Reunião do Comitê Municipal do PCdoB de Belo Horizonte | divulgação

A segunda reunião do Comitê Municipal do PCdoB de Belo Horizonte, realizada no dia 28 de março de 2026, no Sinpro Minas, marcou a entrada definitiva do partido em ritmo de organização da pré-campanha eleitoral para as eleições de 2026. Ao longo de um dia inteiro de debates, análises e deliberações, o encontro combinou reflexão estratégica, resgate político e decisões práticas que apontam para um novo momento da atuação partidária na capital mineira.

A abertura ficou a cargo do secretário nacional de organização do PCdoB, Altair Freitas, que conduziu uma ampla análise de conjuntura, propondo uma abordagem mais estrutural e menos centrada nos acontecimentos imediatos. Segundo ele, compreender a realidade política exige distinguir o que é episódico daquilo que é estrutural. Nesse sentido, destacou que o mundo vive um período de intensas transformações geopolíticas, com impactos diretos sobre o Brasil e sobre a atuação das forças progressistas. A partir das resoluções do 16º Congresso do partido, Altair apontou duas diretrizes fundamentais: “de um lado, o reconhecimento de um cenário global de acirrada luta de classes, marcado pela pressão do imperialismo estadunidense sobre governos progressistas e pelo avanço de potências como a China; de outro, a necessidade de garantir uma nova vitória eleitoral do campo democrático liderado por Lula em 2026, combinada com o fortalecimento da presença institucional e a realização de mudanças estruturais no país”.

Nesse contexto, defendeu um novo Projeto Nacional de Desenvolvimento baseado na reindustrialização, afirmando que sem uma base econômica sólida não é possível sustentar políticas públicas consistentes em áreas como saúde, educação e moradia.

“O desafio é construir um campo democrático-popular forte o suficiente para enfrentar a extrema direita e promover essas transformações”, frisou. Ao tratar da situação interna do partido, Altair recorreu à teoria da “curvatura da vara”, de Lênin, para explicar o processo de reconstrução política do partido: se a vara está inclinada para um lado, é preciso aplicar força contínua para movê-la na direção desejada, mesmo diante das resistências. “O movimento é gradual, acumulativo e exige persistência. Assim, o revigoramento do PCdoB não pode ser visto como uma ação pontual, mas como um processo contínuo de reorganização e fortalecimento”.

Mais integração

Altair também abordou os desafios da estruturação partidária, apontando a necessidade de maior controle sobre os dados e informações da militância, melhor conexão entre as direções e as bases, superação da fragmentação interna entre setores e maior difusão dos conteúdos e instrumentos do partido. Defendeu que o PCdoB precisa atuar de forma integrada, com unidade política e organizativa, e foi enfático ao afirmar que o partido deve estar no comando das campanhas eleitorais, garantindo que todas as candidaturas expressem sua linha política. Ressaltou ainda a importância de mobilizar os filiados, especialmente aqueles que participaram das conferências, e de integrar mandatos, movimentos sociais e organizações de base no esforço de pré-campanha.

Na sequência da reunião, foi realizada uma homenagem ao ex-presidente do PCdoB Renato Rabelo, falecido em fevereiro, conduzida pela ex-deputada federal Jô Moraes. Em sua fala, ela destacou a trajetória de Renato desde o movimento estudantil até a liderança nacional do partido, enfatizando sua atuação em momentos decisivos da história, como a resistência à ditadura e a incorporação da Ação Popular ao PCdoB.

Segundo ela, a principal homenagem é reafirmar suas convicções, especialmente a compreensão de que o partido é o instrumento central da transformação social. “Renato inseriu o conceito ‘cuidar do partido’, sintetizado nos quatro verbos que orientavam sua prática política: estudar, meditar, organizar e contribuir, além da defesa de uma organização forte, enraizada na base social e capaz de sustentar uma ação política eficaz”, relembrou Jô.

Após a análise de conjuntura, o presidente municipal do PCdoB-BH, Richard Romano, apresentou uma breve avaliação da conjuntura eleitoral do estado, o histórico de votações da Federação Brasil da Esperança e de Wadson Ribeiro, ressaltando a necessidade da retomada da cadeira de deputado federal no contexto de ampliação da bancada progressista de Minas Gerais. Ele detalhou metas específicas para Belo Horizonte, incluindo “dobradinhas” eleitorais e a criação de núcleos de campanha em diferentes territórios geográficos e sociais, com projeções de quociente eleitoral para o pleito deste ano.

Mandato popular de Branco presta contas

O vereador Edmar Branco apresentou, em seguida, um balanço de seu mandato, destacando ações em diversas áreas, como a defesa das rádios comunitárias, a criação do Dia Municipal do Forró, intervenções em infraestrutura urbana, audiências públicas em defesa de trabalhadores terceirizados e carroceiros, além da destinação de mais de R$ 5 milhões em emendas parlamentares, incluindo recursos significativos para o SUS. O conjunto das ações foi apresentado como base concreta para sua pré-candidatura a deputado estadual, reforçando sua inserção territorial e sua atuação junto às comunidades.

No campo da comunicação e da mobilização política, o secretário de comunicação do PCdoB-BH, Cyro Viegas, e a jornalista Tatiana Rocha apresentaram o projeto da pré-campanha eleitoral, centrado na iniciativa “Pra Cima Camarada”. A campanha foi concebida como eixo estratégico de mobilização interna, com o objetivo de transformar a comunicação com a militância em força ativa de campanha. A proposta parte do entendimento de que uma base mobilizada e alinhada é capaz de multiplicar o alcance das ideias e propostas do partido. Entre os objetivos estão escutar a militância, ampliar o alcance político, fortalecer a percepção de viabilidade eleitoral e estimular a cooperação entre pré-candidatos. A estratégia prevê ações como pesquisa interna, organização de militância digital, uso intensivo de redes sociais e WhatsApp, produção de conteúdos audiovisuais, formação para atuação digital e articulação com coordenações locais e regionais.

No momento dedicado às falas do plenário, os dirigentes partidários reforçaram a necessidade de retomar a vida orgânica do partido, com reuniões frequentes, maior presença nos territórios e fortalecimento das organizações de base. Houve críticas à descontinuidade das atividades após os congressos e reflexões sobre os impactos da ofensiva da direita, da pandemia e do bolsonarismo, apontados como fatores que fragilizaram a atuação política nos últimos anos. As intervenções destacaram que ser comunista exige compromisso ideológico e prática cotidiana, defendendo que o convencimento político se dá pelas ideias e não apenas pelo voto. Também foi ressaltada a importância da contribuição financeira como instrumento de sustentação da luta partidária no contexto do capitalismo.

Diversas propostas surgiram, como o estabelecimento de metas regionais de votação, a intensificação do uso das redes sociais, a organização de núcleos de base voltados à campanha, a realização de ações permanentes contra o feminicídio e o fortalecimento de pautas como combate ao racismo, defesa das pessoas com deficiência e promoção da ciência e da soberania nacional. A necessidade de unidade partidária e de articulação ampla também foi enfatizada, especialmente diante do cenário político de disputa com a extrema direita.

No encerramento, Altair Freitas retomou a palavra para reforçar que o desafio agora é “implementar as diretrizes debatidas, destacando que a realidade brasileira continua marcada por problemas estruturais ligados à forma como o capitalismo organiza a economia e distribui riqueza”. Ele comparou a situação do Brasil com a da China, ressaltando que, “apesar das diferenças, o país asiático conseguiu avanços significativos, o que evidencia a necessidade de mudanças mais profundas no Brasil”.

Também destacou o mandato de Edmar Branco como um ativo importante para a campanha e convocou a militância à ação, encerrando com a palavra de ordem: “Pra cima, camaradas, vamos ganhar”.

Na sequência, Richard Romano apresentou os encaminhamentos finais da organização da campanha. Ele destacou a importância do planejamento, da definição de metas e da atuação coordenada, anunciando a composição da coordenação unificada na capital e reforçando o compromisso com a construção de agendas, mobilizações e ações que garantam o êxito eleitoral.

Como parte das decisões organizativas do encontro, foi apresentada a coordenação de pré-campanha do vereador Edmar Branco, que também ficará responsável por estruturar, em Belo Horizonte, a pré-campanha de Wadson Ribeiro à Câmara Federal. A definição aponta para uma estratégia integrada, com unificação de esforços organizativos e maior articulação política na capital. A coordenação é composta Richard Romano, Edvalda Modesto, Miguel Gonçalves, Mateus Santos, Marco Adenilson (Marquinho), Valéria Morato, Júlia Inês e Jô Moraes.

A reunião foi concluída com um sentimento de unidade e disposição para o trabalho político, consolidando o entendimento de que o próximo período exigirá organização, mobilização e presença ativa da militância para transformar o planejamento construído em vitória nas urnas.