e democrático.

O encontro conta com a contribuição de importantes formulações políticas de partidos no poder e de forte atuação parlamentar global. Entre os presentes, destacam-se Nomvula Mokonyane, Primeira Secretária-Adjunta Geral do Congresso Nacional Africano (ANC), da África do Sul, que discursou sobre os laços de solidariedade internacional e justiça, e os dirigentes D. Raja e Rama Krushna Panda, do Partido Comunista da Índia (CPI). Também participam dos debates delegações oficiais de partidos comunistas e progressistas da China, Cuba, Venezuela, Coreia, Palestina, Líbano, Iêmen, Afeganistão e Iraque.

O fórum busca consolidar uma frente ampla antifascista para coordenar ações de solidariedade concreta com populações de territórios agredidos militar ou economicamente, exigir a libertação de prisioneiros políticos e impulsionar fóruns de cooperação internacional que se contraponham à hegemonia ocidental. Os encaminhamentos e manifestos unificados resultantes do encontro servirão de base para as jornadas de luta das organizações de esquerda nos próximos meses.